O DECIFRADOR DE ENIGMAS


 


Lacónico e soturno, decifrou


Enigmas proibidos, viscerais,


Mas cansou-se, não quis decifrar mais,


Arquivou as perguntas e parou.


 


Depois de os decifrar, logo os soltou


No frémito das asas dos pardais


E fez deles mistérios naturais


Do sistema solar que os engendrou.


 


Lacónico e soturno, permanece


Contemplando os sinais que a Terra tece,


Pois também ela engendra os seus enigmas,


 


Mas volta a duvidar quando acontece


Notar que são demais, e reconhece


Que sempre irão faltar-lhe paradigmas.


 


 


Maria João Brito de Sousa - Janeiro, 2011


 


 


 


 


Que a dúvida te não assuste; ela, em si mesma, é fé.


 


Michelet

Comentários

  1. A dúvida em si mesma ë Fé...sem duvidas eu
    creio.
    Agradeço muito tua lembrança de mim

    O tempo passa
    O esquecimento passa mais rápido que o
    tempo.
    Sempre acreditei nisso!

    O teu poema se parece contigo - és tu, mas
    numa outra dimensão.

    Ainda me encontro no Brasil!

    Um abraço,

    M. Luísa

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    Respostas
    1. E só agora te respondo, pois acabo de chegar do hospital onde consegui uma consulta sem prévia marcação. Sim, também eu - um pouco todos nós... - sou decifradora de enigmas, mas o que tenho vindo a confirmar, ao longo destes últimos anos, é que os que a mim me interessam não são, de maneira nenhuma, os que interessam à esmagadora maioria.
      Espero que esteja tudo bem contigo. Deve fazer, por aí, um calorzinho invejável! :)
      Abraço!

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    2. M. João

      Muito calor por aqui, depois da tragédia da região serrana do Rio. Grandes contrastes!

      Ainda estou no Brasil, mas só esta semana , até final.

      Escrevi no prémios um Paraíso que
      já matou muita gente, noutros tempos.
      A Natureza é bela
      A Beleza é cruel...

      Mas é de uma beleza que não se pode transmitir.

      Foste parar ao hospital, lamento... e o facto
      de não te interessares pelo que interessa à
      maioria, nada tenho a dizer.
      Gostei de te encontrar.

      Um abraço

      M. luísa

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    3. Tanto calor assim? Não fazes ideia do frio que tem feito por cá... tem sido um Inverno muito rigoroso.
      Aquela tragédia foi perfeitamente inominável!
      Vou tentar ir ao Prémios!
      Bjo!

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  2. A dúvida pode assustar mas é criadora de novos mundos.
    É também um bom instrumento de trabalho para nos guiar nos cruzamentos da vida.
    Magnifico poema. Roubei-o.
    Um abraço

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    Respostas
    1. Obrigada por tê-lo roubado, meu amigo Artesão.
      Não sei se terei tempo para o visitar... espero que esteja melhor!
      Abraço!

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  3. Lindo poema!

    Quantas vezes quis decifrar
    Os enigmas que se fez...
    Como um imãn os busquei
    E eles se apossaram de mim.

    ...

    Abraço

    Ps. Minhas férias terminam domingo

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    Respostas
    1. Lá no fundo, Vera, as férias são férias por isso mesmo... acabam sempre muito cedo e deixam-nos a vontade de chegar até às próximas... falo por experiências do meu passado, claro. Agora não sinto assim de forma nenhuma...
      Abraço!

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  4. acho extraordinário este poema!
    obrigada
    beijinho
    Isabel

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  5. Olá poetisa. Filho de peixe sabe nadar. Muito bem.bacio

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    1. Neto de peixe, no meu caso, Peter.
      Gosto muito desta caricatura do António de Sousa! Não sei se é do Santana Dionísio.. aquele S.D. não me dá grandes certezas...
      Bacini!

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