SONETO A UMA QUALQUER LONGA VIAGEM
(Em verso eneassilábico)
Tenho mãos, tenho pés, tenho braços
Que ergo rumo às fronteiras da vida,
Caminhando e negando os cansaços
Desta estrada de terra batida.
Passa o tempo e devolve-me aos traços
As memórias da estrada vencida
Na cadência sonora dos passos
Pelos becos que o são sem saída.
Tanto beco e ruela já vi,
Tanta estrada galguei, sem parar,
Que, hoje, posso afirmar ser aqui,
Sobre os longes que andei, que corri,
Que os meus passos me irão conquistar
Na batalha de ser quem escolhi.
Maria João Brito de Sousa – 09.05.2013– 17.22h
NOTA - Soneto reformulado a 01.09.2015
ResponderEliminarUma bela tarde antes de mais
nos versos sempre como só tu sabes fazer
no dom da palavra saber...dizer
xoxo do frio dos calhaus brrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
Obrigada, Anjo!
EliminarJá é um soneto "com barbas"... tem umas três semanas e encontrei-o nas notas do Face... nem me recordava de que ainda o não tinha publicado aqui... mas olha que o "dom da palavra" meteu baixa... ou qualquer coisa parecida... a verdade é que parece ter-se evaporado desde que as coisas se começaram a complicar um pouco mais, em termos pessoais... espero bem que volte a funcionar! Sinto-me "aprisionada" sem ele...
Um muito feliz dia para ti!
“Somos assim”
ResponderEliminarPalavras ditas reditas
Buscadas e rebuscadas
Ideias proscritas malditas
Mentes vazias profanadas
Criaturas de vistas finitas
Com as almas enjeitadas
Somos apenas parasitas
De iniciativas castradas
Fruto do nosso reflexo
Preenchido pelo marasmo
Envolto em falso frenesim
Simples tornado complexo
Produto do nosso sarcasmo
Sem sabermos somos assim.
Verdades na ponte.
ResponderEliminarO chá duvida.
ResponderEliminarA dúvida é muito mais saudável do que aquilo que possa parecer, Poeta.
EliminarEstou de fugida. O meu dia de hoje é uma verdadeira maratona. Vou ao Chá mas tenho de me ir vestir já em seguida.
“Sustentabilidade”
ResponderEliminarA nova sustentabilidade
Vai pôr-te a trabalhar
Desde a mais tenra idade
Até a morte te levar
Só assim será possível
Sustentar o nosso estado
Um estado imprevisível
E muito mal governado
Vende-te a banha da cobra
Ao preço do creme vichy
Sem que possas dizer não
Pagas o dobro pl’a sua obra
Este é pr’a quem mora aqui
O preço da corrupção.
Prof Eta
"Insustentabilidades..."
EliminarEstou insustentavelmente
Incapaz de uma resposta
E, por muito que o lamente,
Sinto-me mesmo indisposta...
A ligação, num vaivém,
Mal me deixa respirar
E, se nada me detém,
Surge logo um novo "azar"...
O sono, neste momento,
Impõe-se, é quase um tormento
Porque os olhos se me cerram
E, mil desculpas pedindo,
Dou-o já por escrito e findo
Sem saber se as rimas erram...
Maria João
Um abraço muito ensonado, Poeta! Madruguei, hoje, e a ligação, instável, vence, só desta vez, o campeonato da persistência...
“Filhos da nação”
ResponderEliminarSão tempos de matança
Dos direitos adquiridos
Venham os d’esperança
Com deveres garantidos
Onde o dever de servir
Possa estar assegurado
Pr’á geração que há-de vir
Por quem de direito, o estado
Doutra forma perderemos
Toda a nossa riqueza
Os filhos desta nação
Nunca mais os veremos
Irão fugir da pobreza
Para longe partirão.
Ai vão, vão...
EliminarMeio mundo português,
Dos jovens aos já velhinhos,
Procura, mais uma vez,
A vida em novos caminhos
E, mais mês ou menos mês,
Talvez dois ou três aninhos,
Entre choros e "porquês",
Vão restando os mais fraquinhos
E alguns loucos "persistentes"
Que jamais desistirão
De fazer "ranger os dentes",
De viver, sendo insurgentes,
Segundo a sua razão
Sem recursos nem... parentes!
Maria João
Cá vai, Poeta, com o meu abraço!
A kind of bridge.
ResponderEliminarIn a minute...
EliminarChá no mundo.
ResponderEliminarVou espreitá-lo, Poeta!
Eliminar“Gente”
ResponderEliminarCom emoção negada
Sem obra reconhecida
Ou conquista atribuída
De estória ignorada
De sua terra partiu
Faz pão de seara moída
Com a sabedoria da vida
Do silêncio emergiu
Gente que no fado
Não apenas porque sim
Tem seu destino traçado
Discurso é seu corpo suado
Gente daqui, gente de mim
Gente de todo o lado.
Ainda sobre a "gente"
EliminarTanta gente e tão diversa,
Ora dormindo, ora não,
Ora em acesa conversa,
Ora em vã contemplação,
Ora em grupo, ora dispersa
Nas águas da multidão
Que flutua ou fica imersa
Na própria contradição...
Gente que cresce e procria,
Gente que envelhece e morre
Com credo e filosofia,
Que ao acordar se arrepia
E - quanta vez! - nem discorre
Se é "gente"... ou se o contraria...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o meu abraço grande!
Ponte perfeita.
ResponderEliminarAi... estou de fugida... ia-me "escapando" esta viagem à Ponte...
EliminarDIA MUNDIAL da CRIANÇA
ResponderEliminarCANÇÃO de (des) EMBALAR
O meu menino nasceu
Num bercinho destroçado,
Mas um menino que é meu
Não vai ser abandonado.
O seu jardim plantado
À beira mar, pereceu
Mas há-de ser resgatado
Porque o jardim era seu.
Veio o papão p´lo telhado,
De repente e interrompeu
Seu soninho descansado…
Mas esse papão malvado,
Meu menino, juro-te eu
Vai ser, cedo, escorraçado.
Eduardo
Belíssimo sonetilho, amigo Eduardo!
EliminarFico-lhe muito grata por ele!
Um abraço para si e Maria dos Anjos!
Chá no meio.
ResponderEliminarVou já, Poeta!
EliminarChá a viver.
ResponderEliminarTambém eu, Poeta, também eu!
Eliminar“Orçamentos”
ResponderEliminarDesenhou o orçamento
Com o máximo cuidado
E com esse instrumento
Este país foi entalado
O esforço d’ajustamento
Saiu muito desajustado
E o banco de fomento
Não chegou a ser criado
Isto virou um tormento
Mas logo surgiu preparado
No derradeiro momento
Outro feito a régua e esquadro
E então esse documento
Nunca mais foi desenhado.
Prof Eta
"A Rectificação..."
EliminarRectifica, rectifica!
Feita a rectificação,
Como estava, tudo fica...
Lá se "lixa" o cidadão!
Lucro, tudo justifica!
Em plena contradição,
Pouco ou nada significa
Ter vontade e ter razão
Pois se estão tão mal, de origem,
Não há correcção possível
Pr`ás cabeças que o corrigem
Pois, tudo "atabalhoado",
Fica pior que sofrível
E só dá mau resultado!!!
Maria João
Cá vai, com o meu abraço grande!
Ponte talvez.
ResponderEliminarLá vou, Poeta!
EliminarQue bom voltar a desfrutar dos encantos de seus sonetos!
ResponderEliminarAmiga estou precisando de sua ajuda para revisão de meus pequenos poemas, inclusive sonetos. A Editora Saraiva aqui do Brasil vai fechar comigo um contrato de edição . E no próximo ano irei a Portugal, inclusive conhecê-la e talvez publicar uns poemas aí na origem de toda a poesia da língua portuguesa "última flor do Lácio, inculta e bela."
Sei que posso contar com você e se for de seu agrado quero que faça o prefácio do meu livrinho.
Desde já minha estima e gratidão.
ADÍLIO BELMONTE
Belém-Pará-Brasil
Com certeza, poeta amigo! Se a saúde de todo mo não impedir, terei muito prazer em fazê-lo!
EliminarSe tiver o meu endereço electrónico - estou quase certa de que o tem - , pode enviar-me o material poético que eu farei a revisão... mas estou muito lenta. Convém que mo envie rapidamente pois as coisas pioraram muito e é cada vez mais curto o tempo que consigo manter-me sentada ao computador.
Abraço grande!
Chá da manhã.
ResponderEliminarAí vou, Poeta!
Eliminar“Revoluções”
ResponderEliminarÉ um poeta sanguinário
De romantismo ausente
Tem um desígnio diário
Sofre o sofrer desta gente
Sente as agruras decerto
Às mãos dum poder vil
Viu a mentira bem perto
Numa madrugada d’Abril
Mas a verdade escondida
Cedo havia de regressar
Pr’a matar essa ilusão
Pois a dureza da vida
Não se pode encapotar
Sob a luz duma revolução.
"Ainda as revoluções"
EliminarSanguinária, sanguinária...
A bem dizer, não sou não...
Mas sou revolucionária,
Defendo a revolução!
A amargura é "coisa" vária,
E é tão rara a vocação
Da partilha solidária
Que até mesmo a solidão
Pode, em caso excepcional,
Funcionar, sendo leal
À causa em que se empenhou
Porque, sendo desigual,
Tornar-se-á mais real
Do que a de quem nem lutou...
M. João
Aqui vai, Poeta, com o meu abraço!
Um muro na ponte.
ResponderEliminarVou já, Poeta!
EliminarChá feliz.
ResponderEliminarQuero ver isso, Poeta!
Eliminar“Obrigado”
ResponderEliminarSão de classe mundial
Os da estirpe dirigente
Ficam bem no jornal
E dignificam a gente
Agradecemos do coração
Esse esforço altruísta
Fruto d’ampla dedicação
Por favor nunca desista
Da sua nobre intenção
Aquele que apaixonado
Ao povo dá esperança
Faz tudo pl’a sua nação
Dá sua vida pelo estado
Só assim a gente avança.
Prof Eta
"Muito grata, mas não quero mais!"
EliminarNem ficam bem no jornal,
Nem nos dignificam nada...
São só o rosto "legal"
Da nossa "humana fachada"!
Nada têm de altruístas...
Bem antes pelo contrário
São todos uns "arrivistas",
"Lixam" todo o proletário!
Mas avançar, avançamos
Direitos ao precipício
Que se abriu à nossa frente...
Mais um passo e... já lá estamos!
Morrer depressa é ofício
Que é imposto a muita gente!
Maria João
Aqui vai, Poeta... mas sempre lhe digo que acabo de ouvir o MST e acho que ele tem toda a razão em relação ao que se vai dizendo nestes meios... isto "pode ser e é usado contra nós"... mas pronto! Já sabia disso há muito tempo e ser sincera foi uma opção que tomei conscientemente... entre tantas outras escolhas que se viriam a transformar em espinhosas tarefas ao longo da minha vida... mas, embora um tanto diminuída também em inspiração, não tenciono calar-me. Muito menos mudar a minha forma de sobreviver com alguma dignidade! Abraço grande!
Notícia na ponte.
ResponderEliminarVou ver, Poeta!
EliminarChá não tem.
ResponderEliminarEu tenho... por enquanto vou tendo vontade própria... mas vou ver o que não tem o Chá!
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