COMPOSIÇÃO BUCÓLICA
Curiosa como um bando de felinos,
A espreitar, imprudente, no jardim,
Não se importava de ser sempre assim;
Despojada, sem ordens, sem destinos...
No passeio, a brincar, estavam meninos
Escondidos nos arbustos de alecrim
E ela à brincadeira pôs um fim
Atirando seixinhos pequeninos.
Fugiram as crianças debandando
Como avezinhas tontas, assustadas,
Sob a chuva de seixos que caía...
Ficou a curiosa, então, sonhando
Com passarinhos de asas prateadas
Saltitando na relva que crescia.
Imagem retirada da internet
Que lindo poema , sabe que eu quando estou no Alentejo a ouvir os passarinhos também imagino que eles podem estar a conversar comigo, e ouvir o chilrear deles é tão reconfortante, este fim de semana vou ouvi-los de novo, se Deus quiser.
ResponderEliminarU grande abraço.
Então as suas analises estavam boas? espero que sim.
Idalina
As análises estavam melhores, excepto no LDH que subiu para seiscentos e muito. O INR (índice de fluidez do sangue) é que continua bastante mais baixo do que seria de desejar e o cansaço não se quer ir embora. Obrigada pelo seu cuidado. Como deve ter reparado, este é mais um daqueles dias em que não consegui vir trabalhar da parte da manhã. As dores no rim direito também continuam, mas como tenho consulta de Gastro no próximo dia 25 e eles irão pedir outras análises, com certeza, a médica deixou-me esperar até lá. Também tenho análises marcadas para a consulta de Medicina Interna, no Egas Moniz.
EliminarQuanto ao soneto... olhe, este foi completamente ficcionado. Aconteceu-me como com as pinturas... estava a olhar para um passeio com um canteiro florido e "apareceu-me" uma jovem curiosa a olhar para as crianças que brincavam... no meu imaginário :) Não estavam lá crianças nenhumas. Por ter este arzinho pictórico, ficou a chamar-se "Composição Bucólica"...
Até já e um abraço!
Poetaporkedeusker:
ResponderEliminarComo sempre, um bom soneto, desta feita virado para as inocentes brincadeiras e travessuras das crianças, sobretudo dessa menina curiosa e algo desmancha-prazeres ao assustar outros meninos que descuidadamente brincavam.
E tal como a menina, é bom até para os adultos pensar em passarinhos de asas prateadas, como o da imagem, para desanuviar nosso cansaço e «stress» da luta quotidiana, ao contrário da menina, com ordens e destinos a cumprir.
Um abraço.
Mírtilo
Sabe o que é curioso, Myrtillo? Pouco depois de eu ter escrito este soneto, quando estava na sala de tratamentos do Hospital de Dia, apareceu no ecrã da televisão - no telejornal - uma chamada de atenção para os excrementos das gaivotas. Só agora, com o seu comment, fiz a associação, mas o artigo deixou-me um tanto ou quanto apreensiva em relação a essas belas aves que, se bem conheço os seres humanos, vão passar a ser ainda mais penalizadas do que já são. Já mudaram hábitos de vida milenares e viram-se obrigadas a entrar terra adentro para se virem alimentar nas grandes lixeiras. Será que agora vamos, também, exterminá-las? Fiquei realmente preocupada. Conheço bem o clima de "caça às bruxas" que se gera a partir deste tipo de notícias...
EliminarDesculpe o testamento. Foi o seu comment que me fez associar o soneto às gaivotas, conforme lhe disse. O meu inconsciente tem sempre novidades destas :)
Um grande abraço!