A TAREFA

 



 


 


 


 


Ali, aonde alcança o imaginário,


Sou senhora do tempo vertical.


Minha fé, de tão pura e tão leal


Lavrou-me neste corpo esse sudário.


 


Onde os demais alcançam, eu não sou


Mais do que um estro breve da loucura...


Assim se dita a sorte a quem procura


Aquilo que nem César alcançou...


 


O meu olhar vagueia pelo mundo


E ama e sofre e vê e é fecundo...


Do alto do meu templo de cristal,


 


Qual ampulheta que nunca se esgota,


Eu sou a desterrada a quem importa


A sorte dos que mais lhe fazem mal...


 


 


NOTA - Mais um soneto de "O Livro das Horas Convergentes", datado de 07.04.07, com ligeiras modificações para obter a correcção métrica.


 


NOTA II - À vossa espera, no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/


um desafio cansadíssimo, vindo do Free-Stile...


 


 

Comentários

  1. Eu bem disse que a maleita passava! Passou e cá cheguei. Maria João, já ofereci um seu livro e sabe qual foi o feedback? O ofertado gostou muito e achou que o estilo era muito parecido ao de Florbela Espanca. Comparação bonita, viu?
    Uma boa semana!
    Abraço GRD!

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    1. Fico muito lisonjeada, mas sei que a Florbela tem uma pureza de rima que eu não tenho e uma força que eu só em sonhos posso ter. Mas é muito bom ouvir dizer isso!
      Um abraço e muito obrigada. :)

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  2. Boa Noite eu hoje não consegui fazer nada, estes últimos dias não tenho inspiração nenhuma , tenho a cabeça ocupada com tanta coisa que n não consigo criar nada, mas a sua "fonte" continua a correr muito bem.
    Bonito este soneto.

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    1. Pois, minha amiga, mas o meu dia de ontem foi tão cheio, tão cheio, que também não fiz nem um soneto... este já tem quase dois anos, é dos primeiros sonetos que eu fiz.
      Um grande abraço.

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  3. Mª. João

    "Eu sou a desterrada"
    a ignorada,
    aquela a quem o mundo desconhece...

    Em toda a nossa vida anda a quimera
    Tecendo em frágeis rendas...
    -Nunca sa encontra Aquele que se espera!...

    Florbela espanca

    Quando dizes :Eu sou a desterrada ...tens perfume de Florbela E.

    lindo poema!

    Mª. Luísa

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    1. Quem me dera merecer merecer esse "cheirinho" de Florbela... sabes, amiga, este soneto é um dos primeiros que eu fiz, há quase dois anos... tive de lhe fazer ligeiras alterações porque os primeiros tinham imensas falhas métricas. Fpi nessa altura que, subitamnte, me apaixonei pelo soneto e, embora estivesse muito longe de lhes dominar o ritmo, mal me apanhei com uns tostões, mandei imprimir 33 sonetos, feitos durante a Quaresma e a Páscoa de 2007 e fui registá-los na SPA. Ainda nem me apercebia bem das falhas que eles tinham, enquanto sonetos...
      Um grande abraço.

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    2. Mª. João

      Mereces Tudo!

      Beijos,

      Mª. Luísa

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    3. És uma querida, Maria Luísa. A Minerva parece um pouquinho mais vivinha, mas não há meio de engordar embora como muitas latinhas... está pele e osso e, no entanto, até come um pouco mais do que deveria. Mas não voltou a vomitar desde Domingo de manhã. Estou muito contente e cheia de esperança! :)
      Beijo grande.

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  4. Eheheheheh, depois das tarefas tdas do desafio no outro blog, tu aqui publicas TAREFA hihihihi.

    O soneto em si, como sempre sublime.


    Beijos & Abraços

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    1. nem queiras saber! O dia de ontem foi mesmo maluquinho de todo! a Minerva continua vivinha, mas está tão magrinha e tão frágil que mais parece uma mumiazinha... e come bem as latinhas, desde que eu lhas dê com uma colherzinha. Mas como os rins funcionam mal, não sei quanto tempo aguentará. Por enquanto não sofre, está muito meiguinha, mas precisa de imensos cuidados e eu não posso deixá-la sozinha por muito tempo.
      Abraço grande!

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  5. Olá Linda!
    Vim agora visitar o site e agrada-me as mudanças. Parabéns!
    Sonetos.... Mais-que-perfeitos, são Amores-perfeitos!
    Beijocas!

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    1. Olá Carla. Estes são dos primeiros que eu fiz. Só comecei com os sonetos há cerca de dois anos... foi assim, de repente, sem eu saber o como ou o porquê...
      Beijinho!

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  6. Mais um soneto fantástico.
    bj e boa semana.

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  7. Olá Maria João
    Adorei o teu poema e vejo-te eu assim:

    Tu és o olor da chuva
    O percurso p'ra liberdade
    Tens gosto a bago de uva
    És vento forte! Sublimidade!

    Um grande beijinho de amizade
    És tudo o que quiseres, com letra grande.
    Uma grande Mulher

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    1. Obrigada, amiga Rosafogo! Vou fazendo por ser eu mesma e tentano deixar o rasto de alguns talentos que me foram oferecidos e pelos quais estou muito grata.
      Um grande abraço para ti!

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