CATA-VENTO


 





É tão paradoxal, o que me leva


À estranha gestação dos meus poemas


Que eu nunca sei se deva, ou se não deva


Buscar, no cata-vento, alheios temas…





Se assim, não procurando luz ou treva,


Recebendo, do mundo, tão apenas,


O sopro deste vento que me leva,


Sem premeditações e outros problemas,





Sem ter leme visível, sem que a vela


Se enfune em direcções que eu planeei,


Absorvendo somente o que encontrar,




O poema docilmente se revela,


Porquê forçá-lo, então? Não escreverei


Palavras que outro alguém tente instigar!


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 17.11.2010 – 18.46h

Comentários

  1. Boa tarde, parece que não é a primeira vez que estamos em sintonia, e sem sabermos escrevemos coisa parecidas, mas com palavras bem diferentes as tais metáforas que eu não sei muito bem "encaixar" e que deixam os seus sonetos com outra "vida".
    Um abraço até amanhã.


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    1. É verdade! Metáforas... são "imagens comparativas", a sua poesia também tem muitas!
      Idalina, não sei mesmo se vou aguentar até ao fim do horário do Centro... estou que parece que fui atropelada por um camião! Parece que não há nada que não me doa e tenho a impressão de que a gripezita está a voltar...
      Um grande abraço!

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  2. Mª. João

    Antes que a gripe te leve para casa te quero
    dizer que o teu poema tem vida, tem música,
    e é excepcionalmente bom!
    Dos melhores que tenho lido. Lindo de encantar.

    Te peço, escrevi sobre o Talmude
    e o final
    de um ditado dirigido à Mulher.

    Se possível aparece nos Prémios. Eu penso e sinto que está um encanto (para mim está).

    A Tac não revela nada neurológico!

    Alegra-te comigo, minha amiga e lê
    quanto o Talmude elogia a mulher.

    Beijos e melhoras. Não saias de rompante, espera por mim.

    Maria Luísa

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    1. Que bom!!! Podes não acreditar, mas eu adormeci MESMO enquanto teclava... estou bem pior das dores... todas elas! Doem-me muito as costas - no meio - e a cabeça, mas vou ao Prémios ver o teu artigo sobre o Talmude!
      Muito obrigada por me teres dado notícias boas e pelas tuas palavras!
      Até já!

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  3. Tens um dom! Está cheio de força, lindo!
    Ès o nosso Adamastor!!!!!!

    Beijinhos e trata de ti!

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    1. Linda! :) Mas... Adamastor? Assim tão assustadora? :))
      Um grande abraço!

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  4. Olá poetisa persistente, tudo bem????
    De poesia, vejo que sim, e do resto????
    bacini

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    1. :) Olá, Peter! Caramba! Vocês podem não acreditar e isso é legítimo mas, ultimamente, acontece-me pensar muito em um de vocês - blogs, ou pessoas por detrás dos blogs, tal como as imagino - e, ao abrir o poetaporkedeusker, lá está um comment dessa pessoa/blog!
      Vou fazer as minhas queixinhas do costume! Ando "empenada"! Ando tão empenada que as coisas que faço me levam mais do dobro do tempo habitual! Estou furiosa comigo mesma e capaz de me insultar! Também é verdade que ando num período daqueles, de dores físicas e febrinha... mas estou mesmo a ficar impaciente com este meu invólucro! :))
      Bacini!

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    2. premunição...
      melhoras, boa disposição, bom fim de semana.
      bacio.

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    3. :) Boa semana, Peter! Estou a ficar uma "craque" nesta coisa das premonições! :)
      Bacini!

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