O PÃO DE CADA DIA

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O PÃO DE CADA DIA
*



Escrevi movida a jacto e a gasóleo


Até a consciência me travar:


Tentei deixar por cá um vasto espólio


E só um quase nada irei deixar
*



Porque é certo e sabido que o petróleo


Mais dia, menos dia, vai faltar


E este meu pequenino monopólio


Sentiu-se envergonhado de o louvar...
*



Restava-me o cavalo... Esse escapou-se


Num dia em que me achou mais distraída,


Bem mais imersa em dor que em poesia
*



E agora escolho o mel que for mais doce


Enquanto alindo a estrofe concebida


Pra conceder-me o pão de cada dia.
*



Mª João Brito de Sousa


07.02.2023 - 10.00h
***

Comentários

  1. Boa tarde de paz, querida amiga Maria João!
    É certo que muito do que existe hoje não mais existirá daqui a um tempo... estamos vendo, a olhos nus, muito acontecer na humanidade.
    Entretanto a poesia vai amenizando a dor nossa de cada dia.
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos

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    1. Uma boa noite de paz, querida Rosélia!

      É bem verdade que a escrita - sobretudo a escrita poética - nos ajuda muito a suportar aquilo que sem ela nos esmagaria.
      Senti-me muito vazia durante aquelas semanas em que estive sem ler nem escrever...

      Obrigada e que tenha, também, dias e noites abençoados!

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  2. Para já uma referência ao trabalho de pintura, complexo, revela maturidade.
    Depois, os poemas estão muito interessantes, com mensagens realistas mas... não precisam de ser tristes e com desânimo. A mesma qualidade de sempre.
    Um abraço.

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    1. Muito obrigada, L.

      Este não me parece tão triste como isso, embora não o considere um bom soneto... Aquele gasóleo todo é um tanto irónico e, pelo menos, aliviou-me esta pesada sensação de estar a perder qualidade de escrita.

      Forte abraço!

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  3. Versos que encantam e cativam ao falar de amor desde o leitor simples ao trovador.

    Ninguém nasce assim poeta
    a não ser por vocação,
    com verso e rima completa,
    no pulsar do coração.

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    Respostas
    1. Muito obrigada pela sua bela quadra, amigo Antoni Ferreira

      Embora eu sempre tenha afirmado que sem muito trabalho ninguém fará nada de jeito na área das artes - nem noutras áreas - , também acredito que só quem nasce com vocação para a poesia pode realmente vir a escrever muito bons poemas.

      Um fraterno abraço

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