TELA III
Será por mim, jamais por quem não sinto,
Nem senti, nunca, sombra de empatia,
Que encaixo as pontas soltas deste instinto
Que transporta a palavra à melodia,
Mas sois muito bem-vindos ao recinto
Que engloba este universo e gostaria
De abraçar-vos na cor de quanto eu pinto
Sobre o branco que a tela me of`recia...
Bem-vindos sede, pois, à fome, à sede,
E à chama deste fogo insaciável
Que me vai consumindo, como vela,
Em função do poema, numa rede
Que é palco do projecto inalcançável
De quem lavra, em soneto, a branca tela...
Maria João Brito de Sousa - 19.08.2010 - 13.30h
Nota - Soneto reformulado a 07.09.2015
Belo, belíssimo! Parece o despontar do sol ou mesmo o surgir da lua cheia.
ResponderEliminarQuanta poesia emana dos arroubos da juventude ou do espírito também jovial que reside no poeta!
Parabéns pela inspiração e continue sempre jovem e com o espírito radiante!
Obrigada., poeta irmão! É mais o espírito que é jovem, amigo... a "embalagem" já tem muitos cabelos brancos :))
EliminarEste foi um daqueles sonetos que nasceram muito, muito rapidamente, de forma compulsiva. Para manter este ritmo de "um soneto por dia", tenho de, por vezes, me esforçar um pouco, mas este nasceu como se já tivesse vida, como se estivesse à espera que eu reparasse nele... mas tem tudo a ver com a minha vivência pessoal. Tudo.
Um grande, grande abraço!
Olá Maria João, deve ter estranhado a minha ausência , mas está tudo bem comigo ,só ando um pouco cansada e andei também preocupada porque o meu marido foi ser operado á vista e com tudo o que se ouve ,ficámos um pouco apreensivos.
ResponderEliminarQuando leio sonetos como este é que vejo como sou "pequenina" e como gostava de saber escrever assim, muito bonito como sempre.
Um bom inicio de semana para si.
Um abraço
Olhe, eu pensava que estivesse de férias. Como estão a correr as coisas com o seu marido? Espero que tenha sido uma cirurgia bem sucedida!
EliminarQuanto ao meu soneto, eu não o acho mau de todo... foi um daqueles que nasceram a correr, de forma compulsiva e penso ter conseguido dizer tudo o que me ia na alma naquele preciso momento... e também aquilo que vai há muitos anos e que eu penso que continuará por cá enquanto eu viver... mas a sua poesia também tem um encanto muito especial.
Um grande abraço para toda a família!
PS - Hoje vou eu entrar de férias. Estou num daqueles períodos de grande cansaço físico, o Kico continua a dar muito trabalho nesta fase terminal e ocorreu-me um problema que envolve terceira pessoa e que não revelo, por princípio.