EU, A RIBEIRA


 


Pequena, alegre e sempre sonhadora,


Nunca fui importante... isso que importa,


Se o vosso olhar me vem bater à porta


E fica preso a mim, se em mim demora?


 


De muito pequenina, eu passo agora


Ao fio d`água que galga uma comporta


E é sempre o vosso olhar quem me conforta,


O vosso meigo olhar quem me enamora...


 


E fico, embora vá... nem sei explicar...


Sou una e dividida em vidas mil,


Ou força que se apressa e segue em frente,


 


Que o destino, afinal, é sempre um mar


Tão extenso quanto um céu de azul-anil


Que  abraça a terra em flor, enxuta e quente...


 


Maria João Brito de Sousa - 28.04.2008 - 11.15h


 


Na foto - Ribeira da Lage, junto ao Palácio Marquês de Pombal - Oeiras


 


 

Comentários

  1. Olá, amiga poetisa:

    Fantástico! Confesso a minha saudade de ler os seus poemas, apesar de não ter muito tempo. Ainda estou a ambientar-me com o pequenote.

    abraço

    António



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    1. Olá Poeta! Também eu tinha saudades das suas visitas!
      Um abraço para si e para o filhote!
      Maria João

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  2. E essa ribeira ainda escapa à destruidora poluição?

    Beijinho e um bom dia!

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    1. Bom, já se vai fazendo alguma coisa por isso... agora já lá se vêm carpas aos cardumes. Há poucos anos atrás era uma verdadeira desgraça! Nem as sanguessugas conseguiam lá viver... mas há sempre uns "iluminados" que se lembram de atirar pneus e sacos de plástico para a água. Mas nota-se que a Câmara investiu na reabilitação da ribeira, o que me parece muito louvável e digno de menção. Não sou daquelas pessoas que só gostam de dizer mal. Quando uma coisa é bem feita eu gosto de aplaudir! Agora é só pedir um pouco mais de investimento na limpeza, para que a Ribeira da Lage possa continuar a ser um colírio para os olhos dos oeirenses!
      Um abraço meu e outro da Ribeira!

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  3. Tal como na Natureza o fio de água segue o apelo da mar, também em ti o fio de tuas maravilhosas palavras segue o percurso de nosso coração.
    Beijinho

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  4. Bonito poema somos sempre tantos que até o eu se perde e reconstrói. Ia quase embicando q era o riozito q passa no jardim de Oeiras mas dps vi melhor e descobri a legenda.

    Oeiras podia ainda ser mais limpa, mas temos um dos melhores autarcas do país fora o que corre nos Tribunais.

    Os jardins da cidade ainda são muito menosprezados pelos senhores de animais que não respeitam os outros cidadãos, felizmente já se vai vendo qeum tenha o mesmo cuidado que em casa e limpe o que suja na via pública.

    Abraço Maria João e viva a nossa Poeta que continuamos em festa pelo merecido 1º prémio no Concurso de Poesia :) já fui espreitar!

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    1. Acho que somos muitos e muitas coisas, sem que tenhamos de perder a identidade. Eu, em momentos de contemplação, deixo-me deslumbrar ao ponto de me sentir parte diferenciada de um todo magnificamente vivo. Aos cinco ou seis anos não saberia dizê-lo com estas palavras, mas já o sentia em mim.
      Em relação ao "riozito que corre em Oeiras", é este mesmo. Eu sempre o ouvi chamar de Ribeira da Lage, daí a legenda. Acho que esta ribeira sempre fez parte de mim, por isso me sinto feliz por ver que voltou a ter carpas, como na minha infância. Mais um esforçozinho e poderemos dizer que a ribeira está reabilitada, já vive e já respira...
      Beijinho grande!

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  5. Olá Amiga!
    Neta de poeta... Espectacular soneto! Força!
    Abraço apertado! António

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    1. Obrigada meu amigo!
      Olhe, soube hoje, ao aceder à página da APP,
      que a minha palestra-homenagem, já foi muito divulgada. Tenho de preparar uma sinopse e fazer uma boa escolha de poemas.
      Só agora começo a ter pena de não ter uns aninhos a menos, só para aguentar o ritmo...
      Abraço!

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  6. Que bonito que é escrever um soneto dedicado à sua ribeira , espero que a consigam manter limpa e despoluída para regalo dos olhares que nela se perderem.
    É sempre agradável morar ao pé de algum curso de à gua, eu tenho esse privilegio porque da minha janela vejo o Rio Tejo, neste momento estou a escrever e a ver o Tejo.
    Agora vou jantar, até logo

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    1. E eu vejo o ponto onde o Tejo encontra o Atlântico. É um bocadinho distante, mas como moro num andar alto, vejo esse pedacinho de Tejo e Mar.
      Obrigada pelas suas palavras, minha amiga.
      Um beijinho e uma boa noite.

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  7. És ribeira?
    Um dia chegarás também ao mar.
    É lá que eu estou, sentada numa rocha à tua espera.
    Beijinho

    Menina do mar
    (que saudades que cheirar a maresia!)

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    1. Bom, Menina do Mar, eu estava só a animizar a ribeira mas confesso que às vezes sinto que faço parte dela... se os munícipes respeitassem um pouco mais esta ribeira ela seria, sem dúvida, um magnífico ponto de atracção turística. Mas pelo menos já voltou a ter muitas carpas! E patos reais!
      Havias de me ver, feita parva, sobre a ponte, a "conversar" com eles...
      Beijinho!

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  8. O murmúrio de uma ribeira canta-nos canções ao ouvido, com palavras que só alguns entendem e que por isso obtêm delas imaginação suficiente para as alinhar de uma forma única.
    Eis aqui esse testemunho!

    Pequena, alegremente sonhadora...

    Nunca fui importante... e que me importa,

    Se o vosso olhar me vem bater à porta

    E se se perde em mim, se se demora?

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    1. Meu amigo João, é isso mesmo! As minhas memórias de infância estão cheias de pequenos cursos de água. Sempre os amei, ouvi e entendi.
      E outros haverá que saberão sentir a maravilha que pode ser uma ribeira de águas límpidas... sabe tão bem escrever junto à ribeira, ouvindo o rumorejar das águas...
      Obrigada!

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