UM POENTE DIFERENTE, À BEIRA-TEJO - Cavalo desenhado a ferro e fogo


Quis falar do Mondego e, na verdade,


É desta foz do Tejo que vos falo,


E cresce cá por dentro a voz que calo


Pr`a conter as saudades sem saudade.


 


Solta-se o sonho oblíquo à claridade


E a linha de horizonte é um cavalo


Que não sei se lá está, se imaginá-lo


É mera ilusão de óptica, ou vontade,


 


Pois galopa um poente à beira Tejo


Rumo a estranhas lonjuras que nem vejo


Por estarem tão além do meu futuro


 


Que, do que vi, me sobra o claro espanto


De um cavalo-solar que aqui levanto


Rasgando, a ferro e fogo, um céu já escuro.


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 01.11.2011 – 16.00h

Comentários

  1. Olá Jo,
    Perfeito como são sempre todos os seus sonetos.
    Bjx

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    1. Olá, Fá! Obrigada! :D
      Já cá vim responder e escrevi, escrevi... mas a net está doidinha e fiquei, de repente, sem acesso... o comentário desapareceu! E agora acho que falhou de novo... ai, beijinho!

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  2. “Sobrevivente”

    A Europa em emergência
    Papandreou não manda aqui
    Há planos de contingência
    Feitos por Merkel e Sarkozy

    Mas levaram um nó cego
    Dos pais da democracia
    Deram voz ao povo grego
    Disse que ajuda não queria

    Os mercados em alvoroço
    Deram a sentença de morte
    A esta Europa decadente

    Eram sete cães a um osso
    Imperou a lei do mais forte
    Só houve um sobrevivente.

    Prof Eta

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    1. Já cá volto, Poeta! Acabo de ficar sem acesso ao rádio e tenho de tentar refazer a ligação... abraço gde!

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    2. Dentro do pouco que sei
      A senhora OCDE
      Faz impor a sua lei
      Sem nos deixar outra fé...

      De Merkel e Sarkozy
      Penso o pior dos piores
      E já nem descrevo aqui
      Quão mal penso dos senhores...

      Dos mercados estou tão cheia,
      Tão fartinha e tão cansada
      Que os promovi a "chiqueiros"

      Só isso veio à ideia
      Que está mesmo saturada
      De ouvir falar em dinheiros...

      Já está, Poeta! Ainda não consegui fazer a "mudança" dos sonetilhos porque a net está instável e eu ainda mais doente do que o costume. E o Poeta? Está melhor?
      Abraço grande!

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  3. “Vem lá o passado”

    É a espantosa realidade
    Somos sete mil milhões
    É tão grande a necessidade
    E são imensas as ilusões

    Neste mundo globalizado
    Onde todos queriam crescer
    Mas nenhum passo foi dado
    Pr’o crescimento acontecer

    Agora que a bolha estoirou
    Vamos começar a decrescer
    O equilíbrio vai-se alcançar

    Esta instabilidade inspirou
    Aqueles que faziam prever
    O futuro ao passado chegar.

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    1. O passado sempre esteve
      Escrito em cada um de nós,
      Naquilo que se percebe
      Vir dos longínquos avós

      Mas há pontos de clivagem
      Em cada forma de vida...
      Ecos, rastos de uma imagem
      Sempre mal compreendida...

      A vida acontece sempre
      Com passos dados, sem eles,
      Ou rastejando a seu modo

      Ninguém confirma - ou desmente... -
      Teorizações daqueles
      A quem eu tanto incomodo...

      Vou tentar publicar, Poeta. Perdi a ligação à Rádio Horizontes e, aqui, não sei como ela está a funcionar... até já!


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  4. Perfeito Maria! :)
    Não sei se é por eu andar um pouco ausente da blogosfera, ou se por outro motivo, mas já tinha saudades de ler o teus sonetos ^^

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    1. Olá, Paper! :D Obrigada por teres saudades dos meus sonetos! É um elogio daqueles!!! Estou em casa, cheia de febre e com um agravamento do síndrome que tenho, mas tentei ir ao CJ porque aqui a net leva-me 2 horas de tentativas desesperadas por cada 2 ou 3 minutos de acesso efectivo... mas o CJ está mesmo sem net e eu tive de voltar.
      Caramba! Deram-me tantos medicamentos para acrescentar aos que já tomava que acho que estou com uma indigestão de comprimidos!
      Vou visitar-te! Bjo!

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    2. Desejo-te as sinceras melhoras Maria. Agora tens de repousar, pelo menos até te sentires um pouco melhor, se não contrato alguém para te puxar as orelhas :P
      E não tens de pedir desculpa, eu gosto de falar contigo e gosto dos teus "testamentos" :)

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    3. Caramba, é muito triste comentar e nunca saber se o comment vai ficar ou desaparecer num faniquito da net...
      Obrigada, Paper! :)) Não mandes ninguém puxar-me as orelhas que eu porto-me o menos mal que posso :))
      Mas tenho mesmo de andar desde que acordo... imagina só o que seria acordar com a casa "decorada" por todo o tipo de dejectos e vomitanços felinos e caninos e não mexer um dedo... não dá! Este pessoal está velhinho e já não tem a contenção dos bons velhos tempos. Logo de manhã vou com o Kico para a rua - com o saquinho de plástico no bolso, claro - , não em combinação, porque não tenho disso, mas de pijama e com um casacão por cima. Baixa, pega, força! Isto é ele a subir as escadas ao meu colo... e custa-me, caramba! Normalmente faço a "festa" duas ou três vezes antes de sair de casa, quando consigo sair de manhã. Ultimamente nem o tenho conseguido porque a situação está menos brilhante do ponto de vista físico e eu só acabo de limpar tudo à hora do almoço... quando consigo limpar tudo :))
      Ai, que testamento! Desta é que foi mesmo! Mas espero melhorar um pouco... ou não, sei lá! Quando me ponho a descrever as coisinhas do dia a dia, faço sempre testamentos e acabo por não dizer quase nada...
      Abraço grande!

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    4. Sendo assim percebo o porquê de teres de andar mal acordes, mas tens de tentar não fazer grandes esforços, pelo menos por agora que estás doente :)
      Se precisares de alguma coisa, conta comigo ^^
      Ahah, foi um testamento grande, mas eu gosto disso :P

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    5. Olá, Paper! Ontem foi um massacre no acesso à net... meia hora, ou mais, a lutar por um acessozinho, para ele, logo a seguir, se esfumar! Para o Face ainda deu para partilhar uma coisa ou outra mas desisti de vir aos blogs e ficar, sistematicamente, sem as respostas...
      Hoje estou com mais febre. Já deveria estar a fazer efeito, o bendito antibiótico, mas parece que só me dá dores de barriga... enfim, não dá resultado hoje, há-de dar amanhã! :)
      Abraço grande!

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    6. Então tens de descansar mesmo :/
      Vais ver que isso não tarda nada passa :) (se continuar a não fazer efeito, é reclamar com o médico ;P )

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    7. :) Ele não tem culpa nenhuma! Já mais do que uma vez tomei amoxicilina com ácido clavulânico sem ter estas indisposições todas... desta vez é que me deu para isto!
      Mas eu, aqui, não me estou a sentir muito cansada... esta cadeirinha do CJ é muito mais confortável do que o meu banco de "sumapau" :)) e o único problema é que ainda estou mais lenta do que o costume...
      Bjo!

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  5. “The end”

    Grécia com um fim trágico
    Diz a Moody’s com razão
    Em Holywood seria mágico
    Mas em Atenas é que não

    Tragédia sabe-se de antemão
    Tem o seu herói a condizer
    Expressa-se com erudição
    Seu fim não é preciso prever

    Às mãos dos bárbaros cairá
    Após uma luta sanguinária
    Tal desfecho já se antevia

    Algo de novo daqui nascerá
    Após esta ditadura monetária
    Será talvez uma democracia.

    Prof Eta

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    1. The end, mesmo, por hoje, Poeta! Desisto! Sou e sempre fui muito persistente mas, quando a persistência se não traduz em utilidade ou gratificação, passa a ser burrice... estar mais de uma hora a tentar publicar um simples comment e vê-lo fugir antes de conseguir fazer o copy, está a transformar-me numa mártir do computador! O CJ também está sem net há três dias e eu fiz tantas diligências sem qualquer fruto que acho melhor sair enquanto conservo alguma auto-estima :))
      Mas eu volto logo ou amanhã! Espero eu, se não me tiver dado nenhum "badagaio"...
      Abraço grande!

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    2. Desassossego constante
      Provoca esta indecisão
      E alguém, a qualquer instante,
      Vai tentar "deitar-lhe a mão"

      Povo grego, povo grego,
      Não te deixes iludir!
      Se eu a direita renego,
      Quer-te ela, a ti, atingir!

      Se, Grécia - todos sabemos -,
      Berço da democracia,
      Mãe da civilização,

      Com seu povo ficaremos
      Nesta instável sintonia
      Da "bomba" que traz na mão!


      Olá, Poeta! Desculpe mas só agora consegui o acesso no CJ. Continuo com febre e muito desassossegada em relação a este preciso momento histórico.

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  6. “Κάννες 2011”

    É hoje em Cannes o evento
    Não será festival de cinema
    Europa faz um pé-de-vento
    Gregos montaram o esquema

    À força da finança vergar
    Quem a democracia inventou
    Era esquema a implementar
    Mas então o que mudou?

    Foi um grego refinado
    Com gerações de sabedoria
    A situação inverteu de novo

    Ao ver-se assim encurralado
    Desceu à base da democracia
    Quem manda agora é o povo.

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    1. Ah, Poeta, quem me dera
      Que, com tal simplicidade,
      Ficasse "arrumada" a "fera"
      E o povo em liberdade...

      Muito sangue, ou muita tinta,
      Fará ainda correr,
      Sem que ninguém me desminta,
      Esta história do Poder...

      De momento pouco sei...
      Não podendo ouvir, nem ler,
      Nem sequer me actualizei,

      Mas vou fazer por saber
      E, se acaso me enganei,
      Viva o povo e o seu querer!


      Até já, Poeta. Estou mesmo muito pouco informada e as poucas pessoas com quem estive hoje, nem sequer falam deste assunto... às vezes o silêncio é eloquentíssimo, mas não quando eu estou com febre porque atribuo ao estado febril as interpretações e ilações que dele possa tirar...

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  7. Caro Pedro

    Recebi o sonetilho da poetisa e envio-te O MAR QUE TEMOS

    O MAR QUE TEMOS

    Já não há mais gigantes desgrenhados
    Querendo amedrontar navegadores.
    Pr´a gáudio dos infantes deslumbrados,
    Há rosas para além dos Bojadores.

    Agora só há cabos desvendados
    Gaivotas livres num mar sem temores
    Todos os medos foram afastados
    Não há bramidos e tampouco horrores

    Assim foi, até que os adamastores,
    Com enredo de trama bem urdida
    Vociferavam alto seus rancores,

    Jurando a Neptuno a vil traição:
    «-Pr´a ser assim… antes um mar sem vida
    E decretaram a poluição!..»

    Eduardo

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    1. Olá, meu amigo Eduardo!


      Vai levar muito tempo e ser difícil
      O resgate das águas planetárias...
      Rápido, acutilante como um míssil
      Foi destruir o mar de formas várias...

      Talvez o Adamastor tenha lá estado,
      Talvez, com esses urros, preparasse
      No luso navegante, o eterno fado
      Das lágrimas vindouras que chorasse...

      Talvez da Terra brote um novo choro
      Comovido- quem sabe? - e mais profundo
      Que a cupidez dos homens sem decoro

      E suba esta maré pl`o Tejo adentro
      Porque, hoje, é nele que recomeça um mundo
      Tão puro quanto a flor do aloendro!

      Pronto, meu amigo Eduardo. Faltar-lhe-á alguma musicalidade mas foi o que nasceu nesta situação febril em que me encontro.
      Abraço para si e esposa!

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  8. Lindo como sempre! Tenho três cavalos pretos a cavalgar na neve da Russia...

    E só vim saber de ti. Ainda bem que te encontro.

    Um beijo, Mª. L.

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    1. Olá, Maria Luísa! Já vi os três cavalos pretos e a tua pequena dissertação!
      Vou muitas vezes ao teu blog mas levo sempre um poema "pendurado" na ponta do cursor e acabo por não deixar lá mais nada senão esse sonetilho... e mesmo assim, com a instabilidade que tem havido nos acessos, penso que falta um... ou dois?
      Como estás tu?
      Claro que esta minha imaginação nunca pára - nem com a febre :)) - e associei logo os três cavalos a nós, os três Poetas "anti-troika"...
      Umgrande abraço para ti e a continuação das tuas melhoras!

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  9. DEMO CRATIA

    Quando manda o Povo, é a demo «crácia»
    E s´ele não manda, é ditadura
    Todas estas tretas são uma falácia
    Que o mando do povo é a urdidura,

    Pelo capital tecida com audácia
    Logo sugerida com grande brandura
    Depois, a seguir, já com eficácia
    Ou p´la lei da força, sempre obscura.

    E sob disfarce que é eleitoral
    Vai-se infiltrando minoria néscia
    Muito bem estribada no vil metal…

    E não penses tu que é só em Portugal
    Já acontecia na antiga Grécia,
    Que esta torpe lei é universal

    Eduardo

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    1. Acontecia até antes
      Da antiga Grécia nascer!
      Medram, na Terra, habitantes,
      Louquinhos pelo poder...

      Quem disse que eu não sabia
      Ou mesmo que o duvidava?
      Quem pensou que eu me escondia
      Naquilo que aqui mostrava?

      Insidioso, matreiro,
      Há-de-se ir insinuando
      Sempre bem dissimulado

      O poderoso dinheiro...
      [só não te digo até quando
      porque é esse o teu cuidado...]

      Desculpe-me esta segunda pessoa do singular mas estou em grandes dificuldades em manter a ligação e nem sequer estou segura de conseguir deixar este sonetilho apressado...
      Abraço para si e esposa, amigo Eduardo.


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  10. “Ajustar”

    O Passos quer ajustar
    O programa financeiro
    Mas nem está a falar
    Em pedir mais dinheiro

    Só têm que flexibilizar
    A respectiva execução
    Que a malta pode pagar
    Logo explica a condição

    Massa chega pr’ó estado
    Não dá é pr’á economia
    É pena não vamos crescer

    Não será do nosso agrado
    Mas não se faz tudo num dia
    E o monstro não pode morrer.

    Prof Eta

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    1. Poeta, ainda consegui deixar aquele último sonetilho mas, a partir daí, a net ficou mesmo bloqueada para o meu computador. Nem a ligação se fazia porque me aparecia logo um aviso a comunicar que o computador estava sem acesso online. Vou tentar responder-lhe agora mas não deve ser nada de jeito porque não me sinto nada melhor... pelo contrário, as dores de cabeça triplicaram e estou a dormir em pé :)) Mas, vamos a isto! Em tempo de guerra não se limpam armas :))

      O Monstro tem de morrer
      E já está a agonizar
      Mas, como podemos ver,
      Tenta ainda conspurcar,

      Lança os seus últimos jactos
      De um veneno retardado
      Mas nós passamos aos actos
      E o Monstro está condenado!

      Na verdade, entusiasmada,
      Com mais olhos que barriga,
      Sei que estou a adiantar-me

      E a batalha a ser travada
      É bem mais que simples briga...
      [o melhor é desculpar-me...]


      Cá vai, Poeta, sem nenhuma inspiração mas sentindo cada palavra aqui escrita e reconhecendo que, muitas vezes, mesmo doente, quero dar passos mais longos do que as minhas pernas...
      Abraço e até já!

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  11. “G20 2011”

    Na era do crescimento
    Cresceu a incompetência
    Não há lugar ao lamento
    Mas há lugar à demência

    Só por demência colectiva
    Atingimos o actual patamar
    Esta é a nova perspectiva
    Bando de loucos a governar

    São escolhidos a dedo
    Para governar este mundo
    Pelos detentores da finança

    Traçam a estratégia do medo
    E um futuro nauseabundo
    Pago pela nossa poupança.

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    1. Tal e qual, Poeta amigo!
      E, por sermos preguiçosos,
      Corremos agora o perigo
      De estar na mão de gulosos!

      Eles não são assim tão loucos,
      Sabem bem como fazer
      Para, embora sendo poucos,
      Conquistar todo o Poder!

      E vão-nos manipulando,
      Estudando as nossas fraquezas,
      Querendo "comprar" os mais fortes

      Pr`a se juntarem ao "bando"...
      Ou tentam quebrar certezas
      À custa de muitas mortes...


      Até já, Poeta! :)

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  12. Respostas
    1. Aqui é que estamos mal, Poeta... no CJ não tenho som nem consigo abrir os vídeos e, em casa, o acesso está tão, tão difícil que também não consigo, sequer, o tempo de entrar e fazê-lo correr... mas gosto muito e agradeço-lhe! Até pode ser que hoje consiga uns minutinhos de acesso...
      Abraço grande!

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  13. Parabéns a você, nesta data querida, la la laaa :D
    Muitos parabéns Maria :)

    Tinha de vir aqui comentar também, claro :P
    Espero que tenhas tido um dia magnifico e que assim continue, pois o dia só acaba a meia noite :D
    Espero também que estejas melhor ^^
    Beijinho*

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    1. Olá, Paper! Não te encontrei no Face... mas está a ser simpático, sim senhora :))
      Não digas nada mas doem-me os dentes... brrr... detesto ter dores de dentes!
      Estou a aproveitar este bocadinho para ver se consigo responder ao nosso amigo Poeta Zarolho... mas vou ter de parar para tratar da minha bicheza :)
      Mas devo ser mesmo muito naba no Face porque nunca encontro nada do que os outros vêem por lá...
      Abraço grande!

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  14. “Reprogramados”

    O verdadeiro hino ao amor
    Vai encher o mundo inteiro
    Não importará quanta dor
    Importa o amor verdadeiro

    Uma força assim nascida
    Brotará de todas os corações
    Nova luz e esperança de vida
    Para muitos e muitos milhões

    Será esta a força imensa
    Que nos fará rever o caminho
    Até aqui de destruição

    Será como sorriso de criança
    Já podem dizê-lo baixinho
    Podem reprogramar o coração.

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    1. :)

      Corações não se programam
      Mas sei o que quer dizer
      Ao falar de quantos amam
      E desdenham o poder...

      Tudo bem! Lá chegaremos...
      Não sou assim tão casmurra!
      E, até lá, como vivemos?
      Ou sou mesmo cega e burra?

      Tem a noção do que é passar
      Uma vida inteira à espera
      De um dia com menos fome?

      De mim não estou a falar
      E sim de quem desespera
      De vir a ter, sequer, nome...


      Nós vamos viver agora essa transição, Poeta e ela, segundo creio, vai ser uma fase tremendamente agitada. Eu acredito no poder do amor, Poeta, mas conheço o mundo em que vivo e vejo, a toda a hora, as consequências da ganância...



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  15. Respostas
    1. Que exagero, Poeta Êxtase! A única coisa que eu e ele temos em comum é o decassílabo heróico e, o meu, é ligeiramente alterado em relação ao modelo original italiano...
      Abraço grande!

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  16. Cara amiga,
    Vim para desejar-lhe um feliz aniversário e a saúde de que precisa.
    Desejo também que o seu cavalo-solar a acompanhe.
    Abraço grande.

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    1. Muito obrigada, meu amigo Artesão!
      Estou convencida de que este velho cavalo-solar me vai acompanhar até ao fim dos meus dias! :)
      Um abraço!

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  17. Meu Caro Pedro

    Antes de ir para a cama ainda por aqui passei para desligar esta geringonça. Li com muito agrado o teu poema REPROGRAMADOS. Não sou um repentista como a POETISA. Às vezes consigo sê-lo, mas nem sempre. Mas só com estas palavras não quis deixar de te manifestar a minha opinião e as minhas felicitações.
    Peço-te que agradeças à referida POETISA as duas brilhantes poesias que quis enviar-me e que, como sempre, muito me sensibilizaram.
    Uma santa noite para todos. Amanhã cá vos esperamos. O Henrique vem mais cedo e isso muito nos alegra.
    Beijos do pai da Mãe e da Isabel.
    Eduardo

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    1. Perdi um enorme comentário que lhe deixei aqui, amigo Eduardo, no qual dizia que os poemas que lhe enviei nada tinham de brilhantes e só podiam ter alguma gracinha por serem tão repentistas...
      Também me recordo de ter tentado dizer que duvido muito que dois poetas tenham, jamais, sido tão teimosos e empenhados quanto eu e o seu Pedro. No que toca a persistência, devemos estar a fazer História na poesia portuguesa...
      Muito obrigada pelas suas palavras e um abraço para si e esposa!

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  18. “Não mudar”

    Ele há eternas esperanças
    Que de tão eternas que são
    Não se esperam mudanças
    Mudam e ficam como estão

    Mas onde é que já ouvi isto
    Acho que foi num tal elixir
    Mudava tudo que eu insisto
    E ficava na mesma a seguir

    Às vezes é preciso mudar
    É uma mudança encapotada
    Porque se nada se alterar

    Toda a gente fica desconfiada
    E para esta mudança se dar
    Basta nem sequer mudar nada.

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    1. Compreendo, mas não creio
      Que se mude não mudando
      E, de momento, receio
      Que o "não mudar" vá ficando...

      Ele há tanta coisa em jogo,
      Tanta ambição desmedida...
      E o meu cavalo-de-fogo
      Está já de garupa erguida

      Pronto pr`a ser ou morrer
      Mas nunca pr`a desistir!
      Onde e quando eu não estiver,

      Porque é já tarde demais,
      Há-de-me ele substituir
      Nos momentos cruciais!


      Um abraço grande, Poeta!

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  19. Maria João, atrasadita como de costume mas não queria deixar o dia (que já passou mesmo) sem lhe deixar um beijinho de parabéns. Que possamos continuar, por muitos anos, a ter o prazer dos seus poemas e das suas palavras.
    Parabéns e abraço GRD

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    1. Eva, muito obrigada pela sua visita e pelo seu voto de longa vida e muitos poemas!
      Não imagina o esforço que está a ser manter-me online! Há momentos em que eu e o meu acesso online, lutamos duramente... eu apostada em escrever meia dúzia de palavras e ele, acesso, apostado em não mo permitir! É nestes momentos que um dos meus maiores defeitos, a teimosia, se torna uma das minhas maiores qualidades e eu lá vou conseguindo responder a um ou outro comentário...
      Não a tenho visitado. Não consigo ter tempo para mais do que tentar responder aos comentários, tomar conhecimento do que se vai passando no mundo - este é o meio que mais utilizo para tentar manter-me informada - e manter a minha bicharada minimamente bem tratada...
      Mas o discurso já vai longo e eu nunca sei se ele vai desaparecer no próximo clique...
      Um enorme abraço e, mais uma vez, muito obrigada! :)

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    2. O seu blog está um bocadinho lento até para nós postarmos. Lá isso é verdade! Deve estar um bocadito pesado.
      Mas o importante é a capacidade de "sobrevivência" da Maria João. A sua escrita faz muita falta. À Maria João, a nós e à poesia lusa. Posso estar enganada mas os seus poemas ainda ainda hão-de ser devidamente conhecidos por um público bem mais vasto.
      Abraço GRD

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    3. :) Olá, Eva!
      Está tudo lentíssimo! O blog, o acesso - exige-me uma imensa "luta" por uns minutinhos online -, eu toda inteira - tenho muita dificuldade em conseguir tratar da minha "bicheza" muito amada - e a minha própria "bicheza" que está muito, muito, muito velhota. Há quatro anos conseguia tratar de 14 animais com muito maior rapidez do que agora trato de seis...
      Fico-lhe muito grata pelo elogio que faz aos meus poemas! Ainda bem que eles fazem alguma falta porque eu posso garantir que ponho neles toda a minha paixão!
      Um enorme abraço, Eva! :)

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  20. "Sentados"

    Dom Sebastião era chinês
    Regressado em boa hora
    Sempre mama quem chora
    É bem verdade como vês

    Ele regressou para mamar
    À nossa terra desgovernada
    Pois ninguém oferece nada
    E nós é que vamos chorar

    Quem espera sempre alcança
    Nós esperamos sentados
    E é com esta perseverança

    Pois já tentámos deitados
    E era muita a desconfiança
    Nessa posição acomodados.

    Prof Eta

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    1. Mas como será possível
      Que, ontem, não tenha encontrado
      Sebastião, invisível,
      Ou de amarelo pintado?

      Ao pedir ajoelhados
      É que pode ser pior
      Mas refilando, indignados,
      Ninguém nos leva a melhor

      Umas vezes vem a esperança,
      Noutras vem o desespero...
      Ninguém nos conhece o fruto

      E, por vezes, à lembrança,
      Vem-nos o requinte, o esmero,
      De um ditador absoluto...


      Este sonetilho tinha-me escapado, Poeta.
      Abraço grande e boa semana!


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  21. "Longo dia"

    Aqui jaz bela monarquia
    Que o nosso sangue sugava
    Primeira república lhe seguia
    Mas a coisa não melhorava

    Longa noite atravessámos
    Para mal dos nossos pecados
    Terceira república implantámos
    Para andarmos angustiados

    O povo é quem mais ordena
    Então tá-se mesmo a ver
    Mas a eles ninguém condena

    Vivemos numa plutocracia
    Que nos está a dissolver,
    Invente-se outra democracia.

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    1. Não vamos reinventar
      Aquilo que já existe...
      Vamos é "desinfectar"
      Quem a tornou muda e triste!

      Tirar deste comodismo
      Conformista, ajoelhado,
      Quem não vê nele o fascismo
      Subtilmente disfarçado!

      Que o povo anestesiado
      Por novelas cor-de-rosa
      Possa acordar de uma vez

      E erga de novo o legado
      De uma Nação generosa
      Como todo o português!

      Olá, Poeta! Estamos à beirinha de uma nova semana. Que ela seja muito feliz e produtiva! :)
      Abraço grande!

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  22. Caro Pedro

    Funciono à retardador e com falhas.Se pensares mandar à POETISA o meu«COMANDADOS À DISTÂNCIA» e ainda não mandaste, envia este que aí vai e que tem ligeiras emendas de forma
    Beijos nossos

    COM COMANDO À DISTÂNCIA

    Com nossos corações reprogramados
    Embora com comando à distância
    Há-de cessar por fim esta ganância
    Que, os humano seres, tem humilhados.

    Os esquecidos hão-de ser amados
    E acabará, em breve, a intolerância
    Que a todos tem mantido afastados
    No culto fero da preponderância.

    Decerto com a ajuda do Divino
    Teremos nossa a Terra Prometida
    Mudaremos enfim nosso destino

    E sendo uns dos outros o exemplo
    Queimaremos a erva ressequida
    Única herança, dos vendilhões do templo.

    Eduardo

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    1. A minha ideia de Deus
      Nunca passou por comandos
      Nem estranhas programações
      E, às vezes, como os ateus,
      Racionalizo - em tons brandos... -
      As mais primárias noções

      Acredito que os humanos
      Hão-de crescer lá por dentro
      E, aos poucos, serão melhores
      Até que não causem danos,
      Até que lhes baste o centro
      Da vasta esfera das dores

      Acredito que esta infância
      Desta inteira humanidade
      Esteja a chegar ao final
      E que se acabe a ganância,
      Nunca ocultando a verdade
      Do Homem-Anjo-Animal


      Peço-lhe desculpa, amigo Eduardo, mas esta resposta, ao contrário daquilo que me habituei a fazer ao longo destes meses de partilha diária, saiu-me em sextilhas. Penso que não desgostará porque fiquei com a ideia que também gosta desta forma poética.
      Muito obrigada e um enorme abraço para si e esposa!


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  23. Obrigada Maria :)
    Assim que conseguires ouve, penso que vais gostar ^^

    Já estás melhor? :)

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    1. :D Oiço logo, se conseguir acesso, Paper!
      Não imaginas as vezes que hoje já adormeci a teclar... acho que este antibiótico não me curou de coisa nenhuma... ainda sinto febre e a cabeça parece que vai estoirar :p
      Bjo!

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    2. Então o melhor não será deitares-te? Assim sempre dormes tudo de uma vez ^^
      Isso nunca mais passa :/ e este tempo também não ajuda em nada :S

      Eliminar
    3. Só agora, Paper... com a bicheza e sem ter podido tomar duche - faltou a água na zona - estou mesmo desconsolada e desinspirada... mas vou tentar responder ao Poeta Zarolho!
      Bjo!

      Eliminar
  24. “Fala do homem roubado”

    Venho da terra assombrada
    Onde o passado foi terrível
    Não pretendo roubar nada
    Dirijo-me ao futuro possível

    Só quero o que me é devido
    Se alguma coisinha sobejar
    Que nem sequer fui ouvido
    Mas vi-os todos a roubar

    Ficaram lindas promessas
    Ficou esta terra arruinada
    E o dinheiro desapareceu

    Deixam-nos tudo à avessas
    Não pretendo roubar nada
    Mas o roubado fui eu.

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    1. :) Olá, Poeta!

      Falar do Homem Roubado
      Parece mais pertinente
      Do que andar pr`aqui calado
      Mesmo estando descontente...

      Desses que morrem de fome,
      Que são números, apenas,
      Por nem sequer terem nome
      Onde há fortunas obscenas,

      Invísiveis mas sensíveis
      E construídas à custa
      De muita vida na lama

      E aos tormentos indizíveis
      Que vêm, de forma injusta,
      Dizimando a espécie humana!


      Até já! Estou um tanto ou quanto lacónica, hoje. Não repare. Abraço grande!

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  25. “Abstenção violenta”

    A economia a arrefecer
    Neste contexto global
    Nós por cá a empobrecer
    Triste sina a de Portugal

    Mas a abstenção violenta
    Descoberta pela oposição
    É uma forma bem atenta
    De inverter a situação

    A violência fará aquecer
    Por certo esta economia
    Portugal ver-se-á arrastado

    Irá a pobreza reverter
    Em riqueza no novo dia
    Deste país violentado.

    Prof Eta

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    1. Respondo amanhã, Poeta. Hoje estou demasiado exausta e não conseguiria escrever nada de jeito.
      Abraço GRANDE!

      Eliminar
    2. Bem... eu aqui rio-me antes de começar, sequer, a pensar em fazer rimas... uma "abstenção violenta" é qualquer coisa que me transcende... mas chego lá! Preciso de fazer uma abstracção generalizada e quase entrar em transe, mas acabo por (quase) entender... não sei é explicar! :)) Vamos lá ver se eu ainda consigo rimar alguma coisinha depois de ter tentado "digerir" esta expressão... ou, se não conseguir, abstenho-me... violentamente?!?

      Estando em tão funda miséria
      Ter assumido esta opção,
      É sempre uma coisa séria,
      Não tem nada de abstenção...

      Tive de arranjar coragem
      Pr` arriscar mais que o que julgam,
      Fazer passar a mensagem
      Que muitos nunca divulgam

      Por isso me custa tanto
      Aceitar esta "violência"
      Se a "abstenção" lhe é inerente...

      Se nem sequer despe o manto
      E se cobre de inocência...
      É de alguém que está doente!


      Aqui vão as rimas possíveis, Poeta. Abraço gde!

      Eliminar
  26. “Ilusão”

    Metade da verdade é mentira
    Metade da mentira é verdade
    Posto isto já sabes, desconfia
    Se existe só uma possibilidade

    Procura antes a meio caminho
    Mistura tudo em partes iguais
    Coloca depois num frasquinho
    Que não abrirás nunca mais

    Assim não mais irás ouvir
    Essas verdades enganadoras
    Nem essas mentiras sedutoras

    Ambas fabricadas pr’a te atrair
    A um mundo perfeito de ilusão
    Onde te oferecem a escravidão.

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    1. Tudo isso fiz, repensei,
      E, tomada a decisão,
      Não mais me arrependerei
      E nunca direi que não!

      Se tiver de combater
      Por tudo aquilo em que creio
      Fá-lo-ei, mesmo a saber
      Que hei-de morrer inda a meio...

      Mas se o combate se der,
      Garanto que quero estar
      Do lado de quem deu provas

      De c`o povo se bater
      E de nunca recuar
      Diante das piores novas!


      :) Olá, Poeta! Já passei pela Maria mas não consegui comentar... também não a poderia ajudar mais do que ela já o foi. Estou mais habituada a lidar com o problema de um só bico que já não funciona e leva duas ou três horas a aquecer uma chaleira de água :)) e com a falta da torneira e dos ingredientes. Mas ainda consegui deixar pronto um tachinho de arroz com fígado para o Kico! :)
      De manhã é que não deu para conseguir terminar-lhe o almoço a tempo e ele teve de mordiscar uns biscoitos. De qualquer forma, não é isso que o vai matar :)

      Eliminar
    2. «ABSTENÇÃO VIOLENTA» e a quente

      Se a economia arrefece
      É do frio do inverno.
      Descansa que ela aquece
      Com o calor do inferno

      Que o demo não se esquece
      Que quem não for fraterno
      Tem o prémio que merece,
      O suadoiro eterno…

      Andam p´raí uns senhores
      Com cara d´afogueados
      Só de pensar nos calores

      Qu´inda nem experimentaram.
      Já se sentem chamuscados
      Com a fogueira que atearam.

      Eduardo

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    3. Se me falam em fogueira
      Lembro que a minha escalfeta
      Me serve, à sua maneira...
      Não quero demo ou capeta!

      Mas há muitos que se aterram
      Com medo da chama eterna...
      Eles lá saberão quem negam
      E eu tenho uns tantos à perna...

      Tenho focinhos peludos
      E patinhas que me sobrem
      Pr`a dar por justificada

      Esta aspereza sem veludos
      Em que os dias se consomem...
      Tenho tanto sem ter nada!


      Boa noite, amigo Eduardo! Estou rodeada pela minha bicheza e não consegui evitar que ela me invadisse os sonetilhos... até porque eu imponho algumas regras a mim mesma e, uma delas é a de responder a estes sonetilhos quase sem pensar. Escrevo sempre a primeira coisa que me vem à ideia. Se o não consigo fazer, deixo para o dia seguinte, mas nunca os preparo porque me parece que assim têm um maior valor... não será valor poético... mas penso que valem por serem tão espontâneos.
      Acho que acabo de ficar sem net! Vou justificar o sonetilho, reiniciar e tentar transpô-lo para depois do reiniciar...
      Abraço para si e esposa!

      Maria João

      Eliminar
    4. Se me falam em fogueira
      Lembro que a minha escalfeta
      Me serve, à sua maneira...
      Não quero demo ou capeta!

      Mas há muitos que se aterram
      Com medo da chama eterna...
      Eles lá saberão quem negam
      E eu tenho uns tantos à perna...

      Tenho focinhos peludos
      E patinhas que me sobrem
      Pr`a dar por justificada

      Esta aspereza sem veludos
      Em que os dias se consomem...
      Tenho tanto sem ter nada!


      Boa noite, amigo Eduardo! Estou rodeada pela minha bicheza e não consegui evitar que ela me invadisse os sonetilhos... até porque eu imponho algumas regras a mim mesma e, uma delas é a de responder a estes sonetilhos quase sem pensar. Escrevo sempre a primeira coisa que me vem à ideia. Se o não consigo fazer, deixo para o dia seguinte, mas nunca os preparo porque me parece que assim têm um maior valor... não será valor poético... mas penso que valem por serem tão espontâneos.
      Acho que acabo de ficar sem net! Vou justificar o sonetilho, reiniciar e tentar transpô-lo para depois do reiniciar...
      Abraço para si e esposa!

      Maria João

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  27. “Buraco negro”

    Sexo dos anjos em discussão
    Côr do buraco negro também
    Será preciso mais uma sessão
    Conclusão está muito além

    É que um corpo se atirado
    Por um buraco fundo assim
    Pode não sair do outro lado
    Pode o buraco não ter fim

    É grande seu poder de sucção
    Faz frio imenso no interior
    E é absoluta a escuridão

    Mais escura que esta situação
    É humanidade em seu esplendor
    Suga e arrefece sem compaixão.

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    1. Se ainda nem descobrimos
      Os buracos das finanças...
      Mas sei do Buraco Negro
      Desde que andava de tranças!

      Sei que o pouco que então li
      Falava de anti-matéria
      Mas pouco ou nada aprendi
      De forma atinada e séria...

      Venham novas teorias!
      Gostava de saber mais
      Mas fiquei pelo caminho

      Entre vãs filosofias,
      Sem mais pontos cardeais,
      Na pressa de fazer ninho...


      Abraço grande, Poeta! :) Hoje deixei um sonetilho na Maria!

      Eliminar
    2. Sim já li, mudando de assunto, não pode mandar-me uma foto da malfadada torneira e outra do fogão. Ando cá às voltas, não prometo mas quero ajudar.

      Eliminar
    3. :)) Poeta, deixe estar que eu cá me arranjo! Achei graça ao "malfadada"!!! E é que é mesmo porque fiquei com a torneira na mão e a rosca ficou agarrada à parte que está presa à parede! Já andei por lá com o alicate mas aquilo está preso e bem preso!!! Eu também sei que não tenho força nenhuma nas mãos... mas acho que está oxidado e ninguém o tira de lá!
      O fogão já só tinha dois bicos a funcionar mal e agora tem um que deita uma chama tão pequenina que mal se vê. Mas não é entupido... é mesmo de "velhice"! Os queimadores ou espalhadores ou lá como aquilo se chama, desfizeram-se todos!
      Mas vai aguentado para uma jantarada do Kico.
      Abraço grande!

      Eliminar
    4. Eu não desisto, vou continuar a pensar no assunto.

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    5. Vou ver se ainda lhe consigo escrever hoje, Poeta. Cheguei a tirar uma foto da malfadada torneira :) Só não sei é se consigo porque estou tão lenta que até a mim me faz confusão...
      Até já!

      Eliminar
  28. Caro Pedro

    Acabaste de por aqui passar. Obrigado. Eu acabei de ler o sonetilho da Poetisa da Linha que de linha sempre se mostra e fazendo como ela gosta, improviso uma resposta, em sextilha desta vez, imitando o que ela fez, daquela vez derradeira que creio não ser a primeira.E envia-lhe, também, da minha parte e da mãe, um abraço de amizade, um abraço de verdade e esta proza rimada, um pouco desengonçada.

    Amiga, uma escalfeta!
    nada que eu não conheça,
    para aquecer os pezinhos.
    Mas creia, que não é treta,
    há para aí uns rapazinhos
    que ardem dos pés à cabeça.

    Não será eterna a chama,
    que eles bem a merecem...
    e se a tal não os condeno
    como a razão reclama
    é que eles já nem aquecem
    porque eles são o ígneo demo.

    Podia ser melhor a poesia e pior a condenação, por isso, peço perdão, à insigne Poetisa, a «Maria sem camisa».

    EDUARDO.

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    Respostas
    1. :))) Meu amigo Eduardo,

      Muito obrigada por me reconhecer na Maria Sem Camisa! Se houvesse alguém que me quisesse por bem disposta, bastaria fazê-lo, acredite! Acabei por não adoptar o pseudónimo-heterónimo porque nem sequer me senti digna dele... é tão bonita, essa Maria Sem Camisa em que eu julguei reconhecer-me, que poucos o poderiam entender. Mas houve um momento de lucidez em que me não achei digna de ser identificada com ela. Logo num dos primeiros sonetos dessa série, eu lembro-me de fazer algumas comparações entre nós as duas e, sinceramente, ela é muito melhor do que eu vou conseguindo ser. Eu, às vezes, até "rosno" quando as coisas não me correm bem... poucas vezes, eu sei, mas já me aconteceu... o que eu penso que não poderia continuar era a deixá-la sozinha a navegar pela net. Ia matá-la em três tempos... e matei mesmo. A Maria afundou e eu não tive outro remédio senão, muito ocasionalmente, trazê-la à superfície. Repito que só o faço ocasionalmente porque ela, mesmo afundada, dá conta do recado com muito maior rapidez do que eu...
      Agora ainda mais a sério, eu não valho um dedo do pé da Maria! Os melhores sonetos deste blog, foi ela quem os escreveu e o meu único mérito foi trazê-la à superfície... e não há nada de sobrenatural nesta aparente fragmentação de um ego; eu sou ela mais os erros todos que fui cometendo ao longo deste percurso... e não foram poucos! Pareço-me com ela na medida em que, se os reconheço - aos erros - não os consigo identificar um a um. Sei apenas que cometi erros e que a Maria Sem Camisa nunca os cometeu.
      Peço-lhe desculpa pelo longo discurso - vê? A Maria nunca tentaria explicar o inexplicável! - e respondo-lhe amanhã, em sonetilho ou sextilhas. Estou com tanto sono que corro o risco de não fazer o menor sentido naquilo que estou a tentar dizer-lhe.
      Um enorme abraço para si e esposa!

      Maria João

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    2. Não sei como lhe explicar
      - não pense que é má vontade! -
      O vazio que vai crescendo
      Dentro de mim, sem calar
      Uma parte da verdade
      Ou do que dela eu entendo...

      Diria que estou cinzenta,
      Que mal consigo escrever,
      Que dormi mas tenho sono,
      Que alguma coisa atormenta
      Minha alegria de "ser",
      Mesmo "sendo" ao abandono...

      Toda a palavra se afasta
      Das minhas mãos de poeta
      Mal eu procuro por ela...
      Sobrevivo... e não me basta
      Esta tão banal faceta
      De estar em mim e não nela...

      Talvez Maria soubesse
      Reagir, ser mais ousada,
      Escrever por mãos que não suas...
      Se, estando triste, eu pudesse
      Rever-me numa outra estrada
      Já depois de tantas luas...

      Hoje estou de mal comigo!
      Só não sei explicar porquê
      Nem descobrir que razões
      Me levaram, meu amigo,
      Pr`a longe de quem me lê...
      Não tiro mais ilações!


      Aqui está, amigo Eduardo, conforme prometido. Está mauzito e está sem força nenhuma, a condizer com o meu estado de espírito de hoje. Mas, para além das dificuldades do dia a dia, não lhe sei dizer porque razão me sinto, hoje, tão incapaz de escrever qualquer coisa mais animada e com um pouco de qualidade. Nem sequer é comum, em mim, tanta tristeza...
      Irei tentar responder ao seu Pedro mas não me parece que o possa fazer com alguma "genica", como tem sido habitual.
      Abraço para si e esposa!

      Eliminar
  29. “Volta ao universo”

    Roma já está a arder
    Em Bona tocam violino
    Atenas sem perceber
    Bruxelas traça o destino

    Lisboa está na maior
    Dublin em ascensão
    Madrid não está pior
    Londres em ebulição

    Bomba atómica no Irão
    Mas Israel vai resolver
    A Índia em crescimento

    E na China quantos são?
    O Brasil está a crescer
    Há um deus muito atento.

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    1. Ah, Poeta, quem me dera
      Que as palavras me nascessem
      Sem ter que ficar à espera
      De que as letras mas fizessem!

      Quem dera entendê-lo bem
      Como acontecia dantes...
      Hoje o poema não vem
      Na premência dos instantes...

      Ficam-me presas, nos dedos,
      Letras que eu quero deixar
      Pr´a esculpir este poema

      Mesmo não tendo segredos
      Penso que estou a negar
      A essência do problema...

      Olá e desculpe-me este poema cinzento, Poeta. Estou num dos meus dias "completamente Não". Por muito que "esperneie" não consigo ter alegria... nem sequer muita convicção, nas minhas rimas...
      Abraço grande!

      Eliminar
  30. “Puzzle europeu”

    A nova Europa no papel
    Não é a que eu conheci
    Planeada pl’a Sra.Merkel
    Com o ámen do Sr.Sarkozy

    Os gregos foram apeados
    Italianos estão bem lixados
    Os tugas andam marados
    E os espanhóis bem calados

    Europa está sem futuro
    Sem o propósito solidário
    Sem crescimento da economia

    Teremos um fim prematuro
    E o velho modelo autoritário
    Em breve retomará a primazia.

    Prof Eta

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    1. Fraca por dentro e por fora,
      Não escrevo nada de jeito...
      O melhor é ir-me embora
      Pr`a casa, ver se deito...

      Contudo, não quero ir
      Sem dizer o que pensei;
      Portugal não vai fugir
      Do mundo em que o encontrei...

      Do "modelo autoritário"
      Surgirão os dissidentes
      E não mais teremos paz...

      Vira-se o mundo ao contrário
      Mas não se quebram correntes
      De quem pode, quer e... faz!


      Deveria ter-me ficado pela primeira quadra, Poeta... ainda só consegui ver uma imagem que uma amiga colocou no Face... nem lá consegui ir, ainda... nem vou conseguir porque isto está quase a fechar...
      Abraço gde!

      Eliminar
  31. “Há”

    Há nos confins da Ibéria
    Um povo desgovernado
    A situação é muito séria
    E por tudo culpa o estado

    E o estado culpa o povo
    Pela fraca produtividade
    Às vezes até me comovo
    Com a falta de sanidade

    Pl’o meio há espertalhões
    Não são carne nem peixe
    Vão vivendo em beleza

    Promovem umas agitações
    E enquanto a gente deixe
    Vão sugando toda a riqueza.

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    1. Há que culpar o sistema
      E o próprio capitalismo
      Antes que cresça o problema
      E acordemos no fascismo...

      Sei que não é um poema
      Que fará tal exorcismo
      Mas, voltando ao velho tema,
      Estamos perto de um abismo...

      Penso que este povo, unido,
      Jamais será derrotado
      Pelas mãos do capital

      Mas o caminho é dorido
      E o povo já está cansado
      De ser cego... ou de ver mal...

      Poeta, não lhe enviei o mail porque a fotografia não veio parar ao meu álbum de imagens... mas não é a primeira vez que eu envio uma mms para o computador e já o fiz com êxito... acho que estou em maré de azar :) Também queria mesmo escrever mais um soneto - quanto mais não seja para aliviar estes comentários que se acumulam aqui... - e não consigo. Se não estivesse tão cansada, estaria furiosa comigo mesma :))
      Mas não vale a pena insistir... é como se tivesse a cabeça sobrecarregada de informação e algumas preocupações ... algumas é favor! Estou com uma indigestão de preocupações! Não são medos, são mesmo coisas muito reais que eu vou tentando... ou querendo tentar perceber e, às vezes, falham-me algumas peçazinhas. Como diria o Poeta, são coisas que "andam às voltas na carola" :)
      Não o maço mais. Estou com sono e só falo de mim...
      Abraço grande!

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  32. “Outr’alma”

    A alma não está à venda
    Qu’a alma já foi vendida
    Para a prestação da renda
    Desta vida muito sofrida

    Por aí vamos, despidos
    À procura de alternativa
    Mas de alma desprovidos
    A vida tornou-se aflitiva

    Arrependa-se pr’a sempre
    Quem a alma nos comprou
    Pensando que assim podia

    Ficar como dono da gente
    Mas cedo demais s’enganou
    Logo outr’alma em nós nascia.

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    1. Ah! Dessa alma que renasce
      Conheço a força imparável
      E o poema cresce e faz-se
      Desse sopro inexplicável!

      Nasce o poema revolto
      Que ninguém pode parar
      Por ser tão livre e tão solto
      Quanto o é o próprio ar!

      Faz-se também a revolta
      E a consciencialização
      De um povo a dizer que não

      E, quando a alma se solta,
      A própria a revolução
      Faz ouvir sua canção!

      Olá, Poeta! Gostaria de estar na manifestação da função pública, hoje. Gostaria mesmo, mas continuo a não me sentir bem e nem sequer tenho euros para os transportes. Mas estarei com ela de alma e coração.
      Consegui, finalmente, "desencalhar" um soneto em decassílabo heróico e minimizar, nos próximos tempos, este cansaço de andar a procurar a agulha no palheiro :)) que é o mesmo que dizer, andar à procura do último sonetilho no meio de tantos comentários...
      Abraço grande!

      Eliminar
  33. SONETILHO

    O Puzzle é universal

    (Em contraponto ao Puzzle Europeu, do Pedro)

    O modelo autoritário
    Jamais perdeu o primado
    Continua mandatário
    No capital, incarnado

    Não só no jardim plantado
    À beira do oceanário
    Na Europa, em todo o lado,
    Sempre o mesmo cenário

    E se ele desaparecer
    Renasce num de repente…
    Quase todos almejam ter

    Posição preponderante
    Ser os maiores entre a Gente
    E aviltar o semelhante.

    Eduardo


    Caro Pedro
    Aí te envio o meu puzzle. Gostei do Teu.
    Diz à Poetisa que eu leio sempre com o maior agrado tudo quanto ela escreve e que discordo daquela competição que ela está a fazer com a «Maria Sem Camisa», porque ambas são sublimes.
    Quando não tiver disposição para retribuir o que eu alinhavo não tem necessidade de estar a desperdiçar os fios dourados com que elabora os seus maravilhosos bordados e, se sobre eles cair alguma lágrima, isso acontece a todos, mesmo aos maiores. Acontecia com frequência ao grande António Nobre quando estava «SÓ»

    Um bom domingo para ti Joãozinha e meninos. Até amanhã.
    Beijos da Mãe e meus.
    Eduardo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa tarde, meu amigo Eduardo!

      Obrigada pelas suas palavras de ânimo mas eu nem sequer me atrevo a competir com a Maria sem Camisa. Limito-me a tentar não deixá-la morrer completamente. E estou a usar conscientemente este aparente paradoxo do "morrer completamente" porque a vida dos heterónimos obedece a leis que a vida biológica não reconhece. A Maria anda por cá mas está meia adormecida. Também a tento proteger de muitas preocupações que eu tenho de enfrentar, queira ou não, para lhe preservar a pureza selvagem de todas as deusas-mãe.
      Continuo muito cansada e acho que vai ser a última vez que o digo, nos próximos tempos, pois estou cansada até de o dizer. É por isso que lhe envio o meu soneto de hoje

      CANSEI-ME...


      Cansei-me de pedir-te ao tempo irado…
      Cansei-me de chamar-te e, se chamei,
      Foi soprando as palavras que nem sei
      Se o tempo alguma vez terá usado…

      Chegaste, enfim, mas longe do cuidado
      De cuidares deste quanto me cansei,
      Quiseste impor-me o esforço de outra lei
      No corpo de um poema emancipado

      Não terei, hoje, a força de mudar-te
      E escrever-te é melhor que desprezar-te
      Ao fim de tanto inútil chamamento

      Mas há-de vir o dia em que chamar-te
      Não mais será preciso e completar-te
      Terá a rapidez do próprio vento…

      Maria João Brito de Sousa – 12.11.2011 – 13.41h


      Este foi o soneto possível num dia cinzento e com alguma mágoa por não estar fisicamente presente na manifestação da função pública. Estava a começar a acreditar que tinha perdido a capacidade de sonetar em decassílabo, esforcei-me e lá consegui este soneto cansado.
      Um enorme abraço para si e esposa!

      Maria João

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