TEMPO




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*


TEMPO
*



Tu dizes Eu


como quem bebe um copo de astros


e


esculpes os corpos



nas arestas do dia a dia



com a leveza das mãos que não tens
*

 


Tu dizes Vida



como se ela estivesse ainda por nascer



e continuas a moldá-la


e


a cobri-la



dos indispensáveis acessórios:



as teias, os fungos, as algas, os dourados bolores...
* 


Tu passas



como se de todo não passasses


e


não tens memória



que,


 a essa,


somos nós



nós


bichos e sombras e plantas


e


serenas pedras de todos os caminhos


que


ta vamos doando



para que nela te possamos (re)conhecer
*



Maria João Brito de Sousa


15.01.2019 – 12.43h
***


 


Hoje, no meu blog de sonetos, um poema que não é um soneto...

Comentários

  1. Obrigada, Cheia!

    Este tipo de poesia - sem rima ou com rima ocasional - foi o que utilizei durante toda a minha vida, até aos 55 anos. Foi com essa idade que me apaixonei a sério pelo soneto... e continuo apaixonada por ele

    Um abraço

    ResponderEliminar
  2. Lindíssimo 🌹🌹🌹 a imagem e o poema. Já o "roubei"🫣
    Espero que esteja melhor.....
    Bom fim de semana
    Luísa Faria.

    ResponderEliminar
  3. Obrigada, Luísa Faria.

    Ainda não estou melhor, infelizmente, e hoje receio bem vir a congelar

    Bom fim-de-semana para si também. Eu irei às urnas

    ResponderEliminar

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