TUDO O QUE EU QUERIA...


 


Ainda a minha fome era criança,


Ainda olhos perdidos nas lonjuras,


Ainda não na espera, que as procuras


Se sobrepunham sempre à própria esp`rança.


 


Inda a vida girava numa dança,


Inda o corpo pedia outras doçuras,


Inda as formas instáveis, inseguras,


Inda os cabelos presos numa trança,


 


Já as mãos, incansáveis, me guiavam,


Entreteciam estrofes, desenhavam,


Perdidas na missão que lhes cabia


 


E, à noite, já meus olhos se cansavam


Sobre as palavras que os desafiavam


Como se fossem tudo o que eu pedia...


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 16.06.2008 -22.38h


 


 

Comentários

  1. A lembrar os tempos de menina? Também ás vezes dou comigo a lembrar esse tempos, e faz-nos muito bem, porque recordar é viver, e quanto mais recordar-mos melhor.


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    1. Assim é, minha amiga. Às vezes parece que foi ontem! Ainda recordo o cheiro das folhas de papel "Almaço" e "Cavalinho" que o meu avô me comprava... eo cheiro de que eu gostava mais era o das "aparas" de lápis. Cheiravam-me a madeira...
      Abraço!

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    2. Então com correu a sua consulta, espero que bem, e que esteja melhor.
      Parece incrível , mas é mais uma coisa que temos em comum, eu adoro o cheiro do papel, e se for a algum lado onde haja material escolar não resisto a comprar cadernos, lápis , e canetas, eu adoro canetas , e lapiseiras, mas já a minha neta Joana é a mesma coisa, se eu lhe quiser dar um presente dou-lhe uma caneta e sei que lhe vou agradar de certeza . Se eu pudesse tinha uma casa com muitos livros e todo o material para escrever.
      Até amanhã Um e uma

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    3. Minha amiga, dê à sua neta todo o papel canetas e lápis que possa adquirir! Isso é muito importante!
      Quanto à casa cheia de livros... bem, eu vivo numa casa cheia de livros. Sempre vivi "numa casa cheia de livros" e agora, por uma questão de saúde, tenho alguma dificuldade em limpá-los, mas paciência. Os seres vivos têm prioridade no tratamento e os livros não morrem por ter pó...
      Um grande abraço!

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  2. Olá mamã!
    O bichinho andava aí desde sempre, não é?

    Um beijo terno e um abraço de boa noite!

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    1. Olá "filhote"! O bichinho era tão forte, mas tão forte, que já nem sei se existo sem ele...
      Um grande abraço de cometa para ti!

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  3. Poeta, vim desejar a continuação das suas melhoras. Como eventualmente saberá estou a usar um PC que me emprestaram (o meu "velhote" ainda não regressou a casa) e não me entendo muito bem com as modernices todas deste.
    Espero que melhore depressa e bem.
    Beijinho

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    1. ai, Eva! Penso que o mesmo irá acontecer comigo! Já vi a Ki a trabalhar num e fiquei a olhar para aquilo como quem olha para os comandos de uma nave da NASA... vamos a ver no que tudo isto dá... espero que o seu "velhote" fique bom depressa e não tenha os desmaios que este tem...o que agora se passa com este, é que constantemente me aparece uma janela a dizer que o programa não está a responder e, a seguir, desliga-se. Depois de muitas reaberturas lá vai deixando fazer qualquer coisa até "desmaiar" de novo...
      Um abraço!

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  4. Olá Amiga

    Nada de PC novo ainda?!?!?!
    Vá ver se ganha o prémio que tenho no meu blog.
    Bjs

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    1. Ainda é cedo, Maria! A Comissão Pró Portátil deu dois meses de prazo e eu penso que só passou um...
      Vamos lá ver se eu consigo ganhar o prémio do teu blog...
      Beijinhos!

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  5. Que soneto lindo e que foto maravilhosa de uma menina com um sorriso luminoso!!! Fiquei enternecida... Agora vou imaginar-te sempre com esse sorriso!!!
    Bj da Jo

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    1. Agora estou velhota, mas o sorriso ainda por cá vai estando... quando dou de caras com o "Anómio" é que fico... mas é só para ver se o assusto...
      Beijinhos, Comandanta!

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  6. Fizeste-me voltar a ser criança com este soneto e....


    Dias que ficaram longe,
    deixados onde não se volta mais.
    Dias com a chuva no rosto,
    e não entender que a juventude passa.
    Dias no meio do milho,
    com os livros no chão e a ecrever poesia.
    E depois deixar-te à porta de casa...




    Bejuuuuuuuuuuuuuu e as melhoras

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    1. Engraçado...
      Ler este sonho de menina e ouvir o let it be cria um ambiente de "sentimento de concretização"...
      O teu sonho tinha asas e tu deixaste-o voar. :)
      Beijinhos e bom dia

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    2. Ai, "Cumpadri", eu também escrevia na eira, quando ia passar as férias à herdade do tio Lolo e da tia Clou... adorava levar os papéis e os lápis para a eira e ficar por lá a escrever e a desenhar...
      Havia quem dissesse que eu não era muito boa da cabeça, mas a verdade é que o "bichinho" da poesia e da pintura, já nasceu comigo...
      Um abraço daqui até às helvéticas brumas e um bêjuuuuuuuuuu!

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    3. Confesso! Confesso que não te linkei sózinha... foi a nossa Cafezinho que me guiou as mãos passo por passo... mas descobri que era a única maneira de te visitar...

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    4. Fui uma tonta, minha querida Metaforazinha... houve uma altura da minha vida em que o quis sufocar. Tentei prendê-lo como se não soubesse que "o sonho comanda a vida"... mas ele é bem mais forte do que nós, acaba por se libertar, haja o que houver!
      Um grande abraço de cometa para ti!

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    5. Olha Frágil, vou ter de te fazer as queixinhas todas daqui... este computador tirano não me deixa entrar no teu blog! De cada vez que eu lá vou ele desliga-se...
      Já fez o mesmo com o Banquinho, mas agora passou... e a verdade é que agora não consigo entrar pela porta principal do teu "cantinho"!
      Pronto PC! Já fiz queixinhas ao Frágil. O melhor é portares-te bem, senão ainda levas com um chaparro na cabeça!

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  7. e ainda hoje as palavras encantam e alimentam essa paixão desenhada em papel, fragil decerto mas que viverá por gerações...

    ate ja MJ!

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    1. As pessoas não costumam entender como é possível que eu pense no que irá acontecer aos meus poemas depois de estar morta, mas eu gostaria que eles me sobrevivessem... exactamente como tu dizes. Penso que o ser humano não cria as coisas só para as viver no momento e sim para as perpetuar muito além da sua morte física. Comigo sempre foi assim...
      Um grande abraço!

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    2. e eu espero que assim seja, que se mantenham vivas as tuas e a minhas palavras... sinal de que fizemos algo de bom nesta vida!


      um grande abraço,
      Luís

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    3. Perpetuar poemas! É tão bonito! E é tão gratificante saber que viemos ao mundo por alguma razão e que estamos a justificá-la da melhor forma...
      Um grande abraço para ti!

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  8. sorriso rasgado, olhar de sonhos.....és linda por dentro e por fora Mulher Coragem!
    Beijinhos

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    1. Olá Flor! Bem... por fora já fui... por dentro vou tentando ser...
      Um grande abraço para ti!

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  9. Em boa verdade vos digo...
    Tardei a descobrir a poesia da Maria João.
    Mas, com este soneto, vejo que o "mal" já vem de longe.
    Toda a felicidade do mundo par você e continue a sua luta, por um mundo mais poético, mais artístico.
    Bem haja pelas coisas lindas que escreve.

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    1. Muito obrigada José! Essa é, com efeito, a minha luta, mas nem sei se lhe deva chamar assim... tudo isso é inevitável e o que eu faço também é inevitável. Se o que criamos ajuda a tornar os outros um pouco mais felizes, também nós seremos felizes. Acredito que todas as coisas se completam por interacção e complementaridade natural. A felicidade é uma longa caminhada na qual a humanidade está, ainda, a dar os primeiros passos... isso é mesmo inevitável. Isso sempre foi inevitável.
      Se um dia conseguir, hei-de ler o seu livro.
      Abraço!

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