TOURO DE MORTE
Cego de medo e dor, já nada vê... Confuso e humilhado, o bicho é cego: Roubam-lhe a liberdade, o aconchego De amar a vida sem saber porquê Corre o sangue no dorso. Já não é Da natureza o seu desassossego. Da vida que viveu com estranho apego Pressente o culminar ... [Olé, olé!] O público, em histeria colectiva, Estremece inebriado e grita: -Viva! Mas é morte que quer e a morte vem... Ajoelhou o touro e vai morrendo E eu, que nada fiz mas compreendo, Ajoelho com ele, morro também. Olé! ©Maria João Brito de Sousa 2008 .