UM SORRISO POR PORTUGAL


 


 


Sorrio por esta terra que deu vida


À poesia que enche as minhas veias


Onde uma alma marítima e rendida


Se me transmuta em espuma sobre areias


 


Sorrio por este mar, pela partida,


Pela insurgência destas marés cheias


Que, inevitavelmente, dão guarida


Às naus que em mim renascem como ideias


 


Sorrio por este céu de azul vestido,


Por cada rio de prata a desaguar


No estuário do sal que lhe é devido,


 


Por este manto de ouro e de luar,


Por quanto dele em mim fizer sentido


E pelo que eu, sorrindo, recriar…


 


 


Maria João Brito de Sousa – 10.08.2011 – 12.15h

Comentários

  1. Lindo sorriso!
    =)

    “Que futuro?”

    Liberta teu pensamento
    Ser escravo não é opção
    Sobra tempo pró lamento
    Falta tempo pr’a solução

    Somos água setenta por cento
    E o resto é uma maldição
    Temos na pele um pigmento
    Determinará nossa condição?

    Se é amarelo atrás dele já
    Se é negro sai bastonada
    Se está roxo já podes parar

    Peles vermelhas já não há
    Se é branco não faças nada
    Que futuro iremos alcançar?

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    1. Ninguém alcança um futuro
      Aonde o racismo impera!
      Quanto a mim, é muito duro
      Deixar o futuro à espera...

      Todos iguais! Que me interessa
      Se um pigmento tem mais cor?
      Que ninguém tenha mais pressa
      Do que a pressa de uma flor...

      Muitos de nós podem ser
      Desumanos e cruéis
      Para com qualquer ser vivo

      E o melhor seria ter
      Mãos atadas com cordéis
      Para cair-lhes o crivo!


      Abraço :)

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    2. Para quem estava sem palavras, agora sou eu que já estou sem palavras, dir-se-ia que as palavras vão e vêm.

      Bjs, até amanhã.

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  2. “Poema chamuscado”

    Este poema está em crise
    Por isso tem rating da treta
    Dizem tratar-se dum deslize
    E afectou o rating do poeta

    Este poema está queimado
    Mercê dum tumulto gráfico
    E o poeta saiu chamuscado
    Ficou o registo fotográfico

    A poesia está sem soluções
    Pr’ás incertezas do presente
    Por isso não vos posso valer

    Viva a ditadura dos cifrões
    Que chupa o tutano à gente
    Chamando a si todo o poder.

    Prof Eta

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    1. Eu deveria ter comentado este poema antes de ouvir aquele Ave Maria...

      Ditadura de cifrões,
      Não aceito, nem entendo...
      As minhas opiniões
      Ficam por quanto eu aprendo!

      Eu aprendo - ou aprendi -
      Que um pouquinho bastará
      Para ser feliz aqui,
      Onde já nem cifrão há...

      Cifrões, jóias, oiro e tudo...
      Com isso nunca me iludo
      Nem sei viver dividida

      Entre as coisas sem valor
      A que nunca tive amor
      E o amor que tenho à vida!

      Abraço grande, grande, Poeta! :)

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    1. Muito obrigada, Poeta. É simplesmente belo! Eu cada vez tenho menos palavras, hoje...
      Enorme abraço!

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  4. “Adapta-te”

    Se esta sociedade falhar
    Foi o indivíduo que falhou
    Cansado de tanto tentar
    E a sociedade não singrou

    Outro modelo por encontrar
    Será a sociedade do futuro
    E para isso vamos trabalhar
    Prevejo que seja no duro

    Sociedade será diferente
    Disso nem podes duvidar
    Esta falhou a outra não falha

    Que venha ela simplesmente
    O indivíduo vai-se adaptar
    Nem que seja a da metralha.

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    1. :)

      Não sei bem se ela falhou...
      Envelheceu, foi morrendo
      Mas, daquilo que deixou,
      Vai estar a nova nascendo...

      No tempo em que ela "mandava"
      - imatura e prepotente -
      Foi assim porque o deixava
      Muita, muita, muita gente!

      A nova terá valores
      Mais libertos e coesos,
      Mais globais e mais fraternos

      Com bem menos desamores
      A que os homens estejam presos
      Por tentarem ser eternos...

      Beijinho! ;)

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  5. Respostas
    1. É lindíssimo este poema do Alberto Caeiro!
      Já o tinha lido mas nunca o tinha ouvido... e então quem! A Maria Bethania! Muito obrigada, Poeta. Vou fazer o que puder mas o 2008 está a querer ter um "chilique"... :)) já se apagou todo e, volta e meia, deixa-me "pendurada" a escrever em seco...
      Abraço enorme para TODOS vós ;)

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  6. “Cura prá tosse”

    Já hoje foi anunciado
    Vítor amanhã anuncia
    Cortes por todo o lado
    Assim a troika financia

    Troika quer-nos a poupar
    E a fundo na austeridade
    Também para lhes pagar
    Vamos recorrer à caridade

    Reúne-se a malta de posse
    E toma-se uma decisão
    Um tostão eles irão dar

    Até que se cure esta tosse
    Mas recebem um milhão
    Quando nos vierem cobrar.

    Prof Eta

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    1. Já sabia de amanhã
      E das avaliações!
      Essa gente pouco sã
      Quer é cobrar-nos milhões!

      Este povo infernizado
      Mal se atreve a perceber
      Que está a ser bem lixado
      Pela treta do poder...

      De nada tenho saudades
      Porque não sou saudosista
      Mas gostava de gritar

      Algumas duras verdades
      De quem não é vigarista
      Mas já não pode pagar...

      Abraço! :)

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  7. Respostas
    1. Bem haja, Poeta!

      Estou duplamente em dificuldades, hoje. tenho problemas com o computador e com o Facebook também.
      Quereria ter publicado um soneto que enviei para o Clube dos Poetas Vivos, Concurso viver a Poesia, em que ganhei uma menção honrosa, mas a net está constantemente a faltar e nem sequer consigo escrever no meu mural. Amanhã tentarei de novo!

      Abraço grande!

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    2. Poeta morto

      Tu deves ser um poeta morto
      Do clube dos poetas mortos,
      Sou do clube dos poetas tortos
      Sou portanto um poeta torto

      Já que permaneces aí prostrado
      Diz-me antes da putrefacção,
      Vês por aí alguma solução ?
      Acaso preferes ficar calado ?

      Já percebi, não mexes nem falas
      Até me parece que não te ralas !
      Nem sequer esboças gritos aflitivos

      Não te preocupes, mas não me calas
      Nem me incomoda o cheiro que exalas,
      Vou ligar pr’o clube dos poetas vivos.

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    3. ;)

      Morta, morta... não estarei
      Mas não posso deslocar-me
      E por aqui ficarei
      Até que venham buscar-me...

      Ou será que só quem salta,
      Quem dá pulinhos e grita,
      Pode dizer que faz falta
      Quando a malta fica aflita?

      E aqueles que já fizeram
      Muito mais do que o espectável
      Mas que, ainda produzindo,

      Fazem quanto não puderam
      Fazer os mais? Reprovável
      É perder-se o que é bem-vindo...


      Abraço! :)

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