SE AMOR DISSECO... III
(Soneto em decassílabo heróico)
Se Amor disseco, encontro-lhe as fraquezas;
O ciúme, a traição, as perversões
E as mais que conhecidas distorções,
Irmãs de Amor, aue sempre a Amor vão presas,
Unidas pelas próprias naturezas
E del`nascidas, contra as convicções
Que, afirmam, não de Amor, só de paixões,
Nascerem, por excepção, tão vis surpresas...
Porém, se Amor disseco... ah, quanto vejo!
O mesmíssimo Amor que pede um beijo
Pode exigir, depois, total pertença,
E destruir o que antes foi desejo...
O contrário de Amor - sem medo, ou pejo!-,
Ódio não é, garanto! É Indif`rença...
Maria João Brito de Sousa - 11.06.2016 - 16.53h
“Descansados”
ResponderEliminarCapitalismo bonzinho
Amigo do proletário
Assim não fica sozinho
Um esqueleto no armário
Fica pleno de ossadas
O armário dos milhões
Porque bem esmiuçadas
Não acham contradições
Ficamos a trabalhar
Em busca da tal cenoura
Qu’a fome não matará
Ficareis a descansar
E tod’a prole vindoura
Quando chegar descansará.
Prof Eta
Eheheheheh...
EliminarNem a cenoura, Poeta,
Porque já modificada,
Vê sua missão completa
Quando essa fome é danada
E a "prole", embora dilecta,
Não descansa mesmo nada
Porque a "coisa" é tão concreta
Que até parece traçada
Para fazer, do planeta,
Uma esfera atormentada
Por estratagemas "da treta",
E "joguinhos" de bancada
Gerados por mão secreta,
Mas muito bem descansada...
Maria João
Cá está o que me ocorreu assim de repente, Poeta.
Abraço grande!
“Marca registada”
ResponderEliminarDeixo aqui minha marca
Registada no coração
Não sei quantos abarca
Mas por certo alguns serão
Nela minha alma embarca
Viagem não será em vão
Subindo a bordo da barca
Onde todos embarcarão
Por isso a marca importa
Seja registada ou não
Deve ter muito sucesso
Vendida de porta em porta
Passada de mão em mão
Não importa o processo.
Identidade e não marca!
EliminarDirei eu, por ser avessa
À conotação, bem parca,
Que a própria marca atravessa
Sempre que este mundo "encharca"
Com sua dúbia promessa
De ser mais "chique" e, na Barca
Não haver quem não a peça...
Coisas dos endinheirados
- porque as marcas custam caro... -
Que me vão dando cuidados
Não por mim, que nem "declaro",
Mas porque há muitos coitados
E com todos me deparo...
Maria João
A sua identidade, Poeta, recebo-a sempre com todo o meu coração... mas... uma marca?... desculpe-me, porque a verdade é que eu penso que sou "alérgica" a "marcas" - e a modas... - com tudo o que elas vão fazendo de mau nas cabeças de tanta gente que não fala de outra coisa, que não "aspira" a outra coisa e que nem sequer sonha com outra coisa... penso que me consegue entender, embora eu saiba que não sou lá muito comum, nestas coisas...
Um abraço muito grande!
É difícil "poetar" com essa maestrina do soneto.
ResponderEliminarHoje estou sem inspiração, mas alegro-me a vê-la produzir este rico soneto.
Por oportuno, preciso adquirir dois volumes do vosso livro quando interpretais Florbela Espanca.
Como estou no Brasil preciso do endereço para remeter o valor dos livros mais as despesas postais para o envio, cuja remessa farei pelo correio.
Cordialmente,
Adílio Belmonte
Belém - Pará - BRASIL
Poeta amigo Adílio Belmonte, nunca escondi de ninguém que, conhecendo bem o soneto desde os meus primeiros anos de vida, levei exactamente cinquenta e cinco anos a ganhar a coragem para o começar a escrever
EliminarAntes disso, pensava que o soneto era mesmo só para génios, rsrsrsrs...
Foi em Abril de 2007 que, sem que eu possa explicar muito bem como, de repente me começou a surgir mentalmente um verso em decasílabo heróico e não consegui parar de o desenvolver, como se todos os "medinhos" que antes tinha se evaporassem de repente...
Fiz muita asneira e desafinei muito, no início; certo é que também escrevi, em segundos, alguns sonetos muito bons sob todos os aspectos, mas... outros eram francas "desafinações poéticas". Levei cerca de cinco anos de trabalho diário até deixar, de vez, de desafinar. Soneto, querido amigo, exige talento, mas também muito, muito trabalho. Se me perguntar se valeu a pena, eu, sem hesitar, responderei que sim. Valeu MESMO todas as penas e não lamento um único segundo do tempo e das energias que com ele gastei.
Quanto ao seu desejo de aquisição de dois exemplares do "Almas Gémeas" que tem estado na posse do poeta Joaquim Sustelo uma vez que foi ele, bem como o poeta Albertino Galvão quem me ofereceu a edição do livro, sei que, em breve, terei comigo uns poucos exemplares que ainda não foram vendidos, mas como não tenho nem sequer conta bancária, enviar-lhe-ei o IBAN do Joaquim Sustelo, pois não vejo outra forma de me fazer chegar o pagamento - 10 euros por cada exemplar, incluídas as despesas de envio.
IBAN PT50 0033 0000 500 884 32 328 05
Todos os exemplares se têm vendido da seguinte forma; o/a amigo/a comprador/a faz a operação de transferência bancária e, assim que a quantia indicada entra na conta referida, o Joaquim Sustelo envia o livro para a morada - endereço postal - que um de nós recebeu via email. O problema maior será mesmo não ter o seu endereço electrónico, segundo creio... deixo-lhe aqui o meu m.joao-bsousa(arroba)sapo.pt e peço-lhe que me envie, por mail, o seu endereço postal para que um de nós possa garantir o envio após recepção da quantia indicada acima.
Caso prefira, como referiu, enviar o dinheiro por vale dos correios, vou também precisar do seu endereço electrónico - email - para lhe poder enviar o meu endereço postal (morada) pois não me parece muito prudente deixá-la aqui, num espaço tão visível.
Muito grata lhe fico, poeta Adílio Belmonte, e envio-lhe o meu forte abraço poético!
“Paralelas”
ResponderEliminarNesta vida paralela
Às vidas que andam aí
Porquanto me esqueci dela
Quase a vida não vivi
E se a vida secundar
Ainda muito hei-de viver
Porquanto possam pensar
Não irei a vida esquecer
Nas parábolas da vivência
Tenciono ainda circular
Em espirais d’ascenção
Com toda a pertinência
Posso ver-me a contornar
A vida sem que haja razão.
Sonetilho de Coda
EliminarTransversal ou paralela,
Seja a vida o que ela for,
Julgo haver razão pr`a ela
Pois sempre a razão deu flor,
Embora eu diga, à cautela
- porque guardo algum pudor... -,
Que a Vida é muito mais bela
Para quem lhe dá valor...
Eu bem sei que há cabecinhas
Que acreditam no que querem
Sem qualquer distanciamento
E que nunca estão sozinhas
Porque as frases que proferem
Sempre conferem alento
Coda
Mas, se essas frases não ferem
Nem me retiram talento,
Dou-lhe, em dobro, o que elas derem...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre, o sonetilho de coda que me ocorreu