A COLHEITA III

 


 


Corvos voando sobre um campo de trigo - V. Gogh.jp


 


Eu faço da palavra a minha enxada;


O verbo ocasional é sempre o pão,


E vinho, outras palavras que darão


Os ecos desse tudo e desse nada...


 


Há palavras que colho da latada,


Logo ao nascer do Sol, de Inverno a V`rão,


Sem horário, nem método ou razão,


Mas que me deixam sempre alimentada.


 


Incessante colheita, esta em que vivo


De palavras que (es)colho e mal cultivo


Neste eterno vai-vem de horas sem fim


 


Colhendo sempre mais, insaciável,


Porque a minha colheita inexplicável


Requer tudo o que houver dentro de mim...


 


Maria João Brito de Sousa - 30.08.2008 - 11.49h


 


 


Imagem retirada da internet


"Corvos Voando Sobre um Campo de Trigo"


Vincent Van Gogh


 

Comentários

  1. Amiga Maria João
    O correio vai chegar
    Prste muita atenção
    E espero que vá gostar

    Bjs

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    1. Oh, Maria! E eu a pensar que tu vinhas até Oeiras... de certeza que vou gostar! És uma querida! E fazes coisas lindas!
      Não sei o que se está a passar com o Sapo hoje...não me deixa entrar na cx de correio de maneira nenhuma! O Internet Explorer desliga-se mal eu tento entrar, por isso não faço ideia se tenho correio de email.
      Já pedi ajuda no Blog dos Blogs, mas até agora não tive resposta...
      Um grande beijinho para ti e muito obrigada!

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  2. Linda, esta tua Colheita!! E com ela cultivaste o meu fim de semana com sementes de beleza!...
    Bom fim de semana.
    Bj da Jo
    Adorei a imagem que e do "nosso" pintor.

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    1. Fico muito contente por ter alegrado um pouco o teu fim de semana. Espero que tenhas um magnífico Domingo de "Po`qinho"!
      Este "nosso" pintor é fabuloso, não é? Uma das biografias deles, escrita por Irving Stone,
      retrata-o de uma forma tao realista que é impossível lê-la sem partilhar as angústias, as privações e as humilhações de que este grande homem foi alvo desde a sua juventude. Ninguém, ou quase ninguém considerava que sua pintura tivesse qualidade, porque manteve sempre o seu traço e seu estilo,distanciando-se
      dos todo-poderosos académicos.
      Desculpa este infindável comentário, mas este é um dos homens que tem o condão de acender as minhas palavras em prosa corrida.
      Um grande abraço!

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    2. Amiga, eu acho que amanha não vai ser Domingo a po'quinho ... Parece que vamos passear e visitar uma cidade que fica mais para Norte e que ainda não visitamos. E que aqui há tanto, mas tanto que ver, que temos de aproveitar.
      Eu compreendo que o nosso pintor tenha esse condão . Sabes que ele também exerce sobre mim fortes poderes!Olha, por exemplo o de me fazer ficar quietinha por 1 hora!! O que as vezes e dificil!
      Bj da Jo

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    3. Pronto Jo! Não será um Domingo à "Poq`inho", mas irá ser um Domingo à "Turista", o que tamém é muito bom! Diverte-te e aproveita-o bem!Um abraço graaande. Daqui até aí!

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  3. Que poema lindo, e que colheita tão proveitosa, assim vale a pena colher seja o que for.
    E o quadro de Van Gogh também é muito bonito, não me importava de o ter na minha sala, até amanhã, vou a estar com sono, hoje acabei um trabalho que andava a fazer, se o quiser ver vá ao Patacuriosa " que o encontra lá, e vai gostar com certeza.

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    1. Olá, minha amiga! Esta noite adormeci antes de si... irei ja ver o patacuriosa! Como sou um desastre (sou mesmo!) nesse tipo de trabalhos tenho uma enorme admiração por quem tem "mãos de fada". Obrigada pelas suas palavrase um grande beijinho!

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  4. Boa noite, amiga poetisa:

    simplesmente maravilhoso este soneto.
    Às vezes penso que seria uma tremenda injustiça se estes sonetos que escreve forem divulgados. Não sei se já lhe disse mas os seus poemas têm o que procuro mais neles: espanto!, e não um verdadeiro quebra-cabeças.

    Durma em paz, minha amiga

    António

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    1. Penso que tem razão, Poeta. Eu espanto-me e deslumbro-me por tudoe por nada. Pela positiva e pela negativa. É uma parte de mim (uma grande parte!) que continua infantil e um bocadinho palerma... não dá jeito nnhum ser assim em termos sociais, garanto-lhe. Talvez por isso eu seja, realmente, "eremita" . Não preciso de muito para me deslumbrar... uma planta, o ondular de um gato pela casa, um ovo de pombo, achama de uma vela... às vezes nada que eu consiga descrever...
      Um grande abraço!

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