A FLORESTA - Reedição

PÃ E A GRAVIDADE DA MAÇÃ VERDE - 1999.jpeg


A FLORESTA
*



Pintei, numa floresta, cogumelos


E árvores azuis, como Gauguin,


Preenchendo as neblinas da manhã


De violetas e de ocres muito belos
*



Fui colorindo o fundo de amarelos,


Sentei-me com Diana, abracei Pã,


Comi o verde polme da maçã


E entrancei folhas de hera nos cabelos...
*



Não houve nenhum sol, nenhuma lua


Que ousasse reclamar-me a sua posse,


Ou me reivindicasse o seu destino
*



Porque ela, omnipresente, agreste e nua,


De aspecto inacabado e sabor doce,


Foi fruto de um soneto em desatino
*


 


Maria João Brito de Sousa


25.09.2009
***


(Poema escrito para a Fábrica de Histórias e reformulado a 20.05.2015 -13.22h)

Comentários

  1. Um poema que é uma pintura e uma pintura muito adequada ao poema. Num caso e noutro podemos ver as cores. Tudo obra sua.
    Um abraço.
    L

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    1. Obrigada, L.!

      Sim, foi tudo obra minha, exceptuando a fotografia da tela que foi tirada e digitalizada por Vítor Martinez. Há muito que deixei de me atrever a exprimir-me sobre tela, madeira ou papel montado em madeira...

      Outro abraço

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  2. Muito bonito!
    Boa tarde, Maria João!
    Um abraço.

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  3. Gosto tanto deste soneto como amo as florestas alemãs 🌳

    Como vai a Mistral? Uma carícia minha para ela.

    Abraço forte e solidário da amiga de sempre.

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    1. Viva, Teresa :)

      A Mistral está a melhorar muito devagarinho... é preferível que assim seja porque se aumentarmos ainda mais a dose de insulina, corre o risco de, de repente, entrar em choque hipoglicémico e morrer antes de ter tempo de chegar ao hospital veterinário. Mas, apesar de continuar a fabricar oceanos de urina, já está mais vivaça e até já vai dando uns passeios pela casa...
      Não posso é deixar de lhe injectar um décimo de ml de insulina de manhã e outro à noite, para além de soro fisiológico subcutâneo para ajudar a eliminar as doses maciças de açúcar no sangue.
      A sua carícia ser-lhe-á entregue :)

      U grato abraço

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