SONETO DA EFEMERIDADE - Reedição

soneto da efemeridade (1).png


Imagem processada pelo ChatGPT


*


SONETO DA EFEMERIDADE
*



Prometo ser-te fiel por dez segundos


E dar-te amor num frasco de compota;


Prometo-me inteirinha numa gota


De um simulacro de órbitas e mundos
*



Prometo um brilho de astros moribundos


Numa galáxia próxima ou remota,


Mas não te juro não fazer batota


Nem te prometo afectos mais profundos
*



Queria dar-te um anel feito de luz


Mas não me lembro, amor, onde é que o pus...


Que nome me disseste que era o teu?
*



Não te oiço, continuo de passagem...


Vou fazer outro "upgrade" à minha imagem,


Estou a desconectar o velho Eu.
*


 


Maria João Brito de Sousa


 


29.10.2021 - 07.30h


***


SONETOS DA MATRIX


+


Soneto ligeiramente modificado

Comentários

  1. E já temos luz MJ embora o desconforto para alguns.
    Coisas que Vêem por bem, para colmatar tal dependencia
    e pensar... Beijinhos e um belo dia

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sempre optimista, , rsrsrs

      Muito estúpidos seríamos todos nós se, antes do apagão, ainda nos não tivéssemos apercebido de quão dependentes nos tornámos da energia eléctrica e da informática...

      Para mim foi o cabo dos trabalhos por causa da insulina da Mistral que tem de estar no frio a uma temperatura constante. Como o vet e as farmácias estavam com o mesmo problema, julgo tê-lo resolvido com um improvisozito: meti todos os frascos de insulina no congelador, que obviamente já não estava a congelar, e só o voltei a abrir para ir buscar as doses das injecções.

      Beijinhos e um feliz primeiro de Maio

      Eliminar
  2. Brancas nuvens negras29 de abril de 2025 às 12:58

    Brilhante soneto. Este é o nosso tempo escrito as suas palavras.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É isso mesmo, L.: uma espécie de radiografia do presente e de um futuro muito próximo...

      Um feliz primeiro de Maio

      Abraço

      Eliminar
  3. Boa tarde Maria João
    Um soneto ousado e brilhante na sua ironia lúcida,a efemeridade aqui não pede desculpa, antes assume-se com graça, modernidade e desassombro. Entre upgrades de identidade e promessas enlatadas, a voz poética dança com leveza sobre a fugacidade dos afectos. Uma delícia!
    Gostei da foto gerada pela IA, faz sintonia com o soneto.
    Deixo um beijo
    :)


    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa tarde do primeiro de Maio, Piedade

      Como sempre, uma leitura que acerta em cheio na mensagem que pretendi fazer passar
      .
      Estou a começar a entender-me demasiado bem com a I.A.. Ou vice-versa, o que é , em simultâneo, delicioso e assustador...

      Um beijo

      Eliminar
  4. Brancas nuvens negras30 de abril de 2025 às 00:38

    Repito o meu comentário para correcção.

    Brilhante soneto. Este é o nosso tempo escrito nas suas palavras.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
  5. Promessas!

    Noite tranquila, Maria João.
    Um abraço.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas