FASES DA LUA

 



 


Abreveviei-me, enfim em lua nova


No singular azul deste meu céu...


No sonho que o estarsó me prometeu


Olhei o Universo e pus-me à prova.


 


À prova de mim mesma, do cansaço,


Das coisas que magoam luas-cheias


Neste palco lunar das mil ideias


Preenchendo lacunas de outro abraço


 


Abreviada, já nem sou visível


E transformo em luar cada impossível


Numa constelação pré-fabricada...


 


Mas muda o tempo as fases de uma lua


E assim, despida, eu fico de alma nua...


Quem imagina a lua envergonhada?


 


Maria João Brito de Sousa - Novembro, 2008


 


 


Soneto dedicado à minha amiga Nati (outra alentejana...) que veio enriquecer a nossa "mesinha de café" com a sua presença e partilhou comigo as castanhas do S. Martinho.


 


Imagem retirada da internet


 

Comentários

  1. Bom dia minha amiga! Mais um lindo soneto, e uma linda dedicatória á sua amiga.
    Ás vezes também gostava de ficar invisível , dava muito jeito. Tenha um muito bom dia e desfrute deste dia de Sol maravilhoso.
    Até logo

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    1. Olá minha amiga! Pela sua boa disposição vejo que tudo correu bem! A Nati é uma alentejana de Évora e tem um coração de ouro. Começou a sentar-se à nossa mesa há dois ou três dias e já se deixou contagiar pela boa disposição que ali reina. Um grande abraço.

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  2. Lua Adversa

    Tenho fases, como a lua
    Fases de andar escondida,
    fases de vir para a rua...
    Perdição da minha vida!
    Perdição da vida minha!
    Tenho fases de ser tua,
    tenho outras de ser sozinha

    Fases que vão e que vêm,
    no secreto calendário
    que um astrólogo arbitrário
    inventou para meu uso.

    E roda a melancolia
    seu interminável fuso!
    Não me encontro com ninguém
    (tenho fases, como a lua...)
    No dia de alguém ser meu
    não é dia de eu ser sua...
    E, quando chega esse dia,
    o outro desapareceu...

    Cecília Meireles

    Ocorreu-me depois de ler este soneto. Gosto deste poema. Define-me.

    Boa semana.

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    1. Pois... também a mim! E é um magnífico poema, caramba!
      Abraço.

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    2. E hj ainda me lembrei de um pseudo poema q escrevi há kanos atrás que começava assim:

      Oh Lua distante
      desce do pedestal
      situa-te aqui neste mundo irreal!

      Oh Maria João eu adoro poesia, e gosto de a ler mas se incomodo diga-me. É que para mim águas passadas não movem moinhos , era assim n era? E tb me lembrei do Velho do Restelo, o q eu detestei o pobre Velho aos meus 15 anos!!

      Bom dia para si.

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    3. Não senhora. Não incomoda nada. Aqui todos são bem vindos e (perdoem-me estas manobras da criatividade...) todos servem de matéria-prima prima para mais um soneto. É simples, gratuito, útil e leal.
      A única coisa que me põe mesmo, mesmo, de pêlo eriçado e garras de fora é a manipulação ou o boicote. E não estou a dizer que fosses tu, nem isto é, de maneira nenhuma, uma indirecta! Eu passo a explicar:
      Aqui há uns meses atrás passou-se (mesmo!!!) qualquer coisa muito esquisita com o pc e os telemóveis. Dei ao mundo o benefício da dúvida e tentei convencer-me de que era eu que estava com alucinações, mas como não gosto nada de mentir, nem a mim mesma, acabei por reconhecer que me tinha aparecido uma mãozinha no ecrã (em jeitos de stop...) e uma legendazinha que dizia:
      CASTIGO! SEM INTERNET!
      Vai daí apanhei um susto dos diabos e fiquei mesmo sem acesso à internet. Estive neste preparo durante cinco ou seis dias, já não me recordo, e, se não fosse um amigo da RL que me veio ajudar a mudar as palavras passe, penso que ainda hoje não teria voltado ao meu trabalho. Apanhei (mesmo!) um trauma desgraçado... ainda hoje me custa ir aos últimos posts que publiquei nessa altura. No meio da confusão e antes de aparecer a tal mãozinha, ainda me deu para disparatar (entretanto apercebera-me de que os telemóveis estavam sob escuta -?- sei eu lá porquê!!!!) e vai de criar um blog a insultar quem estava mais à mão.
      Pronto. Está explicado, embora entenda que não vos consiga passar nem um décimo do susto e desilusão que eu tive. Eu gosto muitíssimo da minha vida real, da minha casa real, da minha pessoa real, dos meus animais reais, etc, etc, mas vivo completamente só (ainda bem!) e isto aconteceu durante a noite. Daí a sentir que os meus sonhos acabavam de ser "metralhados" e queimados com napalm e que os meus animais podiam estar em risco, foi um pulinho. Há por aí muito vândalozito da RL... ainda a madrugada passada alguns se lembraram de "arrancar de raiz " um dos bancos do passeio-jardim em frente da minha casa. Eu passo muitas madrugadas a passear a Lupa ali mesmo, nessa zona do banquinho arrancado...
      Olha, chega de explicações. Isto foi o que se passou e as minhas leituras pessoais foram, decerto, extrapoladas pelas circunstâncias. Quem quiser acredita, quem não quiser não acredita.
      Abraço e continua a gostar de poesia porque ela é bem mais importante do que pode parecer aos mais distraídos.

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  3. Acho que se a Lua fosse uma pessoa ficar-lh-ia grata por honrá-la com este versos lindíssimos. Bem sei que cada um tem a sua interpretação mas este soneto fez-me lembrar a minha vulnerabilidade da forma como me exponho às pessoas, isto porque nunca consegui inventar outra maneira de ser sem ser a minha.

    Um grande abraço

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    1. Nem invente, Poeta! Nem invente! Eu penso que devemos "limar as nossas arestas" e não deixar-nos moldar pelas conveniências. E eu, agora de repente, fiquei toda lua-cheia! E sem vergnha nenhuma! Fiquei feliz, pronto!
      Um grande abraço... hoje ainda me apetece mais abraçar o mundo inteiro!

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  4. Que bom estares bem disposta!Fico feliz por ti!

    As luas só aparecem a quem as merece.....
    Andam luas por aí....
    Muitas á toa ...
    Intrometem-se...
    Malfadadas luas que nos enlouquecem!

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    1. Mas tu estás com muito bom aspecto! E o lencinho fica-te a matar! eheheh
      Afinal não foi hoje... aquela coisa da visita VIP...

      Ó lua, ó que linda lua,
      Ó lua do céu brilhante...
      Ó lua da minha rua,
      Na dispersão de um instante...

      Peace and Love! Flower Power! R. Burns and so on...

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  5. Olá Amiga Poeta. Antes do mais, as minhas desculpas por esta abrupta ausência. mas um viros maldito que me aniquilou por completo o P. C. obrigou-me a manda-lo para formatar todo, e assim ficar privado dele de Sexta-feira até hoje. E o post ? que bela maneira de homenageares a amiga que te fez companhia no dia de S. Martinho. E com que linda poesia o fizeste. Parabéns. Um abraço Eduardo.

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    1. Olá Eduardo. Já tinha reparado nas tuas ausências, já. Olha, o meu, agora, está meio maluco e o correio voltou a não abrir... à tarde estava bem, o que acontece tão poucas vezes que eu começo a duvidar de muitas coisas... tanta disfunção não pode ser normal!Na verdade, tirando a evidente falta de espaço útil, eu tinha menos problemas com o Pc velhinho.
      Abraço.

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  6. Ó lua que estás aí no alto
    não tenhas pressa de sumir
    porque a noite passa num salto e ficamos sem tempo p'ra dormir

    Interpretações à parte é isto que me apetece dizer à lua. Parece que mal chego a casa, vindo do trabalho, logo tenho de volta. Esta nossa falta de tempo deixa-me de rastos; e ainda vamos a meio da semana! Um abraço.

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    1. Ânimo Manu! Amanhã já é 5ª feira! Aproveite o tempo enquanto é jovem... se lhe dá para ser como eu, daqui a uns anos nem tem tempo, para sair de casa...nem tempo, nem vontade...
      Abraço.

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  7. Poete também , mas amiga eu não como a poeta que de qualquer palavra lhe sai um poema, mas deixo-lhe aqui um grande beijo

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    1. Muito obrigada pelo beijinho e pelas flores.
      Aqui ficam umas para ti.

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  8. Respostas
    1. Caramba, Free! Vou já, embora hoje tenha pouquíssimo tempo livre...

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  9. Gostaria de fazer parte deste grupo. Adoro escrever!

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    1. Olá Sandra. Seja muito bem vinda. Este é um blog pessoal e todos os sonetos nele publicados são de minha autoria. O meu nome é Maria João Brito de Sousa (poetaporkedeusker) e terei muito gosto em recebê-la sempre que queira. Sou uma daquelas pessoas que acreditam que os blogs podem ser enriquecidos pelos diálogos que os comentários permitem, daí o meu desafio " poete também!"
      Há amigos que me respondem em verso, mas a prosa também é muitíssimo bem vinda.
      Deixei-me apaixonar por esta dinâmica do blog... vejo-o sempre como um livro aberto que permite a participação do leitor, que, no momento do feedback passa, também ele, á situação de autor.
      Abraço.

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    2. Não tem que agradecer Sandra. Carinho é uma daquelas coisas que, no meu entender, se podem e devem sempre partilhar.
      Vou tentar dar um "pulinho" até ao seu blog!
      Abraço.

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