A PINTORA


Devorava sentidos proíbidos


Na captura das formas e das linhas.


Falava pouco ou nada com vizinhas.


Dizia-se da cor dos seus vestidos.


 


Abraçava-se aos gestos repetidos


Que sobreamontoava, quais sardinhas,


Recriando ilusões e adivinhas


Onde antes eram vãos os seus sentidos.


 


Criava como quem retrata a vida


Que dantes conhecera, repetida


Por muitos que ela nunca conheceu


 


E roía os caroços de outros frutos


Supondo partilhar os seus produtos


Até ao próprio dia em que morreu.


 


 


Maria João Brito de Sousa - 2007


 


 


Pormenor de "Escorço - Grande Pintora a Lápis de Cor"


 


 


 

Comentários

  1. Ólá, mais uma vez as linhas e as cores, que juntas formaram um lindo soneto.
    Para si um bom final de Ano e que entre em "2009" com o pé direito.
    Um grande abraço.

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    1. Minha amiga, um muito feliz ano novo para si! Ando meia "azamboada" com uma série de inadiáveis que me surgiram á última hora, mas o meu coração vai estando convosco!
      Um grande, grande abraço!

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  2. Olá, minha amiga.
    sabe o que eu mais gosto de pensar nos dias 31's de Dezembro em cada ano? É pensar que tudo é a última vez desse mesmo ano. Bem, hoje não escrevi nenhum poema pois não tive também tempo, mas as minhas últimas palavras vão para si.

    Acima de tudo, a saúde, é sempre o melhor a desejar, porque sem ela não se faz nada. é isso que lhe desejo para 2009

    Um grande abraço para si

    António

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    1. Obrigada, Poeta! Eu acabo 2008 completamente "depenada" em termos financeiros e é assim que entro em 2009... mas já consegui adiar o inadiável!
      Abraço e um bom Ano Novo!

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  3. Sim, é vida, há vida, que descontinua p'ra ser vivida e continuada, nos espaços da criação.
    Tenho impressão de que fica de facto mais bonito a lápis de cor. Mas eu também gosto muito de te ver a carvão, especialmente do contorno grosso do retrato. É pena que o teu confesso, seja até ao dia em que morreu.
    Tu não és talhada para o suicídio, mas Alá é grande. O suficiente para activar o sangue de poeta, nesse estar prensente «aonde os outros vão é que estão».
    Happy New Year, algures um dia na tua obra!

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    1. Tens razão, Nati. Eu não sou mesmo "talhada para o suícidio"! Nem tu!
      Falo simplesmente duma morte que há-de vir, um dia... nem sequer é daquela que já veio em 1989. Agora digo e repito que não tenho tempo para morrer! Tenho muito, muito que fazer... e tu também!
      Até já!

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  4. um 009 com muitas e boas perspectivas é o que eu desejo para a minha companheira de sonetos com amizade e ternura. Ciao. Bacio.

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  5. Olá poetisa! Venho aqui desejar-lhe um 2009 em grande na saúde, na poesia e na pintura. Quanto ao resto tudo se resolverá pelo melhor com mais ou menos dificuldade.

    Feliz 2009 ( tenho que falar com o pessoal do sapo porque brindar com copos de cerveja não tem piada. Abraço.

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    1. Vamos a isso, Manu! Mas se o sapo pusesse umas fluttes de champagne... pelo menos tínhamos a ilusão!
      Abraço grande! FELIZ 2009!

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