A JANGADA


 


Eis a minha Jangada em Mar-Eterno!


As ondas que se amansem pois vou só...


A minh`alma fechada como um nó


Renunciou ao mundo em desgoverno...


.


Eis-me Navegador ou Marinheiro


E Náufrago por pura vocação!


O mar nunca me nega o meu quinhão


Dos versos que lhe engendro a tempo inteiro...


.


O meu destino é líquido, infinito,


(se não lhe encontro o fim, nunca o terá..)


Perpetuado em raios de luar


.


Porque me beija a lua enquanto a fito,


E aquilo que escrevi não morrerá


Enquanto a Lua-Mãe assim me olhar!


.


Desenho de Alice Brito de Sousa na capa do livro "Jangada" de António de Sousa,


Coimbra Editora, 1946.

Comentários

  1. É isso mesmo, minha amiga a nossa vida é um mar, umas vezes calmo, outras mais revolto, mas nós arranjamos uma jangada chamada »Esperança» que nos leva por esse mar dentro, sempre à espera que a nossa jangada nos leve a »Bom Porto».
    Eu esta semana ando nesse mar mais ou menos revolto, mas a minha jangada est à a chegar, espero eu, sem incidentes ao fim da viagem, e tem -se aguentado sempre no cimo das ondas. Até logo agora vou
    e depois tomar mais para a tarde faço-lhe outra visita

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    1. Obrigada pelas palavras, Linhaseletras. Só com muita serenidade e muita fé se chega a bom porto.
      Um abraço com muita amizade!

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  2. Fantástica, a metáfora encerrada nos teus versos... A vida é uma viagem por um oceano às vezes calmo, outras revolto, o fim não sendo vislumbrado, a memória podendo ser perpetuada em palavras...

    Votos de um magnífico fim-de-semana, amiga!

    Um beijo e um enormeeeeeee sorriso... :-)

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    1. Fantástica, também, a forma como tu consegues condensar um soneto inteiro numa única frase!
      Obrigada e bom domingo!

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  3. Olá mãe poesia,
    espero que estejas melhor!
    Não queria estar a repetir-me, mas este é um dos melhores que fizeste... e eles são tantos, Meu Deus!
    Encontra-se tanta paz naquilo que escreves, só pode ser mesmo vontade do Grande Arquitecto...
    Adorei este poema.
    Adoro-te, minha mãe poesia!

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    1. Tamb´m tu, minha metáforazinha, me deixas sem palavras? Ora vai lá contar à tua princesinha o soneto do ovinho...
      Beijinho!

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  4. Arrepiaste-me o que é difícil... que soneto tão brilhante, tão cheio de saber viver... adorei a frase do náfrago e de as ondas que se acalmem esejam tranquilas. Nascemos e morremos sós, temos que valorizar apenas as pessoas que se cruzam connosco no caminho. Porque interessa é saber gostar de si e só assim se saberá gostar de quem nos rodeia e nos quer bem.

    Lembrei-me de uma mensagem de ano novo que mandei a alguém que se sentu ofendido e não a compreendeu e todos os dias erra apenas porque n sai de si próprio para entender os outros e era uma mensagem tão simples...

    " Trata os outros cmo gostas de ser tratado."

    Mas não podemos gritar a vida inteira se nem o silêncio entendem...

    Abracinho e obrigada por partilhares connosco a tua pessoa, porque tu não fazes poesia...tu és poesia:)

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    1. Essa foi forte ZoOm! Deixaste-me AzAmBoAdA com essa frase... ser poesia é uma das minhas mais loucas aspirações...
      Estou sem palavras. Mesmo. E olha que também é díficil...
      Beijinho e obrigada.

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  5. O comentário anterior é meu ( as asneiras que faço por ir ver de antigos blogs...)



    Gostei imenso do desenho :)

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  6. Para ti Amiga o mar nunca é revolto, porque tanta beleza que escreve, só pode ser um mar calmo e transparente.

    As melhoras Bjs

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    1. Mas hoje estão a deixar-me! Tantas palavras bonitas! Obrigada, Maria!

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  7. Somos todos marinheiros ao leme da vida que avança ao sabor da ondulação, sempre com vontade de chegar a bom porto!

    Beijinho e abraço!

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    1. Esqueci-me de lhe dizer que se ainda não viu, a resposta ao seu comentário no meu blog, ficou no final de todos. O sapo deve-se ter constipado!

      Abraço

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    2. Somos mesmo, Blue Eyes! Todos temos um pouco de mar dentro de nós!
      Abraço e um bom Domingo!

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    3. Ó Blue, não vi, não. E não sei que se passa. Não me deixam sentar no Banquinho!

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