O HERÓICO SONETO (em verso heróico)


Eu só faço o que sei, não sei se faço


Aquilo de que os outros necessitam,


Mas dou-lhes estes sonhos que me habitam


E ofereço-me, inteirinha, nesse abraço.


 


Se o faço, é porque assumo o próprio traço


Com que agradeço aos poucos que o visitam


E aos que, vindo ler-me, me creditam


Um pouco de valor por este espaço.


 


Um traço, um esboço, um esquiço, o meu perfil,


O meu sorriso - tanta vez subtil... -,


Que aqui se cumpre ao vosso bem-dispôr


 


E este pequeno mundo, (in)coerente,


Transforma-se em Futuro, no Presente


E tange em verso heróico a minha dor.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - Outubro de 2008 -


 


Imagem - Pormenor da tela "ESCORÇO - Grande Pintora a Lápis-de-Cor, Maria João Brito de Sousa, 2007


 


 

Comentários

  1. Respostas
    1. Olá Lunatika. Um sorriso para ti também! :)

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    2. Pode fazer a gentileza de escandir este verso, por favor?
      Um traço, um esboço, um esquiço... o meu perfil,

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    3. Não sei exactamente a qual dos catorze versos se refere, caro/a Demasiado Tímido. Mas não o farei, de qualquer forma... estou mais ou menos "de baixa"... "sine die".

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    4. Peço desculpa, caro anónimo, e retiro a minha resposta anterior. O verso que me pediu - gentilmente - que escandisse, está perfeitamente identificado e lembrei-me de que fui eu quem pré-nomeou de "Demasiado Tímido" os comentadores anónimos. Vou fazê-lo, embora preferisse nem o fazer... sei que fica estranhíssimo pois eu privilegio sempre a oralidade da poesia... *Um/tra/çoums/bo/çoumes/qui/çoo/meu/per/fil*... fica aparentemente absurdo... mas, embora tratando-se de um soneto dos meus tempos de "aprendiza", não retiraria nada, hoje, depois de cinco anos e meio dedicados ao trabalho da criação e aperfeiçoamento do soneto. Onde - e quando... - for necessário escolher entre a rigidez da regra e a fluência oral, escolherei sempre a segunda. Sempre!

      Saudações poéticas!



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  2. Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
    Do que os homens! Morrer como quem beija! É ser mendigo a dar como quem seja
    Rei do Reino de Aquém e de Além-dor!

    É ter de mil desejos o esplendor
    E não saber sequer que se deseja!
    É ter cá dentro um astro que flameja,
    É ter garras e asas de condor!

    É ter fome, é ter sede de infinito
    Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim
    É condensar o mundo num só grito!

    E é amar-te, assim, perdidamente...
    É seres alma, e sangue, e vida em mim
    E dizê-lo cantando a toda a gente!

    in - Ser poeta - Florbela Espanca

    Isto é ser poetaporquedeusker . É assim que, nós que a lemos, a definimos. Um abraço.

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    1. Obrigada Manu. É, na minha opinião, um dos mais belos sonetos da Florbela Espanca. Estou atrasadíssima hoje. Cheguei, há pouco, da Junta de freguesia de S. Domingos e tenho a minha "gente de quatro patas" toda por tratar...
      Um abraço.

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  3. “Um traço, um esboço, um esquiço, o meu perfil,
    O meu sorriso (por vezes subtil...)
    Sempre presente e ao vosso dispôr...”

    E que disponibilidade tem, Maria João, de todos os dias nos encher de lindos sonetos.

    É uma pena não poder ir à tertúlia…quem sabe um dia!

    Beijinho…bom fim-de-semana.

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    1. Eu acredito que sim, Vitor. Que dentro de uns tempos estarei, finalmente, menos "aflita" em termos de sustentabilidade. e também mais disponível para fazer outras coisas que não sejam a poesia e cuidar dos meus animais.
      Um grande abraço.

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  4. Oi Maria

    Coloquei um comentário, mas apareceu erro, então voltei!
    Não deve preocupar-se com o que queremos e, também não é preciso fazer, porque você faz o que necessitamos. Recebemos você através de teus sonetos.

    Um abraço.

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    1. Um abraço também para ti, Velucia. Obrigada pela tua visita e pelo teu carinho.

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  5. Obrigada por tudo o que nos das!! Bj da Jo

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