UM TUMULTO A SUBIR DAS PROFUNDEZAS
Hoje, nem bem, nem mal, nem coisa alguma…
Nem o silêncio impôs a reflexão,
Nem um murmúrio só, dizendo "não"
Às minhas mãos cerradas como bruma
E dispersa-me a onda nesta espuma
Como se, ao ser negada uma razão,
Tudo se reduzisse à dimensão
Das lutas que se perdem, uma a uma…
Hoje… nem bem, nem mal! Ninguém diria
Que ontem saiu à rua a rebeldia
Vestida com as cores de mil certezas,
Porque hoje, ao acordar, nada se ouvia
(... mas, quem estivesse atento, sentiria
um tumulto a subir das profundezas…)
Maria João Brito de Sousa – 16.10.2011 – 16.32h
Caro Pedro
ResponderEliminarJá falei com o Henrique que me deu as notícias dele e a Maria João deu-me as do resto do pessoal. Nós vamos sobrevivendo e amanhã aí estaremos.
Quando contactares a amiga Maria joão de Sousa tarnsmite-lhe os meus agradecimentos pela paciência que tem de me ler e, ainda, a magnanimidade de me elogiar. Diz-lhe que: li com o maior interesse o magnífico soneto do avô António de Sousa. De todas as engenharias, decerto que a genética é a que, apesar das investigações mais recentes, deve ainda estar na era da pedra lascada, mas não me custa acreditar que a poetisa herdou o talento do avô, cujos sonetos, cotejados com os meus, serão como ponto de cruz ao pé de alinhavos. Mas cá vou alinhavando como sei e, desconhecedor de antepassado que me tenha transmitido o fraco estro, penso, dado o pendor para a veia humorística que, em medievas eras devo ter tido algum que foi bobo de alguma corte.
Obrigado poetisa pelo que, graças a si, vou acrescentando às carências das minhas heranças genéticas.
Um Abraço meu e outro de minha esposa.
Eduardo.
Amigo Eduardo,
EliminarNunca me agradeça a "paciência" de o ler. Faço-o com todo o prazer e, quanto aos conhecimentos da genética, partilho dessa sua opinião. Ainda devem andar na idade da pedra lascada se não aceitam este tipo de transmissão de vocações :) Mas ela, a Genética, é uma senhora muitíssimo ocupada, sem quaisquer preconceitos morais ou seja de que tipo forem... vai distribuindo dons, caso as vias normais não estejam a preencher as necessidades da espécie, conforme ela entende - e eu acredito que ela entende tudo e mais alguma coisa! - por aqui e por ali, cobrindo o planeta inteiro a cada minuto que passa...
Também acredito que devo ter tido algum antepassado que foi bobo da corte pois também eu tenho esta tremenda tendência para a brincadeira, mesmo com a barriga a dar horas... e olhe que não eram mesmo nada palermas, os bobos da corte! Tenho por eles o maior dos respeitos pois imagino que não seria nada fácil "entreter" um rei daqueles mais irasciveis sem perder a cabeça, no sentido literal.
Um enorme abraço para si e esposa e muito obrigada por me ter dado a sua opinião tão magnânima sobre o soneto do meu avô-menino!
Oi minha amiga
ResponderEliminarPassei novamente por aquela situação parecida de quando estive em Portugal.
O médico proibiu-me a internet. Estou aqui de teimosa. Isto me faz bem, eles não sabem o quanto me faz mal tirarem de mim.
Agora a depressão, como antes, primeiro são as sensações de projeção do corpono ar, depois a premonição e depois a sensação de vazio.
E pior... aqueles que usam de nossas energias e que acabam nos fazendo mal.
Desculpe não estar vindo aqui no seu blog.
Só de vez em quando virei.Foram muitas emoções vividas e sentidas, agora a depressão toma conta,estou lutando contra. Estou sem trabalhar há 15 dias e mais dias virão.
Ore por mim, estou precisando de auxílio.
Um forte abraço.
Vera :D
EliminarEntão, amiga, claro que sim! Cá, em Portugal, também teremos muito mais situações de depressão muito em breve, mas serão, na sua maioria, situações reactivas... mas não serão nada fáceis de tratar se a situação se mantiver como está no presente momento. Há muito a fazer, por cá, mas um abraço daqueles grandes, grandes e solidários, até numa caixinha de comentários se pode dar a uma amiga :)
Acredito que um bocadinho ao computador, não te fará mal nenhum... não deves é abusar pois é um meio de comunicação que nos exige um enorme esforço quer físico - é péssimo para a coluna! - quer de concentração.
Envio-te mais outro abraço "daqueles", amiga! Muita fé e muita coragem!
Estás novamente com o perfil privado. Passei por lá mas não consegui entrar. Talvez seja melhor assim para que não te sintas tentada a responder a muita gente... mas olha que o Facebook é bem mais difícil de acompanhar pois exige uma rapidez enorme.
EliminarOutro abraço grande!
Estou contigo Maria!
ResponderEliminarÉ hora de deixar esse tumulto sair, é hora de nos libertar-mos :)
Mais um soneto simplesmente indescritível ^^
Obrigada, Paper! :D
EliminarSim, é hora! Precisamos de convergir todos num mesmo sentido; o da equidade e da inviabilização das situações de corrupção!
Um abraço grande, grande!
“Dantas not”
ResponderEliminarHá um parlamento na rua
Que veio para continuar
Por que esta luta continua
Não começou pr’a terminar
Também eu serei deputado
Deste parlamento sem abrigo
Nessas escadarias sentado
Não olhando o meu umbigo
Por favor não votem em mim
Não sou candidato sequer
Tanto luxo seria o meu fim
Não há volta, agora será assim
Aprovaremos leis de morrer
Morra o Dantas, morra! Pim!
Ninguém olha só pr`a si
EliminarE faz bem em aí estar
Pois eu só fiquei aqui
Por não poder mais andar
E, se eu arranjar transporte,
Também estarei, de certeza,
Com muita ou com pouca sorte,
Com ou sem pão sobre a mesa...
Mas hoje está impossível
Navegar por este espaço
Que não tem tecto nem fim
E parece inexcedível
O estranho esforço que faço...
Morra o Dantas! Morra! PIM!
Poeta, isto está tão difícil que eu mais pareço uma malabarista do que uma navegadora comum... amanhã sairei à rua - eu quero! - mas só aí chego se tiver boleia!
Abraço grande!
“Conjuntura”
ResponderEliminarO inferno já está a arder
Alguns ir-se-ão queimar
E no céu está a chover
Outros ir-se-ão molhar
Os que ficam molhados
Podem ir ao inferno secar
Os que ficam queimados
Vão ao céu pr’a s’enchacar
Os que atearam as chamas
Ficam aqui no purgatório
Molhar e queimar é que não
Entre muitas tricas e tramas
Treinam o seu dom oratório
Das chamas aguardam extinção.
Prof Eta
... e aqueles que nada sofrem
EliminarE, muito pelo contrário,
Vêem crescer o salário
Criado pelo que encobrem?
Não morra a culpa solteira
Neste enorme rebuliço!
O capital fez asneira,
Já ninguém duvida disso!
Infelizmente não creio
Que isto possa resolver-se
Nessa paz que eu preconizo
Pois é tão mau, está tão feio,
Que não pode devolver-se,
A tal gente, algum juízo!
Poeta, amanhã vou tentar estar no Chiado.
Um abraço grande, grande para todos vós! A net está ainda pior do que ontem!
O que há no Chiado ?
EliminarHá uma concentração, às 18h, para uma marcha contra o Pacto de Agressão de que estamos a ser vítimas, Poeta! Eu ainda confio que se possa evitar que nos empurrem para este fosso a que querem lançar o Estado Social!
EliminarAbraço gde!
“Adeus”
ResponderEliminarA alternativa é a bancarrota
Então deixem a banca romper
Porque se a banca fez batota
Não tenho que à fome morrer
Alternativa é o neoliberalismo
Então podem deixá-lo afundar
Pois se nos leva pr’o abismo
Eu não tenho que me atirar
Tenho pena òh pátria minha
É nenhuma a saudade de ti
Faço as malas, vou embarcar
Um dia volto à santa terrinha
Lembrarei o sítio donde parti
Sem a esperança de voltar.
E essa, pr`a muita gente,
EliminarVai ser, decerto, a saída
Pois não vejo outra decente
Pr`a quem quer ganhar a vida
Mas muitos hão-de ficar
Para evitar a desgraça
De Portugal a afundar
Sem trabalho e sem ter "massa"
Esta absurda alternativa
Que não tem pés nem cabeça
Escraviza o trabalhador!
Mas haverá gente activa
Que diga NÃO, nos impeça
De irmos de mal a pior!
Olá, Poeta! :) Peço desculpa por só responder agora mas, ontem à noite, consegui um acessozinho que só me deixava escrever por alguns segundos antes que a net se fosse completamente abaixo. Acabei por ir passear o Kico e, quando estava na rua, fui assaltada por um verdadeiro "ataque de sono". Estava a ver que adormecia ali, em pé, na rua. Só tive tempo de levar o Kico para casa e "atirar-me" para a cama :)
Abraço grande!
“Burro”
ResponderEliminarHouve um dia a perestroika
Noutro caiu o muro em Berlim
Agora enfiam-nos a troika
E acham que isto fica assim
Mas constroem tantos muros
Para a divisão não ter fim
E acham que somos burros
E eu também acho que sim
E de tanto o burro carregar
Sem cenoura pr’a o motivar
Já não anda mais o burro
Só lhe dá para escoicear
Não sei como irá terminar
Mas cheira um pouco a esturro.
Prof Eta
Como os burros, tantas vezes,
EliminarCom as palas ajustadas,
Serão alguns portugueses...
Até serem arrancadas
Essas palas que os cegavam
E as cangalhas sobre o lombo
Mas também esses pensavam
Não levar tão grande arrombo!
Se o burro parar de vez
Quero ver quem "dá no duro"
Pr`o capital se encher mais!
Português que é português
Não abre mão de um futuro
Conquistado por seus pais!
Até já, Poeta! Vou ter de ir, num instantinho, ao Face pois deixei a meio uma conversa com uma amiga, ontem à noite. Depois venho colocar estes sonetilhos nos seus blogs. Abraço! :)
O BOBO da CORTE
ResponderEliminarO Bobo da Corte anda em exaustão:
Por mais que rebole e perca o juízo,
El – rei e os Nobres fazem um carão!
Nada lhes arranca, nem breve sorriso.
Não são, mas parecem, humanos com siso
Atacou a todos cruel depressão…
De passos perdidos, salão a salão
Gastam o seu tempo, de andar indeciso.
Em vez de carpir, desfeito em ais,
O príncipe dos momos, com um traje novo,
Veio para a rua com os seus jograis
E à cidade disse: «vós que aí estais,
A partir de agora, quem ri é o Povo
O Rei e a Corte, já riram demais!»
Eduardo
Nota de rodapé – Em homenagem ao meu antepassado que, em medievas eras, instilou em mim, por sucessão, os genomas do poetar. Foi ele, bobo numa qualquer corte dessa Europa. Penso que o palhaço, se andou a rebolar com a Rainha no tálamo real, o que acabou por lhe valer bárbara decapitação. Tal concluí, pelo meu traço distinto, a aloirada melena e umas certas dores que, de quando em vez, me a atacam a cerviz.
Olá, Eduardo
EliminarObrigada por mais este poema!
Analisando os três últimos pontos que foca já não estou tão segura de que tenhamos ascendência comum pois só partilho as dores na cerviz que, ainda por cima, são quase constantes no que à cervical diz respeito.
Vou tentar enviar-lhe um sonetilho imperfeito pois este seu poema merece-mo!
Se El-Rei e os Nobres
Estão tão indispostos,
Decerto há desgostos
Maiores para os pobres
Por causa de uns cobres
Chamados impostos
Irão ser depostos
El-Rei e os Nobres
Caso a cantilena
Se não torne obscena,
Dou por bem empregue
Os passos já dados
E os versos contados
Que a teima persegue...
Vai em redondilha menor... saiu-me muito pobrezinho, em versos de cinco sílabas métricas... mas foi assim que ele me saiu e eu estou a ver-me aflita para conseguir manter o acesso online.
Um enorme abraço para si e esposa.
Maria João
“General”
ResponderEliminarEsta é a greve do general
Furriel não está de acordo
O soldado vai passar mal
Sargento está mais gordo
Não há dinheiro pr’o soldo
Todos ralham sem razão
Sentem-se à sombra do toldo
E roam as côdeas do pão
Não esperem dias melhores
Esta é a curva descendente
Do futuro há muito prometido
Na demência haverá piores
Dias de esperança ausente
Duma guerra sem sentido.
Prof Eta
Poeta, conhece aquela do Zeca Afonso; "Mais vale ser um cão raivoso/do que um carneiro/a dizer que sim ao pastor, o dia inteiro..."
EliminarEsta guerra é de todos nós e não fomos nós, povo, quem a convocou. Ou nos rebelamos ou, muito em breve, teremos perdido até os poucos direitos que tínhamos antes de Abril.
Já lhe venho deixar o sonetilho. Está quase na hora do almoço e corro o risco de chegar atrasada se o começar agora.
Até já!
Nem sargento, nem major,
EliminarNem furriel ou soldado
Podem esperar o melhor
Se o país está condenado!
Todos ralham... com razão
E mesmo os mais egoístas
Dão a sua opinião
Tentando não "dar nas vistas"
E quem comprou, afinal,
A guerra em que nos meteram
Tão contra a nossa vontade?
Não seria o capital
E os offshores que o receberam?
Esta é, Poeta, a verdade!
Abraço grande! Nenhuma guerra faz sentido mas os direitos tão duramente conquistados, vão ser-nos arrancados um a um e eu estarei sempre do lado daquele que se negar a entregá-los de bandeja. O objectivo final é exactamente esse, Poeta. Há muito que tenho vindo a pressenti-lo e a minha decisão foi tomada com toda a consciência.
Tenho a impressão de que me enganei... esta do Cão Raivoso é do Sérgio Godinho...
EliminarEstou constantemente a perder a ligação e não sei se vou conseguir, sequer, ler os seus sonetilhos...
“Animais”
ResponderEliminarCom a visão da águia vamos
Conseguir elevar-nos mais alto
Com energia do dragão estamos
A um passo de dar o grande salto
Com a força do leão estaremos
Defendidos para todo o sempre
Como a formiga trabalharemos
Não haverá povo como a gente
Se nos virem com ar deprimido
É porque somos muito ingratos
Cuspimos no prato onde comemos
Aproveitemos o que nos é oferecido
Aos políticos devemos estar gratos
Ou então nem sequer os merecemos.
Prof Eta
Poeta, o sangue a ferver
EliminarQue trazemos nestas veias,
Talvez ajude a varrer
Muito pó de velhas teias!
E, se à esperteza do gato,
Juntarmos a lealdade
Do cão que traz o sapato
Ao amigo, em liberdade,
Talvez vislumbremos mais
Do muito que há por fazer,
Do tanto que há por mudar...
Eu bicho e nós animais...
Quem ousa pensar que o "ser"
Pode escolher onde estar?
Abraço grande, Poeta! Sou uma daquelas pessoas que não se julgam mais importantes nem mais leais do que um cão e muito menos mais persistentes do que um gato... também acredito que nem todos os políticos são passíveis de corrupção e que seria perigoso tratá-los a todos como "farinha de um mesmo saco". Penso que essa estratégia só viria a beneficiar os grandes capitalistas que, apenas muito ligeiranmente assustados, se vão entretendo a lançar-nos cenouras para a "arena", sabendo de antemão que a dispersão é uma arma que joga a seu favor.
Caro Pedro
ResponderEliminarBom dia ou boa noite. Sei que andas com os sonos trocados.
Cheguei a gostar do Bobo da Corte, nas, por vontade do Povo, traí-o. Agora ando confuso.
QUEREMOS OUTRO BOBO
E o bobo da Corte, ali trucidado
Pela multidão que ele distinguiu,
Viu tudo o que dava a ser recusado.
Se sabia rir o Povo não riu.
Já o Rei e a Corte riram com agrado
E um laivo d´esperança p´ra eles surgiu
Se a cidade toda estava do seu lado
A luz esperada, ao fundo, surgiu.
Mas a turba irada ergueu sua voz,
Não riu mas bradou bem alto e de novo:
Quem fez rir o Rei, não provoca em nós
Sequer um sorriso falso e amarelo,
Nós queremos um momo que ri só p´ro Povo,
Um que nos alegre e que saiba sê-lo.
Eduardo
Fica para amanhã, amigo Eduardo. Corro o risco de perder tudo o que posso poetar a partir deste seu soneto. Já perdi imensos comentários no Face e não quero arriscar mais nesta ligação tão imprevisível.
EliminarUm abraço e até amanhã!
M. João
Alguém que ria c`o Povo,
EliminarQue com ele se identifique
E que nos mostre, de novo,
Quanto ao Povo dignifique,
Alguém que rasgue caminhos
Neste deserto confuso,
Que nos não deixe sozinhos
Com tanto débito Luso...
Alguém que connosco ria,
Chore, nas horas amargas,
E, partilhando o que tem,
Nos lembre um tempo em que havia
Gente de "costas tão largas"
Que sofreu como ninguém!
Ainda estou muito "debaixo do efeito" do meu soneto de hoje, meu amigo Eduardo... também este sonetilho vai carregado da gratidão que devo àqueles que sofreram e morreram nas prisões do fascismo... mas não deixa de ser uma resposta.
Um grande abraço para si e sua esposa!