UM SONETO À RESISTÊNCIA - Reedição

JANGADA - António de Sousa, Alice Brito de Sousa.jpeg


UM SONETO À RESISTÊNCIA
*


 


Neste meu lugre-escuna – ou é jangada? -


Vou resistindo enquanto vou podendo


E devo-vos dizer que me não vendo


Porque por preço algum serei comprada
*



Nem esta embarcação será tomada


Porque sou frágil mas nunca me rendo


E o verso é sempre a amarra a que me prendo


Enquanto dela sobre um quase nada...
*



Venho falar-vos desta força imensa,


Que tremeluz e tanto mais se adensa


Quanto mais vai teimando em resistir,
*



Que me flui no sentir, mas que se pensa,


Que mesmo naufragada, exausta, tensa,


Emerge e nada em vez de desistir.
*



Maria João Brito de Sousa


09.04.2015 – 14.11h
***

Comentários

  1. Brancas nuvens negras23 de abril de 2024 às 01:03

    E já estamos na resistência.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sem dúvida, L., sem dúvida, por muito que nos doa lembrá-lo.

      Um abraço

      Eliminar
  2. Vinha à procura do diálogo em castelhano com Camões e encontro RESISTÊNCIA.
    Gostei de ler o soneto e o autor de JANGADA é o seu avô portuense, não é verdade.
    Volto amanhã e por agora, digo boa noite 😴

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom dia, Teresa!

      Sim, o autor de "Jangada" é o meu avô poeta e portuense.

      Deixo-lhe aqui o link para o Camões Castelhano que perdeu por poucos minutos
      https://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/dialogando-com-camoes-no-seu-943174

      Um abraço

      Eliminar
  3. Mas sem trincheiras
    Bom e belo dia em harmonia e boas rotinas MJ, beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom dia,

      A resistência, a menos que se trate de um qualquer pelotão a quem tenha sido dada a ordem de não retirar, não costuma usar trincheiras...

      Estou a lembrar-me dos "paysans", em França, durante a ocupação nazi...

      Hoje vai ser um dia complicado, para mim. Mas tem de ser .

      Beijinhos

      Eliminar
  4. Maria João
    Reeditado, mas sempre actual.
    Belíssimo soneto.
    Abril e seus cravos, sempre!
    Boa semana.
    Um beijo
    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, Piedade

      Sim, continua actual e é, para muitos de nós, cada vez é mais "preciso, imperioso e urgente" resistir.
      Obrigada e um beijo

      Eliminar
  5. " A palavra é uma arma"

    Boa tarde, Maria João!
    Um abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ai que estas notificações saíram do meu campo visual, peço desculpa.

      Sim, Cheia, pode muito bem ser uma arma quando a arma faz falta e uma flor, quando a sua beleza nos apetece.

      Abraço

      Eliminar
  6. Esse ultimo verso Maria João, pura resistência poética.
    Deixei me levar pela corrente resistente deste bonito soneto
    Abraço cúmplice

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Cúmplice!

      Acredito que, exceptuando o longo período que antecedeu Abril de 1974, nunca nos foi tão imperioso resistir. E estar alerta.
      Das duas uma: ou endurecemos a sério, ou recuamos até ao que julgávamos impossível poder recuar.

      Abraço cúmplice

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

SONETO - 8

NAS TUAS MÃOS

MULHER