PENDE DE CADA ANZOL UM PEIXE VIRTUAL

Pieter Bruegel, 1557.jpg


PENDE DE CADA ANZOL UM PEIXE VIRTUAL
*



(Em verso alexandrino)
*



Amo o azul do mar, o verde da planura


E quanto da lonjura alcança o meu olhar...


Serei escrava de um lar que no mar se procura


Enquanto esta loucura assim me subjugar
*


 


E, sem me rebelar, nem fraca, nem perjura,


Ainda que imatura aceito este invulgar


Destino de varar um mar que só me augura


Os ventos da ventura em que hei-de naufragar.
*


 


Ao longe, pedra e cal, brilha um velho farol,


Branco como um lençol todo tecido em sal


E se me saio mal porque um raio de sol
*


 


Derrete e faz num fole esta rota ideal,


Há colisão real dos estros sem controle;


Pende, de cada anzol, um peixe virtual.
*


 



Maria João Brito de Sousa - 15.06.2020 - 16.09h


 


Gravura de Pieter Bruegel retirada daqui


 

Comentários

  1. De tão forte
    Nem sei como comente...

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    Respostas
    1. Nasceu-me assim, Rogério...

      Creio que o muito que me falta em força física me vai sobrando em força anímica...

      Abraço

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  2. O sol brilha na sua fantasia
    por isso às rimas mais que ninguém
    deixo um bom dia com alegria

    Beijinhos

    ResponderEliminar

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