UM SONETO À RESISTÊNCIA - Reedição
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UM SONETO À RESISTÊNCIA
*
Neste meu lugre-escuna – ou é jangada? -
Vou resistindo enquanto vou podendo
E devo-vos dizer que me não vendo
Porque por preço algum serei comprada
*
Nem esta embarcação será tomada
Porque sou frágil mas nunca me rendo
E o verso é sempre a amarra a que me prendo
Enquanto dela sobre um quase nada...
*
Venho falar-vos desta força imensa,
Que tremeluz e tanto mais se adensa
Quanto mais vai teimando em resistir,
*
Que me flui no sentir, mas que se pensa,
Que mesmo naufragada, exausta, tensa,
Emerge e nada em vez de desistir.
*
Maria João Brito de Sousa
09.04.2015 – 14.11h
***
E já estamos na resistência.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Sem dúvida, L., sem dúvida, por muito que nos doa lembrá-lo.
EliminarUm abraço
Vinha à procura do diálogo em castelhano com Camões e encontro RESISTÊNCIA.
ResponderEliminarGostei de ler o soneto e o autor de JANGADA é o seu avô portuense, não é verdade.
Volto amanhã e por agora, digo boa noite 😴
Bom dia, Teresa!
EliminarSim, o autor de "Jangada" é o meu avô poeta e portuense.
Deixo-lhe aqui o link para o Camões Castelhano que perdeu por poucos minutos
https://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/dialogando-com-camoes-no-seu-943174
Um abraço
Mas sem trincheiras
ResponderEliminarBom e belo dia em harmonia e boas rotinas MJ, beijinhos
Bom dia,
EliminarA resistência, a menos que se trate de um qualquer pelotão a quem tenha sido dada a ordem de não retirar, não costuma usar trincheiras...
Estou a lembrar-me dos "paysans", em França, durante a ocupação nazi...
Hoje vai ser um dia complicado, para mim. Mas tem de ser .
Beijinhos
Maria João
ResponderEliminarReeditado, mas sempre actual.
Belíssimo soneto.
Abril e seus cravos, sempre!
Boa semana.
Um beijo
:)
Olá, Piedade
EliminarSim, continua actual e é, para muitos de nós, cada vez é mais "preciso, imperioso e urgente" resistir.
Obrigada e um beijo
" A palavra é uma arma"
ResponderEliminarBoa tarde, Maria João!
Um abraço.
Ai que estas notificações saíram do meu campo visual, peço desculpa.
EliminarSim, Cheia, pode muito bem ser uma arma quando a arma faz falta e uma flor, quando a sua beleza nos apetece.
Abraço
Esse ultimo verso Maria João, pura resistência poética.
ResponderEliminarDeixei me levar pela corrente resistente deste bonito soneto
Abraço cúmplice
Obrigada, Cúmplice!
EliminarAcredito que, exceptuando o longo período que antecedeu Abril de 1974, nunca nos foi tão imperioso resistir. E estar alerta.
Das duas uma: ou endurecemos a sério, ou recuamos até ao que julgávamos impossível poder recuar.
Abraço cúmplice