ESSAS PEDRAS QUE SEMPRE AMEI...

 


 


 



Eu sempre amei, nas pedras da calçada,


As mil ervas-moirinhas que despontam,


Que sobem para o alto e nos apontam


A força de uma vida que é negada…


 


Pr`a mim, que sou fiel à minha estrada,


Essas pequenas vidas que não contam


São émulos perfeitos que remontam


À génese de mim, já condenada…


 


As pedras que eu amei, as que aqui piso,


Que me rasgam na face este sorriso,


Com as quais desde já me identifico,


 


São coisas quase vivas, quase minhas,


Das quais nascem as tais ervas-moirinhas


De que eu, sendo quem sou, jamais abdico!



 


 IMAGEM RETIRADA DA INTERNET


 

Comentários

  1. Costumo ver um programa no segundo canal,que se intitula "bairro alto"....ontem o convidado foi um dos maiores poetas espanhois vivos...foi delicioso ouvi-lo...e lembrei-me da Maria João...bem que poderia ser a próxima convidada!

    bj*

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    1. Eu também vi, Vitor. O Joan Margarit é um poeta a sério! Deixou-me pendurada, colada ao ecrã do meu aparelhito da pré-história. Raramente me identifico tanto com o que uma pessoa diz. Foi um programa marcante para mim. Parecia que tudo o que ele dizia tinha já feito parte daquilo em que firmemente acredito. Os refúgios... os muito poucos que são úteis e a esmagadora maioria, que o não são, mas que continuamos a utilizar. A simbiose entre o poema e o seu leitor. O triângulo que se cria a partir dos vértices POETA, POEMA, LEITOR. A componente "entretenimento" que tem invadido a arte nas últimas décadas... até aquela magnífica frase "A democracia pensava que a leitura e a massificação da cultura dos cidadãos seria uma consequência imediata - ou quase - de matar a fome às pessoas". As palavras não foram exactamente estas, mas a ideia está lá.
      Mas que "peso" tenho eu na poesia portuguesa para que um programa se interessasse por uma entrevista minha?
      Obrigada, no entanto, por se ter lembrado de mim.
      Um grande abraço!

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  2. Pedras e ervas-moirinhas que mostram os caminhos da história e da vida.
    Maria João, se Camões fosse vivo estaria expressando esses mesmos sentimentos em versos.
    Belo Soneto!
    Aprecio muito seus versos.
    Adílio Belmonte.

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    1. Obrigada, Poeta do Brasil. Camões, se estivesse vivo, estaria, com certeza, a escrever uma epopeia sobre a imensa revolução cultural que está em curso... mas acredito que o seu "lado lírico" pudesse pender para as minhas ervas-moirinhas :)
      poetaporkedeusker faz hoje dois anos, sabe?
      Vou ter de "botar discurso" :))
      Um enorme abraço!

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  3. Não sou pessoa de muitas palavras nos comentários que faço.

    Perante este soneto apenas posso dizer que me curvo com carinho, pela forma magnífica como o fez.

    As pedras "são coisas quase vivas." São sim senhor. E pessoas que as vêem assim só podem ser amantes da Natureza, só podem ver o mundo de uma forma bela, que infelizmente muita gente não atinge esse prisma de ver as coisas.

    Um beijo
    Sustelo

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    1. Obrigada, meu amigo Joaquim. Eu, hoje, não estou no meu melhor... raramente me deixo entristecer tanto, mas acontece, por vezes. Hoje é o meu dia de "falar" de Port au Prince.
      Um enorme abraço.

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