MULHER * Passeia-se apenas, sem fitas, sem folhos Trazendo nos olhos sorrisos e penas... Como esta há centenas, encontram-se aos molhos Por entre os restolhos, louras e morenas. * Marias e helenas que contornam escolhos, Com ou sem piolhos, virtuosas, obscenas, São como açucenas; a chave e ferrolhos Franzem os sobrolhos. Grandes ou pequenas * Derrubam empenas, são donas das ruas, Das marés, das luas... Em todos os astros Ergueram os mastros das coisas mais suas * E sempre assim, nuas, deixaram seus rastos Nos muros dos castros, no chão das faluas E até no que intuas dos seus corpos gastos. * Maria João Brito de Sousa - 03.02.2021 - 14.04h *** Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia in LIVRO DE BORDO, de António de Sousa.
PARA DIZER MUITO DEVAGARINHO
ResponderEliminarAnotem que qualquer ano
Se seguiu ao anterior
Não haja nisto engano,
Disse o Senhor Professor.
Sendo assim, por conseguinte
O ano que já passou
Precedeu o ano seguinte,
Aquele em que eu estou…
E assim a raciocinar,
Cheio de falinhas mansas,
O delirante Gaspar
Que não o outro, o Mago,
É Ministro das Finanças
E nos causa tanto estrago.
Eduardo
Só agora tive "coragem" para vir abrir este sonetilho... mas fiquei a rir. Que bem que descreve a situação!
EliminarQuinze depois de catorze,
Dezasseis e dezassete
Já seria maior dose
Pr`a quem "tanto" nos promete...
Meu amigo Eduardo, tenho a impressão de estar com um qualquer "esgotamento verbal"... já o disse hoje ao seu Pedro e confesso-o agora a si...
Tentei, mas "sinto" as palavras tão empenadas quanto a minha coluna. Não sei, talvez me tenha entusiasmado mais do que a saúde me vai permitindo e tenha estado demasiado absorta no computador... sinceramente, sinto-me muito estúpida hoje. quando as rimas não fluem naturalmente, o melhor é nem tentar...
Amanhã tento novamente responder-lhe.
Abraço grande para si e esposa.
Amigo Eduardo,
EliminarAinda não é desta que lhe respondo condignamente. Hoje tenho estado mais "avariada" do que o costume e, ainda por cima, estou a descobrir que tenho mais páginas do que aquelas que vou conseguindo gerir.
Enorme abraço e um excelente Domingo de Páscoa!
“Obreiros da morte”
ResponderEliminarEsses bons não têm voz
A teia está bem urdida
Suga-se o máximo de nós
Por vezes suga-se a vida
Os que a teia urdiram
São os obreiros da morte
Outra vida nunca viram
Nem conhecem outra sorte
São pagos pelo tesouro
Migalhas desses mandantes
Aos quais não se faz frente
O teu silêncio é de ouro
Que deixa tudo como dantes
Senão calam-te para sempre.
Prof Eta
Poeta... não sei o que vai sair daqui mas, mal li este sonetilho, lembrei-me dos "bufos", dos pides e outros que tais...
EliminarAi de mim, se não soubesse
Das voltas que o mundo dá,
Ai de mim, se não pudesse
Ver coisas que aqui nem há
Ai de mim, se alguém quisesse,
De quanto eu deixo por cá,
Ler o quanto se impusesse
Vendo o quanto aqui nem está...
Ai deste povo calado,
Ai dos que dele se levantam
E dos que agora acordaram
Vendo estar do lado errado
Quando as palavras se espantam
Das mil coisas que passaram...
Não foi fácil, nem tão rápido como a maioria... acho que estou com as palavras gastas :)
Sei que há outro sonetilho mas vou deixá-lo para depois de dar o jantar ao Kico... se calhar, depois de vir com ele do xixi... acho que estou mesmo com "estafa de palavras", se é que isso existe...
Abraço grande!
O chá está paciente.
ResponderEliminarOlá, Poeta! :D Vou já!
EliminarEstou toda avariada hoje... o que já estava estragado, mantém-se e, agora, também se avariou outra coisa... mas o chá só faz bem! :D
Mas a estrada acaba
ResponderEliminarnão sei onde,
mas acaba!...
Mª. Luísa
Eu sei que acaba, amiga.
EliminarEste post saiu neste formato estranhíssimo... deve estar muito difícil de ler, mas não consegui evitar... eu bem passei o cursor por cima e bem o tentei aumentar, mas não consegui.
Abraço grande!
Saíu muito bem e todo sublinhado a chamar a atenção a cada palavra.
EliminarUm dia me aconteceu isto...e também não gostei.
O que interessa :
É que "todos nós nascemos meninos
e vamos morrer um dia..."
Bom domingo (saúde essencial)
M. Luísa
Fiquei mais preocupada com alguns leitores que podem ter dificuldade em lê-lo assim... mas os comments também estão com uma letra tão pequenina...
EliminarBjo!
M.J.
EliminarSe lê muito bem!
Eu, por uns dias, vou parar com as respostas
aos que me seguem. Estou pior e não devo escrever!
Um abraço,
Mª. Luísa
Lamento ficar ausente no responder e peço
Eliminardesculpa. Obrigada.
Mª. luísa
p.s.por favor, avisa nosso amigo.
Compreendo. Avisá-lo-ei, está descansada.
EliminarAbraço grande!
Fazes bem, amiga! Dá um tempo ao teu corpo. Eu aviso o Poeta!
EliminarBom descanso!
“Passaporte”
ResponderEliminarMinha vida é minha morte
Neste mundo tão pequeno
Que é apenas passaporte
P’ra outro mundo mais pleno
Não vão além do equívoco
Os que confessam viver
Neste mundo magnífico
É certo não estão a perceber
Aquilo que se está a passar
Não procures tudo absorver
Procura a mente esvaziar
Só assim te poderás realizar
Não tanto por enriquecer
Mas quando tudo consigas dar.
Aquilo que eu possa dar
EliminarNão depende só de mim
Mas também do que eu passar
Até chegar o meu fim,
Do que passem os demais
E de tudo o que aconteça
Neste país a lutar,
Nesta noite que começa...
Mantenho vazia a mente
- também eu sei meditar... -
Como surge a poesia
E quando isso em mim se sente
Só quero e devo aceitar
Se um poema "me assobia"...
Poeta, venho com um poema na ponta do cursor e sei que tenho imensas mensagens na caixa de correio... acho que este sonetilho ainda está debaixo do spell dele :)) Não é um poema alegre, mas veio "assobiar-me" e eu não lhe resisti. Vai para o Montanhas que é onde pertence por direito formal.
Não tenho estado nada bem e, ainda por cima, o dente está a recomeçar a doer...
Abraço grande!
"Vinha" com um poema no cursor... acabei de o perder quando salvei este para o caso da net falhar...
EliminarO chá está colorido.
ResponderEliminar“Para nos salvar”
ResponderEliminarNa humanidade de farsas
Em qual delas acreditar?
Décadas correm esparsas
Refinando o meu pensar
O homem em seu proveito
Muitas consegue inventar
Humanidade com defeito
Foi a que se pôde arranjar
Produto d’enorme correria
Foi este homem imperfeito
Mais não se pode esperar
A não ser talvez um dia
Um de nós por Deus eleito
Dê a vida p’ra nos salvar.
Mas pr`a salvar-nos do quê?
EliminarDo que nós mesmos criámos,
Só nós próprios, já se vê,
Devemos tentar salvar-nos...
Essa humana imperfeição,
Na sua imaturidade,
Requer emancipação
Da santíssima trindade
Leva tempo, embora urgente,
Sair desta adolescência
Em que agora nos movemos
Criando um homem diferente
Que tenha plena consciência
Do tanto que já crescemos...
Boa noite, Poeta! Foi o que me saiu e é o que fica... fui almoçar com a família de um senhor amigo que mora aqui perto, só agora pude vir até cá... espero que o seu Domingo de Páscoa tenha sido alegre e farto!
Abraço grande!
O chá foi extreminado.
ResponderEliminarLeia-se "exterminado".
EliminarPobre chá! Quem poderia querer mal a uma coisa tão inocente quanto um chá? Vou ver, Poeta!
EliminarCom os habituais atrasos - desta vez ajudados por uma birra da net - já não dá para desejar uma Páscoa Feliz pelo que desejo um resto de ano muito feliz.
ResponderEliminarAbraço GRD
Eu ainda consegui, por um "tris", no seu caso :)
Eliminarmas quantos amigos não ficaram por visitar...
Obrigada e um ano muito feliz!
Olá, deixo um que se soltou aqui há dias
ResponderEliminarMinha Pátria, pátria amada
vejo muitos olhos vítreos
perdidos na caminhadas de outrora,
caminhadas que se fizeram por esse mundo afora
Esquecidas as memórias
esquecidos os corações
de quem altivamente
descobriu tantos quinhões
Mas estes não tinham o valor
que estão nas almas de agora
perdidas neste fervor
neste jogo que se demora
O jogo da vida
o jogo da liberdade
o jogo pela defesa
do fado e da saudade
E vamos andado e aprendendo na estrada aos nossos pés prostrada, cabe-nos desviar-mo-nos dos buraquitos ;)
Bj e boa semana
Olá, Golimix! :)
EliminarAi que o Kico ainda faz xixi na sala... paciência! Não seria a primeira vez...
Eu vi, neste teu poema, referências aos descobrimentos e uma velada alusão à emigração que agora se inicia, tudo "temperado" com uma boa dose de nostalgia...
Nem sei, amiga, onde haveremos de pousar os pezitos... isto está mais esburacado do que um queijo Gruyére... não me lembro se é assim que se escreve, mas pronto... tu sabes qual é o queijo a que me refiro. E posso ter feito uma leitura menos correcta... admito perfeitamente que me engano com saudável frequência :))
Agora tenho mesmo de levar o Kico à rua. A seguir, visito-te.
Abraço grande!
A leitura está correta sim ;)
EliminarEu às vezes ando às voltas, mas é aliciante fazê-lo e não resisto, preciso é de estar inspirada e nem sempre isso acontece...
Uma festona grande no Kico, fiquei com saudades da minha paixão canina, era o que lhe chamava assim que chegava a casa e ele ouvia deliciado sempre que lhe repetia a frase...
Mas é mesmo verdade! Eu sei-o bem! A inspiração não é uma constante em poeta nenhum... depende de variadíssimos factores e, por vezes, quando menos esperamos, contraria esses factores todos e toma conta de nós de uma forma que nem sequer poderíamos ter previsto. É indefinível, a inspiração, mas existe mesmo!
EliminarUm beijinho, Golimix! :)
“Dicotomias”
ResponderEliminarNa dicotomia da vida
A harmonia encanta
E em contrapartida
A desarmonia espanta
Na dicotomia do pensar
Espanta-nos a harmonia
E ainda vai dar que falar
O encanto da desarmonia
Assim podemos continuar
De dicotomia em dicotomia
Até à dicotomia absoluta
Em que p’rós tolos governar
Ouvem-se verdades a cada dia
Proferidas pelos filhos da puta.
Prof Eta
Há sempre dicotomias
EliminarCreiam nelas ou não creiam
E, por muitas teorias
Que venham dos que as semeiam,
Elas são parte integrante
De tudo o que aqui vivemos...
Mais sumido ou mais brilhante,
Só por contraste nós vemos...
No entanto, se um dos lados,
Mesmo que seja o menor,
Dominar o seu oposto
Querendo viver sem cuidados
Por explorar o seu labor...
Mude-se a ordem, com gosto!
Haveria muito que dizer acerca disto... não me cabe num sonetilho, embora tenha dito o possível.
Mas as coisas não melhoraram e eu tenho o Kico a precisar de ir à rua. Já volto, Poeta.
Abraço grande!
OS FALSOS PROFETAS da
ResponderEliminarFALSA DESGRAÇA
A falar só por falar
Dizem, com muita insistência
Ser tempo de acabar
Dos mártires, a paciência…
Quando o fogo se atear
Virão, da sua opulência,
Lestos para o apagar
Graças à sua experiência.
Por estranho que pareça
Os profetas da desgraça
Querem que ela aconteça,
Mas vão recebendo as dízimas
Que lhes oferecem, de graça,
Reverentes, suas vítimas.
Eduardo
Aqui está uma verdade
EliminarQue jamais irei negar
Pois alguns têm vontade
De ver o mundo acabar
Ficando, embora, a vontade
De outro, novo, imaginar
Nem que a própria humanidade
O não possa suportar...
Vou tendo as minhas ideias
De sociedade mais justa
E mais liberta de peias,
Sem amos, sem hierarquias,
Sem que ninguém viva à custa
Das exaustas maiorias...
Boa noite, amigo Eduardo!
Pensei que não conseguiria escrever mais, por hoje, mas enganei-me... meio coxinho, mas este lá me saiu assim que li o seu sonetilho.
Abraço grande para si e esposa!
Emendei a segunda estrofe que está com uma repetição imperdoável da palavra "vontade" que já estava na primeira, mas a net foi-se e perdi-a... vou tentar reproduzi-la...
Eliminar"Ficando, embora, a saudade
De o poder imaginar
Mesmo que esta humanidade
O não possa suportar"
Espero conseguir publicar este "remendo" da segunda estrofe...
Um abraço :)
O chá vai a caminho.
ResponderEliminarVou ver antes de acabar de tratar dos meus velhotes. Também sigo para o centro de saúde.
EliminarAbraço grande!
“Não ao extermínio”
ResponderEliminarP’ra viver com o dinheiro
Tem o homem de renascer
Sem este olhar sobranceiro
Que fulmina o outro ser
Para poder ser o primeiro
E mais do que o outro ter
Se vem ao mundo como veio
Com sua condição aprender
Aprender que é pequenino
Não dura mais dum segundo
Tempo cósmico é indicador
Conservar sorriso de menino
E fazer a aposta num mundo
Que seja fecundo no amor.
Não sei se vou conseguir
EliminarConseguir nem esse instante
Porque estou-me a dividir
Neste espaço equidistante
Entre este espaço sem som
E um outro bem sonoro
Onde mal me aguento com
Mil versos que nem decoro...
Mas da nossa pequenês
Estarei sempre bem segura
- sempre o estive, a bem dizer... -
Pois querer mais é estupidez
E esta vida só nos dura
O tempo que ela entender...
Desculpe, Poeta... estou mesmo dividida entre este blog dos sonetos e o Rádio Horizontes da Poesia...
Abraço grande! :)
Ah, Poeta... deu erro de repetição outra vez... um "conseguir" a seguir ao outro... :(
Eliminar“País de ficção”
ResponderEliminarNum país de ficção,
Passos Coelho amas-nos ou não ?
há agora a Troika dominação
terminará com a crise ou não ?
combustíveis em inflação
electricidade em ascensão
é tudo por uma boa razão
é para pagar o prémio de gestão
e o Zé em acelerada putrefacção
não liguem é apenas ficção
Num país de ficção,
onde 13º mês jamais, então ?
onde as maternidades não passarão
onde existe cada passarão
onde o saúde é obsessão
onde a dívida é uma fixação
e sobe por hora um milhão
a produtividade é espelho da remuneração
é bom viver com as calças na mão
não liguem é apenas ficção
Num país de ficção,
onde existe sempre uma canção
para nos libertar a emoção
da mágoa que nos enche o coração
por não vermos evoluir a nação
por não soprar vento de feição
que nos liberte a imaginação
nos permita alcançar a próxima estação
há agora a Troika dominação
Passos Coelho amas-nos ou não ?
Que grande poema, Poeta!!! :) Logo agora que eu acabo de :
Eliminara) Ficar sem net.
b) Ficar sem saber o que fazer
c) Resolver ir tomar um duche
c1) e consegui fazê-lo em cerca de uma hora :)
d) Voltar, a cair de sono...
Acho que a terceira idade
não me vai deixar saudade
porque me tira a vontade
e, às vezes, a liberdade
de escrever nesta cidade
com alguma habilidade...
Não ligue... quis ver o que me saía... e saiu asneira :)
E os tecnocratas sabem lá o que é amor!? Sabem lá o que é a vida!? Bonito... agora fica-me a vontade de lhe responder, mas foi-se-me a habilidade toda pelo ralo da banheira abaixo... também acabei por não conseguir ouvir o Rádio Horizontes até ao final do programa. Tem sido um daqueles dias "não".
Abraço grande, Poeta!
O chá esturricou.
ResponderEliminar:)) Sabe do que me lembrei? De um destes dias em que deixei a água para o chá a aquecer, vim aos blogs e, quando me lembrei dela, era um nadinha a borbulhar no fundo do púcaro... não esturricou, mas quase...
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