(TRANS)FIGURAÇÃO LINEAR


Na vertical de mim, um ponto incerto


A vacilar num vértice inseguro


Sobre a horizontal de um risco puro


Onde corre uma a lágrima, em directo.


 


Se, acaso, ali ficando, estabiliza,


Logo outra aspiração o faz tremer,


Como se fora inútil o seu querer


Quando uma construção se idealiza.


 


Aqui estou; vertical, mas oscilante.


Que estranha condição, a de aspirante


À perfeição de ser-se o que é sonhado…


 


Sou árvore num ponto equidistante


Entre a raiz de um sonho delirante


E um tronco humanamente acomodado.


 


 


Maria João Brito de Sousa - Junho 2009


 

Comentários

  1. Belo soneto, mas um tanto complicado de interpretar.
    Um sonho meu delirante
    Sou aspirante neste caminhar
    Viajo toda noite ao horizonte
    Pelas árvores e troncos a levitar.

    Ps. Verso de um poema inacabado.
    Vou acaba-lo depois.

    Abraço fraterno.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, amiga. Por vezes também me acontece começar um poema e, logo a seguir, surgir qualquer coisa muito imperiosa e muito urgente. Tenho centenas de poemas inacabados. Não deixes fugir o teu poema, dá-lhe continuidade.
      Abraço grande, grande.

      Eliminar
    2. Oi Maria
      Com certeza darei continuidade.
      Novidade!
      Chegou-me ontem em minhas mãos uma revista que assino a bem pouco tempo "Universo Espírita." - ciência, filosofia e religião.
      E olha a informação na capa da revista:
      "Como saber se sou médium": 10 dicas que vão acabar com sua dúvida.
      Também um blog chamado http://blogspot.com
      de Jader Sampaio, professor da Universidade Federal de Minas Gerais e membro da Liga dos Historiadores e Pesquisadores Espíritas.
      Hoje não tenho mais tempo de ir, mas irei com certeza visitar.
      E no meu blog, mais a noite, deixarei um poema, não meu, mas de um autor em vida e em espírito.

      abraço fraterno.

      Eliminar
    3. Não consegui aceder ao blog. À noite não estarei com acesso à net. Meu tempo online acaba dentro de minutos... talvez consiga um pouquinho mais, mas é só. Amanhã verei o poema.
      Obrigada e um abraço. :)

      Eliminar
    4. Oi amiga

      Não pude postá-lo, uma colega veio até aqui e levou a tal revista. Infelizmente só quando ela devolver.
      Estou dizendo para dizer-te e não pensar que eu menti.

      Abraço.

      Eliminar
    5. Tudo bem, amiga. Eu sei como é, já me tem acontecido o mesmo. :)
      Abraço grande!

      Eliminar
    6. Maria...
      Este sorriso de smiley!
      Também mente não é!?
      Mas tudo bem, sei que querem que eu continue. Vou continuar no meu blog.


      abraço.

      Eliminar
    7. O sorrisinho que eu "desenho" quando estou mesmo a sorrir? Duvido muito que ele possa mentir, amiga. Os meus sorrisos são sempre genuínos. Eu tenho uma forma muito particular de lidar com a escrita. Ela segue sempre o meu estado de espírito do momento. Pode acontecer eu estar a referir-me a qualquer coisa que já passou, a um sentimento pontual, a qualquer coisa que outra pessoa despertou em mim... mas não faço um Smiley quando não estou a sorrir. E estou sozinha, Vera. Penso que poderás estar a passar por uma situação idêntica à que eu passei há um ano. Não faço ideia, mas senti que isso te poderia levar a fazer este tipo de pergunta e a colocares a minha pessoa no plural. Eu estou sozinha, a trabalhar no CJO e não magoo ninguém propositadamente. Esta é a minha verdade, Vera.
      Abraço grande.

      Eliminar
  2. Soneto de geometria psicológica, ou personalista, com o último terceto a elucidar sobre a verticalidade, ou firmeza, entre os dois principais pontos de si, como de uma árvore: a raiz, o sonho, que delira e por vezes se desilude, e o tronco, o corpo que se fere visivelmente na vida e se acomoda - e entre os dois a razão, raciocínio, vontade, alma ...

    Um abraço (sei que prefere abraços a beijos).
    Mírtilo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :) É verdade. Já foi ao prémios&medalhas, pelo que vejo... :)
      Abraço!

      Eliminar
  3. Chegou a mim um cansaço
    Eu não gosto de Geometria
    Mas para ti um grande abraço
    Poeta, feita de Sonho e Poesia.

    Não és aspirante, porque já és Grande, nem oscilante, porque mostras que és firme no teu querer, muito menos desistente és uma Mulher de fibra, agora sonho delirante, inebriante e que és um ponto equidistante brilhando, aí concordo, és um estrela talvez a Estrela Polar.



    Um abraço

    Natalia

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Natália! Eu, antigamente, também não gostava de geometria. Só lhe descobri os encantos há alguns anos atrás :) Somos todos aspirantes, amiga. É condição "sine qua non" para estarmos vivos...
      Abraço grande!

      Eliminar
  4. continua a militãncia, não é ????
    tudo bem??? um beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viva, Peter! Continua a militância, sim senhor, apesar dos contratempos logísticos e outros...
      Baccini! :)

      Eliminar
  5. Boa tarde, mais um belo soneto, talvez um pouco mais sério, mas eu não acho que esteja acomodada, antes pelo contrário está a lutar e a conseguir dar a volta por cima.
    Até segunda e bom fim de semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estou sim senhora, minha amiga . Ando cansadota, mas estou bastante melhor, embora ainda me sinta diminuída em termos de criatividade.
      Depois diga o dia exacto em que vem. Bom fim de semana!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas