UMA RUA QUE O NÃO É...


Eu moro numa rua que o não é...


Era uma vez... e a história vai crescendo


Nessa rua que o era nunca o sendo


E onde só pode entrar quem for a pé...


 


Cheira à terra onde crescem as palmeiras,


Onde as flores pequeninas, quase a medo,


Vêm contar-me, à noite, o seu segredo


Sobre as plantas maiores, mais altaneiras.


 


No passeio empedrado, uma formiga 


Acrescenta ao encanto dessa rua


A sua persistência inabalável.


 


Num breve olhar não há ninguém que diga


Que há, por lá, quem ostente, de alma nua,


Aquilo que em si há de inevitável...


 


 


Escrito, agorinha mesmo, para


 


http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/   :)


 


 


NOTA - Fiz uma pequena alteração nos dois últimos versos da segunda estrofe, no sentido de manter o decassílabo heróico.


 

Comentários

  1. Boa tarde Maria João, que bela discrição da sua rua, mas mesmo assim é muito bonita, essas palmeiras dão-lhe uma beleza natural, e fresca.
    Gostei da forma como a descreveu.
    Até amanhã um grande abraço

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    1. Obrigada, minha amiga Idalina! Já a conhece, já sabe que é mesmo bonita e que só lá se vai a pé... :) Acho que gosto mais dela por ser assim, inacessível a carros e cheia de palmeiras.
      Um grande abraço e um bom fim de semana.

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  2. Oi Maria

    Que belo soneto contado da sua rua.
    Deve ser uma beleza poder andar por ela a pé sem carros passando...Esta rua é boa para encontrar amigos e conversar.

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    1. Olá Vera! Tens razão, é uma rua excelente para se passear e sentar aqui e ali. Tem uns banquinhos de jardim que convidam a isso mesmo.
      Só agora estou a responder porque hoje foi dia de hospital e só cheguei há minutos.
      Um grande abraço!

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  3. Olá M. João!
    Tenho passado por cá mas em silêncio. Não quero atrapalhar o pouco tempo que usufrui da internet. É bom "passear" por tão belo espaço poético, continue porque quem a lê agradece. Fique bem. Faça o favor de ter uma excelente semana. Abraço forte. António

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    1. Obrigada, meu amigo António. Olhe, a semana não se afigura das melhores... o médico que hoje me observou no hospital, não gostou de alguns sinais e quer-me ver de novo na 5ª feira. Já faço sonetos a ironizar acerca das consultas... só para ver se rindo me esqueço de que já nem as suporto... :))
      Um abraço grande!

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  4. fresquinho hem!!!!mas muito bem!!!!!elucidativo. beijo.

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    1. Fresquinhos, fresquinhos... :)) estes últimos têm sido acabadinhos de fazer! Mas a minha rua é mesmo linda!
      Bacini!

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  5. Não, não é a tal resposta.
    Posso apenas dizer que sou demasiado exigente comigo própria, a todos os níveis. Já os meus professores o dizem, assim como a minha mãe. E não da adolescência que vivo. Sou assim desde muito pequena. Obrigada pelo comentário, o único que, até agora, me fez realmente pensar.

    Adorei o soneto. Consegue ser leve e jovial, mas profundo. Gosto muito disso. Combina com a música.

    Beijos
    Jane

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    1. Obrigada, Jane. Olha, os de hoje não são nada profundos... muito pelo contrário! Eu, por vezes, até brinco só para me esquecer de que detesto algumas coisas... ir ao hospital é uma delas! Não sei se vou ter tempo para vos visitar hoje... ainda nem abri a cx de correio...
      Beijinho!

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  6. Eu sempre passo, nem sempre comento, já me repito, tudo o que escreves é sempre belo, cada vez mais belo, não canso de te dizer, mas hoje deixo dito mais uma vez.
    Sei que vais ao hospital, se calhar sozinha,
    o que mais desejo é que pelo menos, recebas
    alguma notícia que te anime em relação a melhoras.
    Também concordo que trabalhas de mais, mas tu lá sabes.

    Um grande abraço, e que fiques bem depressa,
    natalia

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    1. Ai, amiga! Nada disso! Tenho de lá voltar na quintta feira... mas também fiz três sonetos "gozões" só para me vingar! :))
      Bjo GDE!

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  7. Gosto dessa rua

    Ladeada de flores,

    terra batida

    ausente de barulhos

    Até parece os caminhos, por onde caminho
    quando estou no Brasil.

    A natureza repete-se quando a deixam
    repetir-se...

    E espero que deixem essa rua ficar, como tu

    a cantas
    nesse soneto de encantar!

    Beijos e melhoras,

    Mª. Luísa

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    1. Minha amiga! Obrigada pelas tuas palavras. Quando vires os sonetos de hoje, vais-te rir... são a minha "vingançazinha" pelas horas na sala de espera...
      Abraço GDE!

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  8. Aí a rua aí a rua! Tantos segredos guardados nessa rua....segredos da poeta ....que não nos quer contar...mas eu sei! Porque uma formiguinha quando me viu contou-me tudo!

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    1. :)) Adoro formigas, Ligeirinha! São animaizinhos fortes e determinados que eu muito admiro.
      Nem queiras saber o que foi a minha consulta de hoje... se vieres ver os sonetos malucos que nasceram, vais ter uma ideia... volto na 5ª feira e hoje já não devo conseguir visitar ninguém...
      Bjo GDE!

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