SE EU PARTIR


Há tanto por dizer… mas se eu partir


Muito antes de falar do que pretendo


Aviso-vos agora; eu não me rendo


Enquanto, em mim, a vida o decidir.


 


Há tanto por falar, por aprender,


Por partilhar, no meu entendimento,


Que mesmo que me vá, eu só lamento


As coisas que não disse e quis dizer…


 


Lamento ser pequena e limitada…


De resto não lamento mesmo nada.


Dou-vos o meu melhor. E mais não digo!


 


Quantas vezes alegre, a gargalhada


Me salta da garganta, endiabrada,


E só quer a partilha de um amigo?


 



 


Comentários

  1. Olá amiga, são estes sofrimentos que refere
    que a mim me fazem ser uma pessoa triste
    e por isso choro, porque?
    abraço amiga
    CASIMIRO COSTA

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    1. Não sei, meu amigo... há imensas coisas que eu não sei. A mim todos me julgam triste e eu penso que não sou. Posso estar errada, mas, de uma forma geral, as pessoas pensam que estou triste quando eu estou interiormente mais feliz... Eu sei que é contraditório, mas é isso que acontece.
      Já o meu avô dizia, num dos seus sonetos:
      "Esta vaga magia de ser triste
      É o azeite que ponho na candeia,
      Meu sorriso que dói, mas não desiste,
      O fermento do pão da minha ceia..."
      Seremos, realmente, assim tão tristes? Seremos "apenas" poetas? Eu gostaria de ter menos dificuldades materiais, mas gosto de ser como sou. Não me trocaria por ninguém!
      Aposto que o meu amigo, lá no fundo, também não se trocaria por ninguém. Nós temos a inevitabilidade das árvores e as asas das andorinhas.
      Um grande abraço!

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    2. SERÁ MESMO POR SER-MOS POETAS?
      SERÁ UMA CARACTERÍSTICA?
      TRISTES, SOLITÁRIOS, SOFREDORES
      TALVEZ MAS PARECE QUE SIM
      UM ABRAÇO
      CASIMIRO COSTA

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    3. Tristes e sofredores? Às vezes? Claro que que sim. Nós sentimos com uma intensidade enorme. Mas o contrário também é verdadeiro! Também sabemos ser alegres, irónicos, determinados, irredutíveis...
      Solitários? Sempre! Por muito que tentemos socializar, existe em nós uma fortíssima tendência para a solidão e para o isolamento. Não se pode exigir a um poeta que seja poeta e "funcione" exactamente como a maioria. Não se pode nem se deve. A solidão é absolutamente necessária à criação. Tanto a nível da escrita como da pintura.
      Posso estar a escrever ou a pintar numa mesa de café, mas isolo-me sempre, por muita gente que me esteja a rodear... estranhamente é-me frequente isolar-me mais quando estou acompanhada. É assim que eu funciono. Assim "funcionavam" muitos poetas e pintores que eu conheci.
      Abraço grande!

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  2. Boa tarde amiga, este soneto soa-me a tristeza, mas está muito bonito, e o desenho também Fiquei contente por saber que está a melhorar um pouco.
    Vá-se preparando que este mês vou á sua procura, quando a minha neta acabar os exames vamos conhece-la. Até logo já estou um pouco atrasada . Um grande abraço.
    Já vi o resto que faltava do livro e gostei muito, já dei ordem para avançar

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    1. :) Fico muito contente, amiga! Eu ainda não me sinto lá muito segura do lado de cá, mas não estou triste. Estou a analisar-me muito bem e a fazer o relatório mental das coisinhas que estão mais emperradas... e são muitas. Vai-me dar um trabalhão voltar a criar ao ritmo alucinante com que criava há um ano atrás. Pode ser que nunca lá chegue e tenho alguma pena. É só isso.
      Fico à vossa espera! Estou desejosa por conhecer-vos pessoalmente!
      Abraço grande, grande!

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  3. Olha eu adicionei. não sei se te chega, mas eu gostei muito és aquela máquina, a fazer, histórias. Versadas, rimadas e prosadas. Eu gosto de todas. Espero que estejas a ficar a 100% isso é que importa. Um Abraço Eduardo Gonçalves.

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    1. Caramba, amigo! Acho que ainda vou só nos 25% ou coisa parecida. O sentido de humor está cá inteirinho, mas o resto ainda está muito, muito lento e fracote.
      Ainda bem que gostaste... agora não faço nem 1/4 do que fazia, podes crer!
      Abraço grande!

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  4. Não é «pequena e limitada», usando estas palavras suas, é, sim, à sua dimensão, isto é, todos temos uma dimensão, maior ou menor, que nos deve agradar e a devemos desenvolver, para nós e para os outros, e se o não conseguirmos, ou mais ninguém dela gostar, ela, a nossa dimensão, desde que sadia e nos agrade, será ao menos, o que já é muito, a nossa íntima glória.
    O seu soneto é bom e acaba bem, ao acabar a falar em partilha, para mais de partilha de alegria. (Mas diria, se me permite, que o soneto não é de todo formalmente clássico, o que não lhe tira beleza nem alguma intimidade, e houve e há quem faça sonetos de vários estilos formais.)
    Gosto muito de sonetos e faço muitos. E vi este seu soneto transcrito no blogue duma sua amiga, salvo erro «Rosa Fogo».
    Os meus parabéns pelo soneto e por gostar de sonetos.
    Saudações amistosas.

    Mírtilo

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    1. Seja muito bem-vindo, meu amigo Poeta!
      Sinto-me e estou bastante limitada em relação ao que era há uns largos meses atrás e talvez por isso o tenha referido. Tive uma forte crise e sei bem o que ela me limitou, para além de não estar com acesso permanente ao meu blog, o que também me limita bastante. Acredite que o meu ritmo de produção poética era muitíssimo mais veloz e os sonetos também tinham maior qualidade.
      Quanto a serem clássicos... olhe, formalmente até são. No decassílabo heróico são permitidas até três tónicas por verso, para além das principais, na sexta e décima sílabas métricas. No conteúdo não são nada clássicos. Fogem àquela temática omnipresente do amor e da morte... mas isto é o que eu penso. Estou abertíssima a novas opiniões e fico muito grata por recebê-las.
      Abraço amigo!

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  5. Mª. João

    Este teu soneto está um encanto
    "Se eu partir"

    Há tanto por dizer.
    Há tanto por fazer,
    Há tanto a saber,
    Há tanto a esclarecer...

    Mas não vais partir,
    Quem parte sou eu!

    Mª. Luísa

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    1. Amiga Maria Luísa, tu apenas vais numa viagem e voltarás, com certeza. Eu descrevo uma situação que eu sei ser delicada do ponto de vista da permanência física. Sinto-me pouco segura... talvez ainda sejam memórias desta crise recente, mas a verdade é que não consigo deixar de me sentir "no fio da navalha", embora não esteja nada assustada. Tenho é alguma pena de estar muito menos criativa, de estar tão lenta, de ter abandonado, por pura impotência, o meu ritmo de criação...
      Fico à tua espera!
      Um grande, grande abraço!

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    2. Mº. João
      Tenho no blogs o poema "Tenho de partir"
      podes visitá-lo e deixar só o teu nome?

      Se não te sentes com forças, não te sacrifiques pelo pedido. Eu aceito e entendo.
      Mas peço-te não te sintas no "fio da navalha" , tem paciência, vai demorar mais
      do que pensas, mas vais escrever e continuar.
      As forças vêm devagar.
      Quero encontrar-te , quando voltar.
      Se tiver tempo, ainda telefono!

      Beijos e as melhoras

      Maria Luísa

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  6. Tanto falar de partida, as minhas amigas estão deixam-me triste desta vez. A Mª Luísa tem mesmo de partir com muita pena nossa, mas logo vai voltar se Deus quiser, agora tu Mª João, tristes, menos tristes os teus poemas são sempre uma delícia. Eu é que não quero partir tão cedo, quero ter tempo para vir sempre ao teu encontro, ao encontro do belo.

    Beijos amiga, enquanto Deus te ajudar, deita cá para fora toda a beleza que tens lá dentro

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    1. Amiga, é isso mesmo que eu vou tentando fazer... mas já não é a mesma coisa. Estou muito menos forte do que estava. Por enquanto nem os poemas, nem a pintura têm a força que tinham. Pode ser que venha a recuperar, mas também pode ser que não... isso deixa-me alguma nostalgia, mas não me fará parar!
      Um enorme abraço!

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  7. Eu queria dizer: as minhas amigas estão tristes? Mas escapou-me, perdoa.

    Beijinho

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