MAR NOSSO


 


MAR NOSSO


*


Esgotei o mar no mar dos meus sonetos


(ou esgotou-me ele a mim, é o mais certo…)


O mar, lá longe… e fica aqui tão perto


O mais secreto mar dentre os secretos...


 


Esgotou-se o mar em mim… só os desertos


De ondas de areia em estranho desconcerto


Parecem estar em mim que sei, decerto,


As rotas de outros mares e de outros medos.


 


E, no entanto, é mar e será mar


O sangue que me corre nestas veias


Enquanto o tempo o deixa em mim correr.


 


E, entretanto, eu calo o meu cantar


E escuto, ao longe, o canto das sereias


Porque foi desse mar que ousei nascer.


*


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - Abril, 2009


 


 


Navegado para http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/


 


 


NOTA - Queiram ter a bondade de descer as "escadinhas", depois de visitarem a Fábrica de Histórias, e ver o Prémio que está à vossa espera no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/


 


 

Comentários

  1. Olá boa noite, que lindo este seu "Mar"
    Até tem sereias e tudo, eu não consegui ver nenhuma no meio daquela poluição toda, mas ainda bem que a Maria João as avistou, é sinal que ainda podem viver nese Mar.
    Eu ontem fui buscar o "OSCAR" e fui deixa-lo no "Patacuriosa", e até lhe fiz umas quadras, se puder passe por lá só para ver.
    Um abraço

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    1. Boa noite, amiga Idalina. Vou já ver as quadras que fez ao Óscar! Tem razão quanto às sereias... andam um bocadinho fugidas, por causa da poluição, mas eu acredito que ainda lá estejam.
      Até já e um abraço grande!

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  2. " Mar nosso"

    O soneto está lindo; escrever soneto não é um qualquer a dizer umas coisas, mas sim aquele que sabe escrever o sentido exacto do soneto e terminar o último terceto com
    "chave de ouro" - nem a prata serve!

    Muito bom, Mª. João.

    beijos,

    Mª. Luísa

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    Respostas
    1. É verdade, amiga. A prata é só para a entrada, segundo dizem os entendidos. Para o final tem de ser ouro. ..mas eu nunca estou muito preocupada com isso... o próprio desenrolar do soneto, em tão poucos versos, sugere um remate forte, que traga em si a ideia principal do soneto. Tudo isso é mesmo muito natural, mas é apenas um género poético pelo qual me apaixonei há exactamente dois anos.
      Um grande abraço.

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    2. Mª. João

      E no anterior a esses dois anos que escrevias?
      Eu há pouco tempo vi um poema escrito por ti, muito bom e não era soneto.
      Será que vi mal?

      Mª. Luísa

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    3. Sim amiga! Eu sempre escrevi poesia de rima livre, por vezes sem qualquer tipo de rima.
      Se fores ao http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.p/ , encontrarás alguns. Até no poetaporkedeusker os podes encontrar, bastante recentes.
      Um grande abraço.


      Ps- Não ei se é do sapo ou do portátil, masestou com muitas dificuldades em escrever online! Desaparecem etras e outras nem chegam a aparecer...

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  3. Tu és um Mar inteiro
    Azul é a tua cor!
    Onde navega o veleiro
    POESIA .Teu AMOR.

    É lindo, genial,
    boa sorte amiga

    Beijinho grande

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