(DES)ARMADOS
(DES)ARMADOS
Armados da certeza que não morre,
Seremos sempre os filhos da verdade
E, sobre esta injustiça que nos cobre,
Semearemos cravos de vontade!
Armados, desarmados… como seja
Próprio ao desenrolar deste momento,
Anularemos jugo, insulto, inveja,
Daqueles que nos roubaram o sustento!
Cairão sob as armas que não temos
Aqueles que acreditarem que os tememos
E uns tantos que se vendem ao poder
Porque amanhã decerto venceremos
E (des)armados vamos porque cremos
Que quem de amor se armou, tem de vencer!
Maria João Brito de Sousa – 14.02.2012 – 13.38h
Imagem retirada do mural de G Moura Moura, no Facebook
“Nascer ao sol”
ResponderEliminarNascer em Portugal
Antes valia não fosse
Uns com febre andam mal
E outros cheios de tosse
Com catarro e rouquidão
Muitos também há por aí
Outros mal do coração
E com caspa também vi
Há as taxas moderadoras
Do sistema hospitalar
Para moderar as entradas
Não vi taxas franqueadoras
Para o acesso franquear
Mas vi sol nas esplanadas.
Prof Eta
Ah, que pena! Deveria ter deixado aqui aquelas sextilhas zangadas... aqui seria o sítio mais correcto...
EliminarVou buscá-las e faço, depois, uma resposta para o outro sonetillho :)
Venho aqui pr`a vos contar
EliminarQue o despacho de saúde
Que me cobria as receitas,
Já deixou de vigorar!
Compro antes um ataúde
Pr`a ficar de contas feitas!
Hoje, em dois medicamentos,
Vou gastar mais que o que tenho
Porque já não tenho nada!
Não se queixem dos lamentos
Porque eu vou franzir o cenho!
Não fico neutra e calada!
Não compro e também não calo
Quanta injustiça flagrante
Venha em novas directrizes!
Quantas mais surgem, mais falo,
Porque o que é mais importante
É, ver do mal, as raízes!
Abraço, Poeta! Esta denúncia é verdadeira - pelo menos passou a sê-lo hoje, na consulta - e eu não tenciono MESMO calar-me sobre o assunto. Desculpe ter-me saído em sextilhas-meias-mancas...
Até já!
“Doce sabor amargo”
ResponderEliminarExiste uma forma de amor
Ou pelo menos um milhão
Quantas haverá de desamor
As de todos os sem coração
Que povoam a terra inteira
E se deleitam a criar o terror
Com que dormem à cabeceira
Saboreiam o nosso amargor
Como uma doce sobremesa
Somos a gelatina a tremer
O doce de amêndoas e mel
Há que colocar sobre a mesa
Um prato de carne a feder
E um doce com sabor a fel.
Gelatina, em tremedeiras,
EliminarSó se estiver com febre alta...
Mas ele há tantas maneiras
De a comida fazer falta...
Aos que semeiam terror,
Desejo boa viagem...
Que me façam o favor
De ir falar pr`a outra margem,
Que eu, hoje, estou tão zangada
Que não quero, nem aceito,
Ser convocada outra vez
Pr`á farsa mal "amanhada"
Da legislação que enjeito
E pr`á falta de "porquês"!
Olhe, foi o que saiu, Poeta... acho que estou mesmo, mesmo muito zangada com estas mudanças que vão acabar por - lentamente - matar tanta gente. Não sou tão parva quanto isso e não sou - de todo - ignorante na matéria e não estou a exagerar quando digo que estas medidas vão MESMO matar gente. Nos doentes crónicos, então, sobretudo nos reformados e nos que estejam desempregados e, como eu, a receber o RSI, vai ser uma bela razia! Eu não tenho em grande conta a inteligência e a sensibilidade dos senhores que estão, de momento, a fazer de conta que representam o povo português... ou as gentes portuguesas, se assim preferirem, mas não podem ser TÃO ESTÚPIDOS que nem sequer vejam que estão a matar os seus semelhantes!
Há uma certeza que não morre, enquanto eu tiver para um depósito de gasóleo a Mª João há-de ter para os seus medicamentos, nem que eu vá de bicicleta para o trabalho.
ResponderEliminarSó agora vi, Poeta! Não pense nisso! O que me vai valendo é que ainda tenho umas caixinhas em casa... não dá para muito tempo, mas dá para eu fazer muito barulho! :)
EliminarE já estou a sorrir... um abraço e muito obrigada!
Parece que está mesmo zangada, e tem razão para isso porque tem toda a razão quando diz que estão a matar as pessoas com menos poder económico, quantas vezes as pessoas estão doentes e deixam-se estar a ver se passa porque não podem paga as taxas moderadoras e os medicamentos,Mas estas coisas os nossos DES/governantes não vêm e isso é muito grave.
ResponderEliminarTemos de continuar a reclamar embora isso não nos sirva de muito mas pelo menos desabafamos.Um enorme abraço
Um enorme abraço e muito obrigada pela sua visita, amiga Idalina!
EliminarNeste momento, o que me parece gravíssimo é que as pessoas com doenças crónicas estavam abrangidas por um regime de gratuitidade na medicação comparticipada e agora não estão... a não ser que tenha sido mais um erro no sistema do centro de saúde... mas acho que não! A minha médica foi-se informar com uma colega e só depois me veio dar a "boa notícia"...
Beijinho e, quando quiser, tomamos um café! :)
“Cidadão não”
ResponderEliminarEstá caduco estado social
Caducou no mês passado
Passaram licença especial
Até à renovação do estado
Mas parece impossível
Um estado de renovação
Vejo um estado sofrível
Não sinto qualquer aptidão
Para uma política social
Já não conta o cidadão
Só já conta o contribuinte
Este cidadão está a passar mal
Proponho a sua revogação
Que venha o cidadão seguinte.
Prof Eta
:) Olá, Poeta! Tenho estado muito "não presta" durante todo o dia... até o acordar foi ridículo porque acordei quase à 1 da tarde e andei imenso tempo a pensar que eram 8 da manhã...
EliminarNão sei se vou, ou não, conseguir responder em sonetilho mas, para já, deixo-lhe aqui este link para divulgação http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.manifestosns.tk%2F%3Fcat%3D6&h=qAQFydRH-
Estou nesta plataforma desde o seu início e acredito que se está a desenvolver um bom trabalho, mas seria conveniente divulgar mais e por o link à disposição de pessoas que estejam dispostas a dar o seu testemunho. Até agora só lá estão dois testemunhos meus e parece que há mais um ou dois... acho pouco. Precisamos de gente que denuncie.
Até já e um grande abraço!
Quem está caduca, sou eu,
EliminarQue já nem rimo, nem nada...
Não sei bem o que me deu
Que pareço apalermada...
Deve ter sido do choque
De saber as "novidades"
E o resto veio reboque,
Até fiquei com saudades
Da anterior legislação
Que se aplicava aos doentes
Das doenças incuráveis...
Pagando a medicação
Ficam pior que indigentes
Com vidas insustentáveis!
Ai, parece que isto não me sai da cabeça... nem a rimar! Acho que deixo o outro para amanhã... ainda o vou ler, mas acabo sempre a falar do mesmo...
Beijinho!
“Nova Pietà”
ResponderEliminarNa aflição foi descoberta
Está o filho morto ou ferido
A nova Pietà não é de pedra
Chaga infligida a ente querido
É a mesma de sempre afinal
Seja em pedra ou carne e osso
A chaga dos tempos é social
Cavada pelo imenso fosso
Agravada pela incompreensão
Surdez profunda da humanidade
Não ouve a constante revolução
Em marcha nesta sociedade
Onde um dia talvez pelo perdão
Surja límpida outra realidade.
Que imensa chaga social!
EliminarA nós, que nela vivemos,
Cabe enfrentar esse mal
Com toda a força que temos!
Nós seremos responsáveis
Pela vida do futuro
E seremos incansáveis
A derrubar esse muro
Que tem sido esta indiferença,
Este não darmos por nada,
Este deixar-nos levar...
Que a nossa humana presença
Possa ser iluminada
Pela certeza de lutar!
Este saiu-me directamente no teu blog, Maria Luísa... o Poeta que me desculpe...
também não interessa porque eu levo-o sempre aos dois... mas achei curioso porque já estou tão cansada que pensava nem responder hoje.
Abraço grande!
Querida Professora Olga
ResponderEliminarAPETECE-ME CHORAR
Cinco meses,dia adia
vieste, querida Professora,
de longe p´ra me ensinar.
No rosto sempre alegria
e amor para me dar.
E agora, vais-te embora...
Apetece-me chorar!
Na tua casa distante
deixavas o teu filhinho,
quantas vezes a clamar
em vozinha soluçante
e tu vinhas me entregar
o que era dele... o carinho.
Apetece-me chorar!
Nunca mais te esquecerei
Professora dedicada.
Sempre me hei-de lembrar
que muito do que eu sei
trouxeste no meigo olhar
em viagem arriscada...
Apetece-me chorar!
Guardo-te de recordação
dentro meu coração
Eduardo ( por Vicente )
Ando muito desfasada dos meus amigos poetas-comentadores... só agora vejo esta pequena pérola... mas... fico palerma de todo! Não pode ter sido o pequeno Vicente - o seu neto - a fazer este poema tão complexo! A não ser que estejamos perante o Einstein da poesia!
EliminarTê-lo-á escrito - ou adaptado - por ele, certamente...
Coitadinho, certamente sentiu a falta de uma professora... :)
O meu abraço para vós e um especial para ele!
Foi o avô que escreveu para o Vicente levar à professora que se vai embora.
Eliminar:) Eu, numa segunda reflexão, vi que só poderia ser assim... mas esta coisa de associar muito rapidamente o poema ao autor cujo nome surge por baixo, assustou-me durante uma fracção de segundo! :)) Pensei, por um instante, que o Vicente fosse o maior génio da poesia mundial de todos os tempos :))
EliminarUm enorme abraço para todos vós :)
“Bulimia”
ResponderEliminarA Grécia não é a Grécia
Portugal não é Portugal
Depois de tanta peripécia
Todos somos um carnaval
Os políticos são os reis
Gozam o imenso festival
E vós povo o que sereis
Neste grande desfile fatal
Somos pais da democracia
E reis da ingovernabilidade
Contribuímos para o repasto
Desta gula que é bulimia
Onde comem até à saciedade
Para vomitar de imediato.
Prof Eta
É mesmo isso que pretendem
EliminarMas não hão-de consegui-lo
Porque os povos não se rendem
E até eu estou a senti-lo!
Tenho, porém, a certeza
Que nem todos são iguais;
Uns dos sentados na mesa
São "lacaios funcionais"
Do capitalismo abjecto
Que serve o seu deus-dinheiro,
Outros, são povo também!
Uns "alinham" no projecto
De ficarem "no poleiro",
Outros lutam muito além!
Até já, Poeta! :)
“Prosa nossa”
ResponderEliminarPoesia grande mentirosa
Vê soluções onde não há
No drama solução jocosa
Da comédia a chorar sairá
E a nossa vida desditosa
Em breve se transformará
Numa comédia bem gostosa
Em que o mal desaparecerá
E se poeticamente falando
Não mais a vida vergonhosa
Que sabemos sempre haverá
Mas em poesia disfarçando
O pior é quando fôr em prosa
Tod’a normalidade retornará.
Há poesia que não mente
EliminarPorque só sabe dizer
Que é feliz, que está contente,
Ou triste, por não o ser...
E, às vezes, até na prosa
A verdade vem impor
A crueza de uma rosa
Que murchou de desamor...
Nada tem a ver com formas
E sim, com quem vai escrevendo...
Que interessa se prosa ou verso
Se está liberta das normas,
Se o que sente vai dizendo
Por mais que lhe seja adverso?
Olá, Poeta! A minha net ficou meia maluquinha, de novo... mas acho que já estabilizou um pouco.
Até já!
E faço das tuas as minhas palavras Maria!
ResponderEliminarEles que venham, a nossa esperança será a última coisa a morrer :)
Um soneto brilhante ;)
Olá, Paper! A vida está a tornar-se insustentável para um número crescente de portugueses... vive-se um momento de enorme tensão social, amiga.
EliminarUm abraço grande e obrigada!
“Cigarras de Portugal”
ResponderEliminarDe errado em Portugal
Só vejo os portugueses
Que sabem gerir-se mal
E a culpa é dos chineses
Chegaram os milhões
D’Europa muito amiga
Não entro em discussões
Mas foi encher a barriga
Recebemos agora a factura
Não se investiu na produção
Fomos cigarra, bela cantiga
Folia é boa enquanto dura
E agora que mudam a canção
Vejo cigarras e nenhuma formiga.
Prof Eta
Cigarra também trabalha
EliminarQue o seu canto tem função
E uma função nunca falha
Por mais que pensem que não!
Cigarra trabalha duro,
Tanto ou mais do que a formiga
E é no seu canto seguro
Que a Primavera se abriga!
Todos dão o seu melhor,
Vão cumprindo o seu papel...
Até serem espoliados...
Se acontecer o pior
Todos sentirão na pele
As razões dos revoltados!
Abraço grande, Poeta! Para todos vós! :)
“Einstein da poesia”
ResponderEliminarPor certo Einstein da poesia
Faria um poema atabalhoado
Camões da ciência produziria
Sem velocidade ao quadrado
Da relatividade toda a teoria
Já vejo o Pessoa da culinária
Sem chocolate a mousse faria
Logo depois estrofe visionária
Brotaria da mente avassaladora
Do mestre de culinária seu mentor
“Esta mousse é uma fingidora
Finge o doce tão completamente
Chega a fingir que é doce o sabor
Amargo que deveras se sente”.
:))) Poeta, eu sei que o erro foi todo meu... esta coisa do Facebook "programa-nos" para uma velocidade tal que eu acho que o meu neurónio manco não aguenta... :))
EliminarAhhh, mas este seu poema está uma delícia... e eu sem inspiração nenhuma...
Quem me manda a mim pensar
Com as pontas destes dedos
E tão depressa falar
Sem raciocínio, nem medos?
Eu "Florbela da corrida
Das palavras apressadas"
Já estou muito arrependida
De só dizer trapalhadas...
Mas agora... há que assumir
Que o que está dito, está dito,
Já não o posso negar
E "dizer o que sentir"
Não deixa ninguém aflito...
Senão eu, quando "pensar"... :))
Até já!
Inspiração não falta, utupia também não.
ResponderEliminarSimplesmente ninguém sabe para onde caminhamos.
Abraço grande
Tem razão, amigo Artesão, ninguém sabe ao certo. Mas a maioria de nós sente a insustentabilidade desta situação e sente que precisa de fazer alguma coisa.
EliminarVou já fazer-lhe uma visita!
Um abraço!
Mesmo que não consigmos, só temos uma saida, lutar.
EliminarAgraço
Amigo, é o que eu sinto. Não me considero nenhum exemplo, mas tenho este defeito de dizer o que sinto... se não pudermos mexer-nos muito, vamos escrevendo. Eu, pelo menos, é o que vou tentando fazer.
EliminarAbraço!
A vida não para. Não corre como nós queremos mas não podemos deixar de lutar.
EliminarAbraço
Não podemos, não, meu amigo Artesão. Acabo de ler o seu post "De onde venho#" e estou perfeitamente segura disso.
EliminarO maior dos meus abraços!
Lindo tudo quanto escreves!
ResponderEliminarDizer mais - impossível.
Tenho outra versão da Nau
no blogs :
http:// Prosa-poetica.blogs.sapo.pt
Abraço,
Maria Luísa
Olá, Maria Luísa :) Acordei particularmente dorida, hoje... vou já até lá, ver o teu novo post!
Eliminar“Caravelas de esperança”
ResponderEliminarD. Fernando II e Glória
De um povo marinheiro
Escreveu linhas d’história
Por esse mundo inteiro
E mais linhas escreverá
Não nesta mas noutras eras
Que esta é demasiado má
Tempo de fúrias e feras
Tempo este sem lucidez
Ao novo tempo faz apelo
Nas caravelas de esperança
De novo este povo português
Se lançará ao mar tão belo
Contra tempestade ou bonança.
Prof Eta
Que bela nau cruza o mar,
EliminarQue bela nau volta ao cais!
O pintor que a quis pintar
Deu-lhe cor e deu-lhe mais
Porque a leva a persistir
Além do tempo real
E porque nos faz sentir
Que esta nau é Portugal!
A chegada é sempre bela
Mas talvez a nau, partindo,
Desminta o que eu pressenti...
Talvez parta, a caravela,
E alguém se vá despedindo
Do país que deixa aqui...
Até já, Poeta! Abraço grande! :)
PS - Peço imensa desculpa mas a net foi-se abaixo outra vez e levei muito tempo a conseguir reabri-la...
“Poetica(mente)”
ResponderEliminar“Poesia grande mentirosa”
Foi exaltação de momento
Poesia aguentou garbosa
Sem sequer soltar lamento
O poeta acabou por perceber
A injustiça em vão cometida
Vil poeta que o não chega a ser
Lamentará até ao fim da vida
Mas com toda a humildade
Apresenta o formal pedido
De desculpas também à prosa
Fora momento de insanidade
E descobre que havia mentido
Não era a poesia a mentirosa.
:)) Ah, Poeta... ando mesmo piegas... agora fiquei com pena de si... mesmo! Como se tudo isto fosse muito, muito a sério...
EliminarVamos a ver se consigo responder sem isto se apagar tudo. A net está num daqueles dias instáveis...
Poesia aceita e chora
Com pena do "pecador" :))
E, sorrindo, pede, implora,
Que se acalme, por favor
Pois Poesia é sincera,
Diz o que lhe vai no peito
E, se responde, não espera
Causar tão profundo efeito...
Gosta de si, esta tonta
Que se chama Poesia,
Que dizendo o que não deve,
Logo fica alegre e pronta
Pr`a consolar quem podia
Atrever-se ao que ela atreve! :))
Beijinho grande! Até já!
Adivinho de onde veio o título para o teu Einstein e peço-te que
ResponderEliminarpeças, por mim, desculpas à Poetisa da Linha, por ainda não lhe ter
agradecido aquele sublime soneto que me enviou e pelos elogios com que
quis distinguir a minha co-produção e do Vicente. Tenho andado um
pouco alheado destas lides mas nunca esqueço o seu estro invulgar e,
de vez em quando lá vou espreitar o que escreve para delícia de todos
nós.
Eu vou enviar-te a tal reabilitação da cigarra e desejar para todos
uma boa noite. Até amanhã.
A cigarra e a formiga
A formiga, na carreira
Andava desaustinada
Sempre muito alinhada
Sempre na mesma canseira
E a cigarra que cantava
De manhã ao fim do dia
E nunca se importunava
Afinal também vivia…
Foi por isso que a formiga,
Cansada do seu sofrer
Um dia resolve ir ter
Com a vizinha sua amiga.
Comadre cigarra escuta:
-Ensina-me um remédio
Para vencer este tédio
Esta eterna labuta…
A cigarra, admirada,
Respondeu sem hesitar:
-Não sabes fazer mais nada,
O remédio é trabalhar…
Mas como somos amigas
Enches-me o meu celeiro
Não te pago com dinheiro
Mas pago-te com cantigas.
E, assim, daí p´ra frente
Enquanto a sócia cantava
A formiga trabalhava,
Mas vivia mais contente
E descobriu, realista
O que não cismara antes:
Que afinal são importantes
As tarefas de um artista!
Eduardo
Meu amigo Eduardo, nem sei como lhe hei-de agradecer! Sabe aquelas coisas que já estão esquecidas há muitos anos e, de repente, num clique, nos vêm iluminar como um dia de sol? Pois foi exactamente isso que me aconteceu no instante em que li este seu poema... por segundos foi como se eu tivesse viajado no tempo e estivesse a contar esta sua história às minhas filhas, ainda pequeninas! Sem a maravilha do poema, claro, mas era assim que eu contava esta história!
EliminarContinuo sem saber como lhe agradecer... foram uns instantes de uma imensa beleza. Muito, muito obrigada! Um enorme abraço!
“Politica(mente)”
ResponderEliminarAo pó e ao nada reduzidos
Final desta peça ilusória
Em que somos seduzidos
Numa repetição sem glória
Muda cenário e vestimenta
A peça até parece diferente
Mas mais uma vez se aguenta
Com peça igual e deprimente
Palavra é intenção simulada
Dita por novo actor consagrado
No mesmo palco representada
Pouco ou nada ovacionado
P’la multidão sempre lesada
Política é este jogo jogado.
Prof Eta
Não morro de amores por ela
EliminarMas, no momento presente,
Abri-lhe a minha janela
E ela entrou cá, de repente...
Vi-me a prestar testemunho,
Vi-me a dar opiniões
E cá estou, erguendo o punho
Pr`a derrubar os ladrões...
Nunca fui uma entendida
Mas, burra, também não sou,
Sei bem em quem confiar
E reconheço que a vida
Me pede mais que o que dou
Estando aqui a poetar...
:)) E foi o que me saiu, Poeta.
Até já e um abraço grande!
“Poetica(mente) II”
ResponderEliminarDo fado, não da poesia
Quero extrair uma lição
Estrofe a verdade exprimia
Quem mentia era o aldrabão
Quebra corações gingão
Da escura viela de Alfama
Típico perfil de engatatão
De mentiroso tinha a fama
Por vezes também o proveito
Que uma donzela consentia
Doutras não levava nada
Que o não tomavam a peito
Pois sabiam qu’ele mentia
Punham-lhe a cara esmurrada.
Se o Fado mentia ou não,
EliminarIsso não lhe sei dizer
Mas pergunte ao tal gingão
Porque, isso, ele deve saber...
Só conheço um jovem fado
Que, andando pelas vielas,
Ficou todo apaixonado
Pl`o som que saía delas,
Que, descobrindo a guitarra,
Logo ali jurou amá-la
Por toda a eternidade...
Já ninguém os desamarra
E é vê-lo, sempre a guardá-la
Pelas ruas da cidade...
Olá, Poeta! :)
Estou a comer um arrozinho... que estraguei sem querer. Não tinha sal grosso, temperei com sal de mesa e ficou salgadíssimo... de resto está bom, foi pena eu não ter tido "mão" para o temperar...
Cara Amiga Maria João de Sousa
ResponderEliminarSenti-me verdadeiramente feliz por saber que fui motivo de boas
recordações para a minha boa amiga e por saber por posteriores
pesquisas nos blogs do Pedro que também é admiradora das cigarras. Eu
sou-o não só das cigarras mas de todos os animais injustiçados durante
séculos, desde Esopo e, por tal motivo resolvi, de moto próprio e sem
qualquer remuneração, rever o processo La Fontainne e reabilitar os
que durante uma eternidade foram vítimas dos maldizentes. Vou, hoje
enviar-lhe outra peça do processo de revisão e, se mo permitir,
enviar-lhe-ei outras, que não são muitas, pois por ora tratei apenas
dos casos mais pungentes.
Com desejo de um bom resto de fim de semana, eu e minha esposa
enviamos-lhe o nosso abraço de muita amizade.
Eduardo
O cavalo e o leão
Um leão bem intencionado,
Claro que os pode haver…
Resolveu-se a ir fazer
De curandeiro, o mestrado
Mandou a juba cortar,
Vestiu-se de outros matizes
E foi-se matricular
Ali p´ra Vale de Perdizes
Nas colunas dos jornais
Anunciou seus intentos:
Tratar doutros animais
Gastar, assim, seus talentos
Tudo, sem nada exigir
Tendo por compensação
Poder-se, assim, redimir
Duma ou outra má acção…
E o primeiro queixoso
Que encontrou no verde prado
Foi um cavalo lustroso
Com um casco em mau estado…
O equídeo desastrado,
Ao saltar umas barreiras
Foi por um espinho espetado,
Numa das patas traseiras.
Observou o doutor,
Com a melhor intenção,
A causa daquela dor
Do sofrimento a razão…
A besta, desconfiada
De tanta solicitude
Não teve outra atitude:
Ferrou-lhe uma patada…
O leão, meio aturdido,
P´ra ali ficou a cismar
Que num bicho arrependido
Poucos ousam confiar!
Eduardo
Meu amigo Eduardo, muito e muito obrigada! :)
EliminarFico à espera de outras destas pequenas maravilhas que me envia. Nem imagina o que eu aprecio e como me revejo nelas! Eu, como já lhe disse sem o seu génio poético - nessa altura eu era muito jovem e apenas funcionava como narradora de histórias para as minhas filhas e outras crianças que sempre andavam por esta casa - sempre "reinventei" as fábulas de forma a torná-las menos castigadoras para alguns bichos que, nas narrativas originais, eram menos afortunados.
Estas suas estrofes estão uma maravilha!
O maior dos meus abraços para si e sua esposa! Continuo sem saber como lhe agradecer... nem sequer me consigo recordar nitidamente de uma ou outra quadrazita que, na altura, ia fazendo, ao sabor da narrativa. Só me lembro que quando as mais velhas começaram a crescer, refilavam comigo dizendo que eu estava a "inventar" e a estragar a estória :)) Elas eram, no essencial, muito mais conservadoras do que eu! Parece-me que ainda hoje o são... :)))
Desculpe-me estas intermináveis reminiscências... um beijinho para os pequeninos, incluindo o involuntariamente promovido a "Einstein da Poesia"! :)
“Serenidade”
ResponderEliminarEste povo é sereno
No eterno carnaval
País é bem pequeno
Ninguém leva a mal
Há cocktails pelo ar
São os de mau cheiro
Não são de rebentar
Só assobiar o primeiro
Ministro de coragem
Enfrentou a criadagem
Deu seu peito às balas
Subiu logo na sondagem
Assim não fará as malas
Presidente não te ralas?
Prof Eta
É sereno, mas começa
EliminarA acordar de um fundo sono
E a quem lhe fez tal promessa
Deixa agora ao abandono...
No entanto... umas amigas
Com quem acabo de estar
E que são um pouco "antigas"
Não se cansam de afirmar
Que as taxas moderadoras
Nem sequer são muito caras
E que a saúde privada
Lhes trouxe muitas melhoras!
[e eu presa nas anteparas
de quem luta para... nada!]
:( Assim foi, Poeta... talvez por isso eu esteja ainda em "modo stand by"...
Abraço grande!
“Infinito”
ResponderEliminarSe alcançares o infinito
Teu potencial concretizado
Numa escultura em granito
Ou pequeno gesto isolado
Usa o tempo interminável
Para o objectivo alcançar
Na procura sê incansável
Sem pressas de lá chegar
Sei que é longa caminhada
Mas as recompensas virão
Que o infinito é inesgotável
Com o tempo de mão dada
Nunca duvides da tua razão
Será o infinito alcançável?
Quando eu era pequenita
EliminarCostumava perguntar-me
Se a lama, sendo infinita,
Poderia ultrapassar-me,
Porém a maturidade
Ao dizer que já chegou
Faz-nos logo a caridade
De dizer que isso passou
Infinito... é infinito,
Significa não ter fim
E eu, que sou humana, tenho...
Digo isto porque acredito
Que o que hoje sobrou de mim
Não tem assim tanto engenho...
Olá, Poeta! Foi hoje buscar uma das grandes dúvidas existenciais de quando eu era assim, como me vê na fotografia do blog... hoje, noutro tipo de conversa, dir-lhe-ia que a Arte é a única forma de nos transportar até lá... mas estaria a exagerar, certamente, e logo voltaria a responder-lhe o mesmo que acabo de dizer neste sonetilho. Gosto imenso de filosofar mas só costumo fazê-lo nos meus sonetos e nos meus rabiscos... quando rabiscava. Sou muitíssimo mais pragmática do que pareço... sobretudo hoje que acabo de estar numa mesa com amigas mais velhas do que eu... hoje, nem sequer me atreveria a dar um passinho nesse terreno! :) Imagine que eu começava a meter os pés pelas mãos?! Sei bem que esta necessidade de manter os pés bem assentes sobre a terra, um dia destes se deixa de fazer sentir com tanta urgência... e lá volto eu a soltar-me :)
Abraço grande! :)
:o !!! Credo, Poeta! Está a ver como eu tinha razão? Já estou com a" dislexia do cansaço extremo"! Onde se lê "lama" deve ler-se "alma"!
EliminarNo segundo verso da primeira estrofe, se me não engano...
Lama ou alma?
EliminarOk, bem me parecia!
EliminarNo seu, emendei :) no da Maria Luísa, ainda fiz outra emendazita... mas já nem me lembro qual foi...
Eliminar“Pacto com satanás”
ResponderEliminarA lama sendo infinita
Representa-nos bem
Nossa estupidez bendita
Sendo infinita também
Só assim pode justificar
O estado de indiferença
Que nos leva a ignorar
A verdadeira sentença
Chegará o julgamento
Nosso irmão injustiçado
Num estado de descrença
Não resiste ao chamamento
Há chamas por tod’o lado
Com satanás fará avença.
Não acredito em Satã
EliminarMas os males que representa
Já não serão coisa vã
Pois muita gente se tenta
E são cegos, não entendem
Que a vida é indissolúvel
Dos laços que aqui a prendem...
Toda essa gente volúvel
Se deixa tentar em vão
Ou por coisas de momento
Que vão desgastando tudo
E acreditam ter razão
Embora a Terra, em lamento,
Lhes lance outro apelo mudo...
Olá, Poeta! :) Já publiquei outro soneto em post. Assim fica menos difícil de publicar os sonetilhos e eu estava mesmo a precisar de o escrever... fico "esquisita" quando estou muitos dias sem publicar em post... é como se me estivesse a faltar qualquer coisa essencial :)
Abraço grande!