O VELHO ANÓNIMO
Eu faço-te um sinal e tu nem vês...
Eu choro enquanto rio e tu nem sabes
Que moro este mundo onde não cabes,
Onde não cabe um só dos teus porquês...
Apenas sobrevivo enquanto SER
Aos maus-tratos do corpo, à fome crua,
Um caco-humano sobre uma alma nua
Que tu não quererias sequer ver...
Eu fiz-te esse sinal e tu passaste,
Prosseguiste apressado e nem paraste
Pr`a me pegar na mão e dizer: -Vive!
Sorrio ao ver-te ao longe e vivo ainda,
Uns tempos mais, enquanto se não finda
Este resto da vida que eu já tive...
Imagem retirada da internet
Nossa Maria!!
ResponderEliminarQue lindo!!
Nem sei mais o que dizer
Só digo que todos os sonetos teus são muito sentidos, com a alma, mas este, pareceu-me muito mais.
Um abraço
Obrigada Velucia. Não cheguei a dedicar este post a ninguém, de forma expressa, mas é dedicado a todos aqueles idosos que passam os seus últimos dias em lares onde, tantas vezes, são tratados como coisas descartáveis.
EliminarMas aora quero saber como correu o teu dia especial! Eu já aí vou!
Olá Maria João, este seu soneto, está muito bonito como sempre, e a realidade dos nossos velhinhos, é mesmo assim para a grande maioria deles que são despejados nos lares e nuca mais ninguém se lembra.
ResponderEliminarE u não sou contra os lares, antes pelo contrário, já precisei desses serviços , mas todos os dias ia lá, e acho que nem conseguia dormir descansada se não o fizesse, só contra é ao "Despejo" das pessoas de idade nesse sítios e ao abandona a que ficam sujeitas.
Estes comentários hoje estão sérios demais, não acha, minha amiga!
Até logo um abraço
Olhe que tem toda a razão! Ainda são restos de alguma amargura com que eu estou a encarar o aumento das desigualdades sociais... e também me recordei de uma senhora muito velhinha, mas lúcida que uma vez, num lar aonde eu tinha ido acompanhar uma outra idosa numa consulta, me desejou, do fundo do coração, que eu nunca tivesse de passar por aquilo que ela passava na altura. Isto foi em 2000, mas nunca mais me esquecerei das suas palavras.
EliminarAbraço grande.
Odeio lideranças. Faz dos outros parvos, nabos saloios, que alimentam claques e côrtes.
ResponderEliminarSó que isto é humano, demasiado humano (como dizia Nietzche). Tão humano como dizer que o poeta é um fingidor, mesmo quando finge aquilo que deveras sente. Fazer os outros acreditar, apresentar alternativas, dar uma mão. Isso é que é a vida. O teatro da vida. Pode ser, que se algum dia chegar a velha, aprecie o quão bom é um amigo (ou amigos) que debalde os tropeços toca a vida para a frente. Tudo seria bom sem uma entidade superior. Como seria bom se os mais velhos não acreditassem tanto na morte. Ao fim ao cabo andamos todos no mesmo barco. Sei que isto que eu digo não é possível, não é passível ou exequível. E tu viste isto nalguma Psicologia, Filosofia ou no humanismo? Como é possivel sermos todos iguais, como se de uma farda se tratasse. Olha, a minha mãe que é velha, devia abrir o seu coração, não só aos médicos, mas também à filha que não escolheu ser a mais nova, e muito menos a empreitada de princípes e presidentes.
Põe outro soneto, de arrasar! Eu ainda vivo...
Eu sei que ainda vives, minha querida Nati. Muito mais perto da velhice estou eu! E há coisas que os mais velhos temem mais do que a morte... eles temem, sobretudo, o abandono.
EliminarFoi nesse ponto que eu quis tocar. Não é fácil sentirmo-nos abandonados seja em que idade for, mesmo estando rodeados de gente. Tu sabes isso e eu sei isso. Eles sentem-no e sabem que não vai mudar.
Mas procura por aí sonetos mais alegres! Há tantos! Carrega, por exemplo, no link de Janeiro, no lado direito do blog e vais conhecer a Maria-Sem-Camisa, que também sou eu, de alguma forma... e vai aos "sonetos do mar" carregando nessa tag. Alguns são bem azulinhos!
Abraço grande!
Olá, adorei este soneto mostra bem a realidade do que passam os idosos,gostei muito.
ResponderEliminarbj e boa semana.
Uma excelente semana para ti Estrelinha! Caramba! As semanas andam a voar de há uns tempos para cá! Mal paro para tentar criar qualquer coisinha e já passei o dia inteiro de roda dos animais... e já estamos no dia seguinte! Voam e a jacto!
EliminarBeijinho!