AUTOBIOGRAFIA


O mundo tem direito, eu não o nego,


A qu`rer saber dos passos que vou dando,


Dos versos que já fiz e vou deixando;


São as contas de mim que ao mundo entrego...


 


Mas pretendo criar! Peço sossêgo!


Eu nada mais procuro e, não sei quando,


Hei-de partir, ainda procurando


As causas do meu estranho desapego...


 


Se o mundo quer saber, eu tudo digo;


A minha transparência é um abrigo


Por muito que penseis ser o contrário


 


Pois só canto o que sonho, o que vivi,


E, sendo deste mundo, eu ando aqui


Cultivando o meu próprio imaginário...


 


 


Maria João Brito de Sousa - 11.08.2008 - 16.05h


 


 


Imagem - "Mulher em Molho de Luar"


                 Pastel de Óleo (entre vidros)


                 Maria João Brito de Sousa, 1999


 


Soneto dedicado ao Poeta António Codeço que, agora mesmo, mo sugeriu, ao falar-me da hipótese de


escrever uma Autobiografia e à minha amiga Ligeirinha que com ele se sente identificada.

Comentários

  1. Minha querida amiga:

    Além de honrado e muito agradecido pela sua dedicatória, deixe-me dizer que revejo-me na maior parte dos seus versos.
    espero que um dia lhe possa dar um abraço de agradecimento, pedindo um autógrafo dum livro seu que quererei comprar.

    Um grande abraço e mais uma vez, muito obrigado.


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  2. Ora Poeta, o que posso eu dizer? Que já te antecipaste ao Codeço. A tua autobiografia já está presente (Implicita). Neste teu poema. Tudo o mais que lhe fosse adicionado, pouco passaria de umas muito bonitas roupagens. Que diga-se em abono da verdade Também tem a sua iportãncia e valor. Um grande abraço, e tudo de bom para ti.

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    1. Obrigada, meu amigo. O AntónioCodeço perguntou-me se eu não pensava escrever uma autobiografia e este sneto nasceu logo seguir.
      Um grande abraço para ti

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  3. Cara Amiga!
    Uma vez mais "passeei-me" pelo seu extraordinário blog e fiquei sem palavras para descrever o que de belo li.
    "...Eu canto o que sonhei, o que vivi/E, sendo deste mundo, eu ando aqui..." e faço votos que por muitos e muitos anos a deliciar-nos com sua poesia..
    Abraços! António

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    1. Obrigada pelas suas palavras, sempre tão amáveis, meu amigo! Um dos meus grandes sonhos é poder "cantar" enquanto viver.
      Um grande abraço com muita amizade e gratidão.

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  4. Oh Poeta este soneto é dedicado ex-aequo
    ao antonio Codeço ....e pode ser tambem a mim????( que impertinencia...., desculpa....)
    mas acho que pelo menos agora tem a ver comigo.... Beijo grande!

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  5. Que lindo soneto, e diz tanto de si.
    É isto a magia da Poesia, consegue duma maneira tão simples mas tão profunda dizer coisas que a "Viva voz" não saem tão espontâneas , e não soam tão bem, porque quando falamos de nós, não sabemos o que dizer, e muitas vezes nem dizemos o que sentimos, com medo das pessoas pensarem que estamos a "Auto elogiarmo-nos".
    Adorei! Parabéns

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    1. Muito obrgada, querida amiga. Este soneto nasceu tão rapidamente que só dei por ele quando já estava feito... foi a resposta auma pergunta que o poeta António Codeço me fez num comentáriodo seu blog.
      Um grande abraço!

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  6. Olá Poeta

    Como sempre, belos sonetos.

    Com ou sem metáforas...Lindos!!!

    Também concordo com Antonio Codeço.

    Não deves deixar passar sem sua autobiografia, com tantas maravilhas que escreve, deve deixar escrito tua vida, tua história. Serei uma leitora de teu livro.
    Como já sou de teus sonetos.

    Parabéns

    Abraços.



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    1. Obrigada Velucia. Não sei se seria capaz de escrever uma autobiografia que não poética... o meu avô, por exemplo, publicou os seus livros desde os 19 anos e só na década de oitenta do séc XX, a Natália Correia veio a escrever a sua biografia na "Ilha de S. Nunca - Insularidade na Poesia de António de Sousa". A grande maioria dos poetas de todo o mundo e de todos o tempos, só vieram a ter as suas biogafias escritas e publicadas postumamente. E eu nem sei sequer se mereço tanto. Só o tempo o dirá. Por cá vou deixando o meu espólio e se, no futuro, ele vier mostrar-se relevante na literatura portuguesa, talvez alguém se lembre de escrever sobre a minha vida. Os meus poemas e os meus quadros, esses sim, são autobiográficos.
      Um abraço para ti e, mais uma vez, obrigada.

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