EU, POETA PORTUGUÊS

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Eu tenho o nobre toque das areias


Do meu pequeno-imenso Portugal


E vivo em transparências de cristal


Sobre uma estranha fome de alcateias


*


 


 


Eu, esboço de tritões e de sereias


Num traço decidido, horizontal,


Renasço, para o bem e para o mal,


Da cópula carnal de mil ideias...


*


 


Aqui cresci! Castelo em construção


De um sonho e da raiz de uma ilusão


Na qual naufraga um mar todos os dias,


 *


 


Descrevo-me em longínquas caravelas,


No sol, na lua e nos milhões de estrelas


Em que a dor espanto, à força de ironias.


*


 


 


Maria João Brito de Sousa 


 


05.06.2008 - 11.56h


***


 


 

Comentários

  1. Fantastico, como sempre!
    Parabens!
    E a consulta?
    Beijinhos!

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    1. Ahá! Apanhei-te... ó Pc, não desmaies agora!
      A consulta não correu mal... mas a sala de espera... vês esta foto aqui ao lado? Foi tirada por volta do meio dia e meia e as pessoas estavam lá desde as 8 ou 9h da manhã... o médico chegou às 1400h... quem não estivesse já doente, iria ficar de certeza! cheguei a casa ao final da tarde... e sem comer nada, claro!
      Mas vocês são uns anjos do céu! Hoje já voltei a poetar! Continuo é co muitas dificuldades em gerir a minha vida a este ritmo, com o Pc a precisar de... de... olha, deve estar a precisar de Psiquiatra! Tem fanicos por tudo e por nada!
      Um grande, grande abraço para ti!

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  2. leio e releio e daqui nao arreio sem tentar entender o que escreves... :)

    um abraço
    Luís

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    1. Obrigada Luís! Este soneto é de hoje e significa que a alma está a vencer a batalha das dificuldades e que hoje me sinto capaz de usar a palavra em nome de todos os poetas portugueses...
      Ai as aulas! Não sei quando terei tempo para falar mais sobre a métrica, mas sei que o farei...
      Um abraço!

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    2. :) obrigado Maria João... um abraço!

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  3. Lindo este soneto como sempre, eu também aqui ficava a lê-lo várias vezes , mas a obrigação chama-me, e tenho de ir.
    Até logo

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    1. Bom trabalho, minha querida amiga! Espero que este palerma não "desmaie" agora, porque esta é a minha segunda resposta ao seu comentário... a outra era enorme e... foi-se! Ando a saltitar daqui para a cx de correio do Gmail, de onde enviei as ilustrações para a Edtora. Depois páro, lavo duas peças de loiça, estendo umas T-shirts, levo a Lupa ao xixi, ressuscito o computador que teve um fanico... quem me dera ter asas verdadeiras, embora me sinta muito feliz por estas que me nasceram cá dentro!
      Um beijinho!

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  4. Olá mamã!
    finalmente! Já tinha saudades tuas! Vamos a ver se a máquina se aguenta.

    Um beijinho e um forte abraço!

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    1. As máquinas, filhote, as máquinas... é que eu também me sinto toda "enferrujada" por fora...
      Tinha feito um enorme comentário ao comentário da Linhaseletras e, quando acabei, o Pc desmaiou! Sempre fui uma mulher calma, mas, desta vez, apeteceu-me dar-lhe "um par de estalos"...
      Deus queira que ele não desmaie agora, senão não respondo por mim... "olhó" poço do elevador!
      Um grande beijinho de arco-íris e um abraço de cometa!

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    2. Esse poço de elevador é sempre um bom remédio para os computadores.

      Beijinho, mamã!

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    3. Há cada ideia...

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  5. Que lindo!!! Este soneto tocou-me na alma... E intenso, e tão Portugal!! Não sei... Eu fico sem palavras!! Oh "melher" , que fonte inesgotável de beleza és tu!!!? Bj da Jo

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    1. Não sei, Jo! Só sei que me saem cá de dentro...
      e que este maluco deste Pc me prega com uma ampulheta à frente do nariz de cada vez que tento responder a um comentário... mas eu já lhe fiz outro soneto, só para ver se ele "amansa" um bocadinho. Amanhã publico!
      Um grande abraço para ti!

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  6. Cara Maria João: nem sei que diga pelo que, aqui e agora, não vou mesmo dizer quase nada.
    E o "quase" é que me sinto mais que honrada, mas também mais acanhada que o habitual. Vou responder-lhe para o e.mail.
    Obrigada!
    Beijinho

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    1. Então somos duas, porque eu também me sinto mais do que honrada por me ter publicado ao lado de gente tão "grande" e tão bonita!
      Abraço!

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  7. Boa noite amiga.
    Belo poema. Parabéns.
    Vou tomar a liberdade de «roubá-lo» para o meu blogue.
    Cumprimentos

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    1. Fico muito honrada por isso, meu amigo! Tenho estado a tentar pôr "em dia" as minhas visitas, mas não esá a ser nada fácil... embora o Pc se esteja a portar razoavelmente de há uma hora para cá, tenho alguns dias de atraso e as directas que fazia até há pouco tempo estão fora de questão pois adormeço mesmo sentada ao computador...
      Um abraço!

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  8. Olá, poetisa:

    Deixe-me felicitá-la pela boa notícia com que nos brindou. Espero poder comprar o seu livro. Vou colocá-la entre os meus amigos Florbela Espanca e José Régio.
    A Patrícia tem-me apoiado para escrever qualquer coisa e concorrer no concurso.
    Mas não consigo simplesmente pensar nisso.
    (Pensei em desenrolar a lista de razões mas não vou fazê-lo).
    Muita sorte para si, minha amiga, e continue assim inspirada.

    Um grande abraço

    António

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    1. Muito obrigada, Poeta, por me pôr em tão ilustre companhia! Ao Régio, que era amigo do meu avô, cheguei a conhecê-lo, mas era muito pequenina e não me recordo dele. Do seu irmão, Júlio dos Reis Pereira - JULIO na pintura e SAUL DIAS na poesia - lembro-me perfeitamente. Foi muitas vezes a nossa casa, às tertúlias poéticas que o meu avô gostava de fazer todos os sábados. Pintou os meus onze anos a aguarela e o quadro desapareceu numa das mudanças de residência. Tinha também algumas das suas célebres "figurinhas a tinta da China", que tive de vender por uma questão de sobrevivência.
      Quanto ao concurso... eu sei bem como nós funcionamos! Ou "qualquer coisa" nos empurra nesse sentido, ou "qualquer coisa" nos afasta dele. Tem mesmo de ser assim.
      Só lhe digo que tanto o Pessoa como o Gedeão fizeram história, também, por NÃO TEREM GANHO um primeiro prémio...
      Eu tenho mesmo de concorer porque a minha sobrevivência física depende (?) disso... pelo menos essa "qualquer coisa" empurra-me para aí...
      Um abraço grande.

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  9. Olá Amiga!
    "...EU, O POETA PORTUGUÊS..." mas será que alguém tem dúvidas?
    Bom fim-de-semana!
    Abraços! António

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    1. Sei lá, meu amigo! Mas neste soneto apeteceu-me dar voz a todos os poetas portugueses... por muito diferentes que sejamos temos sempre dua coisas em comum:
      a paixão pela poesia e a nacionalidade portuguesa. Portugal pode serpequenino, mas sempre teve grandes poetas!
      um abraço!

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