DA SINUOSIDADE DOS RIOS E DA QUALIDADE DOS DISCURSOS


 


Há rios mais caudalosos, outros menos,


Há-os com margens planas, ou escarpadas,


Com percursos maiores, ou mais pequenos,


Com e sem quedas de água alvoroçadas...





Há discursos que são como venenos


Cheios de frases “feitas”, tão estafadas,


Que não contribuirão pr`ó que aprendemos


Pois só repetem coisas já escutadas…





Há rios que têm leitos tão constantes


Que, ao passar, deixam tudo como dantes,


Que nunca nos farão nem bem, nem mal…





Assim se hão-de pautar vossos discursos;


Os rios mais sinuosos nos seus cursos


Podem nem nos trazer grande caudal…


 


 





Maria João Brito de Sousa – 16.12.2010 – 20.12h


Comentários

  1. É este o poema de que falas que se pode parecer com meu minúsculo comments?

    Que espécie de rio traz meu discurso?

    É um rio constante
    Que não faz bem nem mal?

    Ou um rio sinuoso
    de discursos
    que nem traz grande caudal?

    Opto pelo último - 'não por gostar, mas por
    reconhecer nele, alguma coisa de mim.

    Lindo poema - Feliz Natal!

    Maria Luísa (Brasil)

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    Respostas
    1. "Há discursos que são como venenos

      Cheios de frases “feitas”, tão estafadas,

      Que não contribuirão pr`ó que aprendemos

      Pois só repetem coisas já escutadas…"

      ...É o que se ouve com mais frequência nesta altura do ano...felizmente temos a Maria Joaõ por perto,que em prosa e poesia...as contraria!

      Feliz Natal

      Bj*

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    2. FELIZ NATAL...COM MUITA INSPIRAÇÃO NO SAPATINHO...FOI UM PRAZER LÊ-LA TODO O ANO QUE SE APRESTA PARA FINDAR.NA NOITE DOS REIS MAGOS,VOU-ME LEMBRAR DE UMA MAGA DA POESIA:MARIA JOÃO...QUE O SEU DEUS A ABENÇÕE!

      Obs.Tenho exactamente este comentário no seu outro blogue,mas achei que o devia também deixar aqui.

      BEIJINHO

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    3. Não, Maria Luísa! Não era a este poema que me referia! Não encontro paralelos entre este poema - dirigido a um outro tipo de público - e aquela nossa última conversa! Não tem nada a ver! Estava a falar do Nascimento da Palmeira!

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    4. Olá, Vitor! Não sou mulher de grandes discursos :)
      sou uma mulher de poemas... este é um reflexo, uma consequência do efeito que os discursos, no geral, têm provocado em mim e do efeito que eu vou descobrindo que exerce sobre outras pessoas... este é um daqueles poemas que eu escreveria mesmo que não estivesse na blogosfera.
      Feliz Natal para si e família!
      Abraço grande!

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    5. :) Obrigada, Vitor! Talvez haja alguma magia na minha poesia, mas não é a suficiente para evitar certas incompatibilidades e a morte do meu Beethoven que está mesmo, mesmo em vias de se ir embora deste mundo... sei que é velhote, mas é o menos velhote dos meus três sobreviventes e isto está a custar-me muitíssimo.
      Espero conseguir voltar amanhã e poder roubar, a esta saudade antecipada, um poema qualquer, para publicação. Hoje trago poemas de antes de ele ter mostrado os primeiros sintomas de desistência da vida.
      Enorme abraço!

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