NO POEMA ACABO POR RESSUSCITAR

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NO POEMA ACABO POR RESSUSCITAR
*


 


Setembro de doença e de amargura,


De tempestade atrás de tempestade...


Quem disse que Setembro era ternura


Se, para mim, Setembro é só saudade?


*


 


Mas se o mês de Setembro me esconjura


E me ensombra a noção de liberdade,


Faço-lhe frente. Um pouco de loucura


E invento um sol que muda a realidade!
*


 


De mortos me enches? De versos te cubro


Até que morras nos braços de Outubro


E se também Outubro me magoar,
*


 


Mais versos tecerei. Sempre os descubro


E assim que a vida me derruba a murro,


No poema acabo por ressuscitar!
*


 



Maria João Brito de Sousa - 19.09.2020 - 11.15h


 


 

Comentários

  1. Muito bonito o seu poema para fazer frente ao infortúnio. Um desenho que mostra que a autora tem talento.
    Saúde
    L
    Brancas Nuvens Negras

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    1. Muito obrigada, L.

      Sabe aquelas célulazinhas especializadas em defender-nos de agentes patogénicos? Os linfócitos, por exemplo... Pois, em mim, os sonetos funcionam como elas, por muito estranho que possa parecer; mal identifiquem a fragilidade emocional, acorrem em defesa da integridade psicológica. E posso garantir-lhe que quase sempre agem com grande eficácia.

      Forte abraço!

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  2. Também tenho os meus mortos de Setembro...

    Intenso e forte na sua beleza triste, mas vigorosa!~

    Beijinho

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    1. Obrigada, Ana!

      Sinto que metade de mim é fio e a outra metade é nó... de momento, toda eu sou um nó-cego por desenredar.

      Um grande beijinho

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  3. Um soneto cheio de força, próprio de uma "Padeira de Aljubarrota". Gostei muito.

    Talvez porque faça anos em setembro, eu gosto deste mês. Costuma ser doce e suave, em contraste com os escaldantes meses anteriores.

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    1. Não é exactamente uma Brites de Almeida que me sinto, Fernando, mas... fez-me sorrir... obrigada por isso, também.

      Este Setembro está a deixar-me em carne-viva, não consigo encontrar-lhe doçura nenhuma;
      Roubou-me a minha única irmã de sangue e a maior amiga que já tive, depois de adulta... quero guardar o fogo e vejo-me reduzida a cinzas... atiço-as, claro, e algum calor, algum brilhozinho de chama ainda ressurge.

      Se me encontra força, é aquela que me advém da revolta. Sei que é uma daquelas revoltas íntimas, muito pessoais; admito que este tipo de revolta seja a assumpção da minha humana fragilidade. E não costumo gostar nada de sentir-me tão frágil, em todos os sentidos do termo...

      Obrigada e um forte abraço

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  4. Ó querida amiga
    Lendo-te
    Sinto-te viva
    De soneto armada
    Bem usado, qual elixir da vida

    Ainda que te doa o corpo

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    1. Não é apenas o corpo que me dói, Rogério... também eu fui brutalmente amputada, também a minha única irmã de sangue partiu. E tinha apenas 57 anos...

      Forte abraço

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  5. Maria João

    Admiro a sua força, e como a sua dor originou um poema realista embora dolorido.
    Eu gosto de Setembro, por ser o meu mês.
    Mas, eu entendi muito bem o seu desamor a este mês.
    Força minha amiga Poeta!
    beijinhos
    Piedade Sol
    http://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/

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    1. Muito obrigada, Piedade!

      Durante a sua infância - a da minha irmã, claro - decorreu a minha adolescência. Ela era um tanto ou quanto "enfant terrible" mas , para mim, era quase como se fosse minha filha. Protegia-a dos severos castigos do meu pai e do cansaço extremo da minha mãe, que sempre se traduzia nalguma impaciência. Mudei-lhe as fraldas vezes sem conta, alimentei-a sempre que podia, tomava conta dela enquanto brincava na praceta, quando morávamos em Linda-a-Velha... a vida acabou por manter-nos distantes uma da outra, mas o facto de ambas termos graves doenças crónicas acabou por nos reaproximar e, nas últimas semanas, comunicávamos quase diariamente por telefone.

      Sabia que ela estava mal, mas... penso que é humano esperar que o desfecho se dê mais tarde, sempre mais tarde...

      Um grande beijinho, Piedade

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  6. Muitos parabéns pela sua força: Criativa, anímica, estilística, estética. Que a Saúde a acompanhe e a Poesia a ajude a superar os obstáculos. Continuação de excelentes Sonetos!
    Francisco

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    1. Muito obrigada, Francisco!

      Tudo farei para poder garantir alguma força anímica, já que a física me falha constantemente.

      Que a saúde e a criatividade continuem a acompanhá-lo por muitos e bons anos!

      Forte abraço

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