AURORA

Aurora.jpg


AURORA
*
(Soneto em verso alexandrino)
*



Porque a vida não pára e o mar é tanto ainda,


Assim que noite finda, renasce a manhã clara


Sobrançando a antepara assim que a vela guinda;


Como será bem-vinda e como nos é cara!
*



Como é preciosa e rara assim que se deslinda


E a sorrir nos brinda enquanto nos prepara


Pra quanto nos separa em estando desavinda;


A aurora na berlinda e nós correndo para
*



A luz com que nos cinda assim que nos beijar...


Já esmaece o luar onde o sol vai espreitando


A barca sem comando ainda a flutuar
*



À deriva num mar nem sempre azul e brando;


Que remador, remando, a pode impulsionar


Se a aurora demorar e a luz lhe for faltando?
*


 



Maria João Brito de Sousa - 18.03.2021 - 10.08h

Comentários

  1. Uauh! Lindíssimo!
    Abençoada Musa! Muita Saúde.

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    1. Muito obrigada, Francisco.

      Desejo-lhe um feliz Domingo com muita saúde e muita inspiração

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  2. Brancas nuvens negras20 de março de 2021 às 14:20

    Um dia atrás do outro. Parece tudo tão rápido e repetitivo.
    Um abraço, saúde.
    Bom fim de semana.
    L

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    1. É bem verdade que o tempo parece viajar a jacto, L. E num jacto no qual as janelas foram substituídas por um cenário fixo...

      No entanto, quando estive com a queratite e fiquei tão cega que nem sequer podia ler ou escrever, o tempo parecia-me tão, tão lento que me era difícil acreditar que os dias continuassem a ter 24 horas e as horas 60 minutos.

      Saúde e outro forte abraço

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  3. Boa noite, Maria João
    Fui pesquisar o que era um "soneto em verso alexandrino", além de me parecer muito difícil, confesso que depois da descrição longa que li, não percebi quase nada.

    Um beijinho

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    Respostas
    1. Ui, Blue Bird, agora fiquei sem saber se deva, ou não, tentar explicar-lhe o que é um verso alexandrino...

      Sabe escandir poesia? Se souber, diga-me porque talvez eu lhe consiga dar umas luzinhas sobre o mais complexo dos versos metrificados. É que o Alexandrino não é mesmo nada fácil, não. Além do mais, é traiçoeiro, porque nem todos os versos dodecassilábicos são alexandrinos; para o serem, é essencial que se dividam em dois perfeitos hemistíquios hexassilábicos que configurem uma frase/verso com sentido lógico.

      Outro beijinho grande

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    2. Minha querida Maria João,
      Cada vez tomo mais consciência que nada sei sobre poesia, escrevo qualquer coisa a que chamo tentativas poéticas, mas estes conceitos todos, lamento, só com aulas ao vivo consigo, quem sabe um dia
      obrigada, beijinho

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    3. Não é bem assim, Blue Bird

      A boa poesia metrificada exige, efectivamente, não só talento como profundos conhecimentos de métrica (a melodia dos poemas metrificados é criada a partir da posição das sílabas tónicas e átonas) , mas há muito boa poesia de verso livre e verso branco que apenas exige "ouvido", talento e criatividade...

      Uma coisa é essencial; ter talento " de ouvido". Vou dar-lhe o exemplo do nosso grande poeta popular António Aleixo que mal sabia escrever e era um mestre da métrica, tendo escrito pelo menos dois sonetos em decassílabo heróico, por cuja perfeição métrica eu própria respondo.

      Mas se eu ainda por cá estiver quando esta "coisa" aliviar, fico à sua disposição. Poderá sempre recorrer ao Rogério se eu, por motivos de saúde, me vir obrigada a afastar-me do computador.

      Um grande beijinho

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    4. Minha querida Maria João, desculpe o desabafo, mas também sinto que as forças me vão faltando.
      Hoje estou com uma dor de cabeça terrível, luto todos os dias para me manter à tona, mas quando a saúde não ajuda, não é fácil como infelizmente também sabe.
      Um dia de cada vez, e uma vez mais obrigada, pela sua generosidade e disponibilidade.

      Abraço apertado

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    5. Não tem nada que me agradecer, Blue Bird; considero que quem tem um nadinha de conhecimento sobre alguma matéria, por pouquinho que seja, tem o dever moral de o partilhar com o próximo. E fá-lo-á, certamente, com muito prazer, também.

      Vamos então continuar a conquistar a pulso os nossos dias, sempre dando o nosso melhor.

      Muita força, Blue Bird!

      Abraço apertado

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  4. "À deriva num mar nem sempre azul e brando;
    Que remador, remando, a pode impulsionar
    Se a aurora demorar e a luz lhe for faltando?"

    Poeta, nada de procurar remador
    pois tudo de um colectivo
    e de um rumo a dar à barca
    que faça algum sentido

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    Respostas
    1. Com todo o respeito, meu Capitão, lhe afirmo que conheço este meu mar interior- a poesia - melhor do que ninguém

      Reconheço, porém, que cada remador me é preciosíssimo e que, de quando em quando, necessito de quem fique ao leme para que eu possa descansar um pouco, que já me vai pesando remar de sol a sol...

      Esta minha modesta Barca está e estará sempre ao serviço do Colectivo.


      Forte abraço

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