UM POETA QUE (SE) PARTIU...
Era um estranho torpor feito de nada
Que lhe invadia o ser ao sol-poente
E ali ficava, amorfo, alheio, ausente,
Da alma quase doente, de alquebrada...
Depois nascia a Lua. À hora errada
Brotava-lhe a palavra, o verbo urgente
E punha-se a plantar (verso ou semente?)
No suporte irreal da madrugada...
Vestia uma "casaca de cometas"
E percorria a casa, qual fantasma,
C`o olhar apontado ao infinito...
No seu mundo de ideias inconcretas,
Ele era omnipotente. Ó mundo, pasma!
Partiu-se (e não partiu!), esse proscrito...
Ao Poeta António de Sousa
Imagem - Fotografia do Poeta aos 16 anos.
Esse Poeta pelo nome parece familiar, será?
ResponderEliminarOu estou a ser curiosa?!?
Não estás nada, minha querida Maria! Este poeta é o meu avô, junto de quem cresci e cuja obra estou a reeditar no http://antoniodesousa.blogs.sapo.pt
EliminarUm grande beijinho!
Linda homenagem esta ao teu avô e ao meu (quase) conterrâneo que muito admiro!
ResponderEliminarBom fim de semana!
Bj da Jo
Olá Jo! É mesmo teu "quase" conterrâneo! Esta coisa da insularidade parece que nos fica a correr nas veias durante umas gerações...
EliminarEle costumava dizer que era um "Açoreano do Porto".
Um grande abraço!
Sente que está partida?Eu também me sinto muitas vezes assim ,mas apanho os "Cacos" colo-os e fico como nova, com algumas cicatrizes mas pronta para a luta novamente.
ResponderEliminarLindo esse soneto e a dedicatória é tão especial que ainda o torna mais belo.
Um abraço
É uma dedicatória do coração!Equanto escrevia o soneto, parecia-me que o estava a ver a passear no longo corredor, com o seu velho robe (chamava-lhe a "casaca dos cometas"), a recitar as estrofes dos seus poemas. Fiquei um bocadinho "partida" de saudades...
EliminarUm bejinho!
Vou aqui comentar o post do dia 22, que não fui ver porque estive com o meu neto a ver um filme e acabei por não ter tempo, mas fui lá agora e fiquei encantada com o que li. E u acho que aquilo é um grito de alerta, para o mundo parar um pouco para dar tempo para fazermos o que nos vai na alma.
ResponderEliminarAdorei
Muito obrigada, minha amiga! É tudo isso e também para reflectirmos um pouco sobre o que nós vamos fazendo ao mundo quando pomos o dinheiro e a cobiça acima de tudo o resto.
EliminarUm abraço e uma boa noite!
ResponderEliminarquerida poeta!
Somos as duas a homenagear os "nossos mortos""""....ai como nos fazem falta, como doi,.....beijinho grande!
sinto-me como tu....
Minha Ligeirinha, por vezes partimo-nos um pouco, doi... doi mesmo muito, ms a vida continua para nós. Temos tanta coisa para fazer! Encontrei mas dois borrachinhos e pombo, caídos à porta da minha casa. Um é muito caladinho e assustadiço mas o outo passa a vida a piar e a pedir comida. Chega a correr atrás de mim para eu lhe dar mais trinca e milho. É engraçado ver como animais tão peqeninos podem ter "personalidades" tão diferentes... e deixo-me encantar por essas pqueninas coisas... e fico menos partida.
EliminarUm gande beijinho!