A TÔMBOLA INFINITA
A TÔMBOLA INFINITA
*
Ribombam os trovões, ruge Vulcano
E os mortais, na terra, vão gemendo,
Sucumbindo, de novo, ao deus horrendo
Que assim lhes infligia angústia e dano
*
Sobre o vulcão, activo há mais de um ano,
Surge uma imensa nuvem, num crescendo
E entre os que morrem e os que vão nascendo
Ergue-se, de repente, o ser humano
*
O mesmo que dá vida, a vida tira,
Um que sufoca, outro que respira…
Floresce a planta, eclode, incerto, o ovo
*
Selvagem mundo agreste e compulsivo!
Mundo que adoro e que me traz cativo
Na tômbola infinita do renovo!
*
Mª João Brito de Sousa
Julho 2009
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Poetaporkedeusker (Maria João):
ResponderEliminarBom soneto sobre a renovação da vida e, digamos, também sobre a contingência ou a certa incerteza da vida, respirando (o soneto) um ar razoavelmente clássico, começando até com passos de mitologia (romana), mas, apesar disso, o soneto testemunha que a vida cativa, certamente no bom sentido.
Um abraço.
Mírtilo
Sempre, meu amigo Mírtilo. A vida cativa-me, fascina-me sempre pela positiva. Pelo menos faz eclodir em mim emoções que são, na sua esmagadora maioria, muito gratificantes e que se traduzem em sentimentos, gestos e palavras que gosto de partilhar nos meus blogs. Mas também lido cada vez melhor com a morte. Houve demasiadas mortes na minha vida. Se eu não aprendesse a lidar com elas, a aceitá-las, teria, muito provavelmente, sucumbido física ou psicologicamente. Talvez andasse por aí a flutuar num mundo psicótico que, agora, apenas é aparente para alguns de vós, numa leitura apressada. O mundo dos psicóticos, tanto quanto eu pude aprender e apreender, é muitíssimo mais sofredor do que este em que me movo.
EliminarObrigada e um abraço!
A vida é isso mesmo, aqui também tão bem representada pelo simbolo do infinito. Não há começo, não há fim. Há um renovar constante. Lindo Poeta, como sempre.
ResponderEliminarBeijinho
Olá, Fá! Perdi o rasto ao teu outro blog, com esta coisa de ter estado doente, mudar de computadores, etc... ainda está a funcionar, não está?
EliminarUm grande abraço e obrigada pelas palavras! :)
Não Poeta, infelizmente. Depois conto.
EliminarBeijinhos
OK... eu hoje estou com este "ok" debaixo da língua. Tenho estado a tentar entender-me com o Twitter, mas tenho a impressão que ele me provoca alguma "claustrofobia verbal"... ... poeta-se pouco por lá... ou fui eu que ainda não entendi como é que ele funciona... :))
EliminarAbraço grande!
Olá Maria João, que lindo hino á vida. Eu também acho que por muitas coisas más que a vida nos "Dá" a vida é só uma e por isso tem que ser vivida o melhor possível e tirar-mos partido das coisas boas para ficar-mos mais fortes quando as coisas más chegarem.
ResponderEliminarPorque apesar de tudo a vida é "Bela" mas muito curta, então tem que se viver cada momento e saborear-se os bons e tendo-se paciência com os maus, porque tudo isso faz parte de nós.
Um abraço
É assim, é, minha amiga. E eu encontro bons momentos nas coisas mais impensáveis. A sério. Nem imagina a felicidade que uns minutinhos debaixo do "meu" pinheiro, me pode trazer. Às vezes fico horas naquilo a que eu chamo "estado de graça". E não pago um tostão por essa maravilhosa experiência. Os pinheiros e as aves são seres generosos e de uma pureza infinita.
EliminarUm grande abraço!
Olá João
ResponderEliminarAdorei o seu poema lindo de mais. Bjs
Obrigada, minha querida Maria. Eu hoje, embora muito atrasada, vou tentar fazer-te uma visita.
EliminarBjo gde!
ResponderEliminar"O mesmo que dá vida, a vida tira"
Selvagem este mundo e quem o habita,
Pobre de quem o tenta entender
renovar, amar...
Ele não nasceu para o amor
E o amor é tudo
ou não é,
depende, inteiramente, do mundo!
Bom dia, lindo poema.
Mª. Luísa
Selvagem mas belo, ingénuo, puro... cada vez o amo mais!
EliminarAbraço grande, grande!
a minha alma está parva com tanta beleza,até fico sem palavras apenas lhe digo que adorei parabéns!!!
ResponderEliminarObrigada, amiga Rosa. Fico muito feliz por saber que gosta de sonetos.
EliminarAbraço grande!