SOLTA-SE A FERA...


 


E, de repente, em mim, solta-se a fera.


Insuspeitada, fera que, indefesa,


Paradoxal se exalta e, de surpresa,


Te mostra que já estava à tua espera…


 


Embora sendo fera, quem me dera


Poder vir a sentar-me à tua mesa,


Contigo partilhar quanta incerteza


Me nasce deste caos de ramos de hera…


 


Mas não temas, amigo. A fera, em mim,


Germinou num canteiro de jardim,


Jamais te fará mal senão no dia


 


Em que arranques do solo estas raízes…


Tu não sabes que as feras são felizes?


Que pugnam, como tu, pela harmonia?


 


 


 


Maria João Brito de Sousa


08.05.2010 – 12.00h


 


 


 


 


 

Comentários

  1. Que pugnam, como eu, pela harmonia
    Aquela que se quer entre as pessoas;
    As feras que descreves são tão boas
    O Mundo em feras dessas bom seria


    Não perco a minha esp'rança de inda um dia
    Soltando o mesmo grito que hoje entoas,
    Ver multidões cantando, hinos, loas,
    À paz, à união, em sintonia!


    Aí sentar-me-ei à tua mesa...
    Porém a partilharmos a riqueza
    De termos encontrado um Paraíso


    Porque esse tal jardim será enorme!
    E toda a gente canta e feliz dorme
    Espelhando em sua face um bom sorriso.


    Beijinho
    Joaquim Sustelo












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    1. Olá Joaquim. Um abraço grande por mais este soneto. Desculpa-me se hoje estiver sem graça nem inspiração. O meu cãozito, o Kico, está com um edema pulmonar, entre a vida e a morte. Não sei se achas que isto é um disparate, mas para mim é como se fosse um familiar muito chegado. Não dormi de noite porque ele estava com muita dificuldade em respirar e hoje só vim porque ele está menos aflito, embora tenha deixado de comer. À tarde tenho de voltar com ele ao veterinário. Ontem levou quatro injecções no consultório e eu trouxe mais três para casa, para lhe dar de seis em seis horas. Estou que nem me reconheço. Desculpa. Costumo ser forte, mas hoje sinto-me um autêntico zombie.
      Abraço grande!

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  2. Respostas
    1. Minha querida Ligeirinha! Nem imaginas... eu acho que isto já é praga! O Kico está muito mal, com um edema pulmonar. Não dormi toda a noite e, daqui a pouco, tenho de ir dar-lhe outra injecção.
      Um enorme beijinho para ti!

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  3. Olá Maria

    Vim ler teu soneto e também informá-la que enviei um e-mail, não do sapo, do gmail com o título de "Cartaz Perfeito", onde nele o animal mostra e pergunta o que eles tem de diferente de nós?
    Talvez seja um belo cartaz para colocar no mumbles.

    Abraço

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    Respostas
    1. Obrigada, Vera. Vou tentar colocar ainda hoje.
      O meu Kico está com edema pulmonar, eu estou com as lágrimas a bailar nos olhos e acho que ele não é mesmo nada menos do que eu. Pelo contrário. É mais meigo, dedicado e bondoso do que eu jamais conseguirei ser.
      Um enorme abraço para ti e desculpa se não conseguir visitar-te. Ele está a precisar de muitos cuidados e eu vou estar a ir a casa a toda a hora.
      Bjo!

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  4. Belo soneto, já li várias vezes e fico a pensar!
    Será que alguma vez eu consigo escrever assim?.

    Lindoooooooooo.
    Um abraço

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    1. Claro que sim, minha amiga Idalina! Os seus poemas têm crescido muito em musicalidade e beleza! Eu é que hoje estou muito preocupada com o meu Kico que está muito mal, com edema pulmonar. Nem dormi toda a noite. Felizmente trago uns poemas na pen e vou publicá-los. Hoje não consigo escrever nada de novo. Nada.
      Um enorme abraço para si e toda a família.

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  5. Alô Maria João, voltei a passar por aqui, o tempo passa a correr e de vez em quando não consigo, passar por casa de todos os blogoamigos...entretanto tb andei a decorar a minha nova casa (blog), mas os livros de histórias esses continuam nos mesmos sítios, apenas um pouco mais espalhados pela casa toda. Quanto à fera que se solta...percebi que não o é realmente, é uma fera doce, enraizada que aos amigos não fará mal....bjs

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    1. Que a fera se solte em si!
      Adorei

      Bj*

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    2. É isso mesmo, amiga. Vou tentar ir ver essas novidades, mas não posso prometer nada porque o meu cãozinho está muito mal e eu vou ter de estar a "correr" entre a minha casa e o CJO. Sinto-me vazia, hoje. Vazia, palerma e impotente. Tenho de lhe dar uma injecção daqui a bocado, mas parece-me que a Dona Morte, desta vez, não está disposta a vergar... e dói. Dói-me mesmo.
      Trouxe coisas na pen, senão não conseguiria escrever nada de jeito.
      Bjo!

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    3. Muito obrigada, Vitor... hoje a fera está de rastos. O Kico, o meu cãozinho, está muito mal. Nem sei se vou conseguir visitar-vos hoje.
      Abraço muito grande!

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