NÓS, OS MISERÁVEIS
ABRAHAM MASLOW E A HIERARQUIA DAS NECESSIDADES
Temos a força urbana dos cativos
Na liquidez da noite atormentada,
Assim que o sono vence à beira-estrada
A nossa condição de mortos-vivos.
Nós somos quem invade os teus sentidos,
Quem te estende uma mão como a facada
Que mata o irmão certo à hora errada
Na esp`rança de uns consolos desmedidos.
Nós somos quem respira um ar que é "teu",
Quem come os teus detritos no caixote,
Quem te transforma o sonho em pesadelo;
Somos a multidão que converteu
A mais louca ambição de D. Quixote
À fome de que Sancho é bom modelo...
Maria João Brito de Sousa - 01.06.2008 - 11.44h
Imagem retirada da Internet
Sem título no ser
ResponderEliminarSou ventre da vil fúria dum vulcão,
Sou malga da muralha de ser forte,
Sou folha que esvoaça sem ter norte;
De fria cor enfeito o coração.
Cálice derramado pelo chão...
Sou lírio de mãos dadas com a morte,
Sou rosa que se queda em pouca sorte,
Sou manta de retalhos da ilusão.
Sou hortênsia de pranto e nostalgia...
Peça de fogo que arde noite e dia
E choro, choro até encher o mar.
De dentro do meu peito ondas e bruma
Naufragam numa tela uma a uma,
Num traço de mil cores a soluçar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Este deixei aqui em primeira mão porque ao acabá-lo pensei em ti. Só tu saberás o desenho que poderá encimar esta criação matutina. Imagino um quadro dos teus. Não sei se já te disse mas adoro os teus quadros, que só por si são o soneto do dia.
Ao contrário do que possa parecer, a minha criação só sai assim quando estou triste e é das que gosto mais.
Só o desenho é que é alegre porque o misto de cores sobressai. Imaginas qual será o quadro?
Bom Domingo e adoro os teus sonetos. O poeta Bernardo Trancoso acho que ia gostar de os ter no seu espaço.
Ó minha querida Azoriana! Mas este soneto está um primor, msmo a nível métrico! Em verso heróico e tudo! Devias tê-lo guardado para o Prémio Bocage! É um magnífico soneto, em qualquer parte do mundo! E tu já "apanhaste" o ritmo da métrica! És uma tonta se não concorreres!
EliminarOra, quanto ao quadro... penso que será aquele que tem o título em inglês, o suícidio da baleia cor de rosa... mas também podia ser "A tecedeira de barcas"... acertei?
Olha, não sei se já te disse, mas fu contactada pela Editora Papiro, que quer publicar um livro meu, mesmo sem que eu tenha dinheiro... neste momento, nem para comer, mas adiante, que eu não vim aqui para carpir as minha mágoas materiais... por isso estou sem tempo NENHUM para fazer, sequer, as minhas visitas e já me vejo aflita para respnder aos comentários... sobretudo porque o maluco do computador anda a desligar-se por tudo e por nada! Vou ter de estruturar duzentos sonetos prontos para orçamento na gráfica e amanhã tenho outra consulta médica! Adoraria visitar o Poeta Bernardo Trancoso, mas, neste momento, estou mesmo sem tempo!
Só tenho pena de que estejas triste... eu tamb´m escrevo quando me sinto feliz! Mas cada poeta escreve à sua maneira e, para o meu avô, a tristeza também era uma musa...
Um abraço de cometa para ti, ó Sonetista! E vê se guardas isso para o Prémio!
Obrigada amiga pelo conselho e por incentivares a concorrer. Pessoalmente não gosto de concursos porque sinto uma exigência maior. O meu maior prazer é escrever num repente. Escrever a saber que é para algum júri apreciar, normalmente, não tenho sorte.
EliminarTal como tu estou numa penúria financeira que gera inquietação mas não ver ser com concurso que vou me equilibrar.
O facto de uma editora te solicitar os sonetos para publicação acho isso muito melhor porque divulga a tua obra que é de muito valor. A mim duvido que alguém me faça isso.
Uma coisa é certa, já fico feliz com um comentário como o teu.
Cuida de tudo e da tua saúde. Não precisas te preocupar em responder, eu sei que atravessas uma fase difícil, mas milagres acontecem.
Beijinhos
Era isso mesmo que eu estava a dizer no comentário anterior! Desta vez preciso mesmo de um milagrezinho!
EliminarMas o que eu disse deste teu soneto foi muito sentido! É um dos sonetos mais bonitos que já li!
Faz como eu e esquece que vai ser lido por um júri!
Fá-los para ti e para os teus leitores e lembra-te de que podes sempre pô-los no teu blog depois de teres ou não, ganho o concurso...
Eu estou à espera de ganhar uns Jogos Florais para o mês que vem! É uma questão de sobrevivência...
Abraços e coragem!
Nem mais amiga...
ResponderEliminartalvez o teu soneto acorde as injustiças que gerem o mundo
e que dá nisto
Nós somos quem respira um ar que é teu,
Quem come os teus detritos no caixote,
Quem te transforma o sonho em pesadelo!
fica bem
nota:
porque não aumentas para 12 o tamanho das letras dos comentários?
É QUE UM CEGUETA TEM DIFICULDADE
Amigo Fernando, obrigada pela visita! Vou tentar aumentar o tamanho da letra... se ainda me lembrar como isso se faz...
EliminarUm abraço!
Olá mamã!
ResponderEliminarAndas a dar forte e feio. De repente parece que pareceu aí uma nova espécie animal que nos incluiu na cadeia alimentar.
Um beijo com abraço acoplado
ai! E não é que tens razão? Acho que estas duas últimas publicações andam demasiado transparentes e reflectem a situação de extrema dificuldade financeira em que , mais do que nunca, me encontro! Não gosto de ser tão dura... mas de vez em quando acontece-me "espernear" e mostrar o meu lado humano que precisa mesmo de sobeviver... por enquanto. O meu lado que precisa desse mínimo dos mínimos que constitui a base da sorevivência, conforme ilustrado pela pirâmide de Maslow (na imagem).
EliminarEsquece. Hoje já escrevi um soneto todo ele espírito... embora a situação de catástrofe iminente continue a progredir...
E não me perguntes que se passa porque eu, desta vez, não conto... só vou tentar acreditar que vai acontecer um milagrezinho...
Um beijinho de boa noite! Sonhos lindos para ti!
Rezo então pelo milagre!
EliminarE muita fé!
Um beijo!
A fé é o meu único tesouro!
EliminarBeijinho!
Lindo como sempre este seu soneto.
ResponderEliminarE como a vida se está a pôr, cada vez há mais motivos para se escrever sonetos com estes alertas
Boa noite
Estas coisas saem-me de vez em quando, quando começa a estar em causa a sobrevivência básica... o mundo nem sempre passa impunemente por nós e nós também não passamos impunemente por ele... escrevi-o a pensar nos outros e hoje publiquei-o a pensar em mim... este momento histórico está a ser difícil para todos...
EliminarUm grande abraço e muitas flores!
há muitos pobrezinhos por aí ... deixa lá
ResponderEliminarabraço
jmack
Só "deixo lá" enquanto não puder deixar de ser ... até porque, por muito estranho que te possa parecer, eu sou um deles...fome, daquela que nos deixa o estômago colado às costas, também a sei de cor...
EliminarUm abraço!