PRIMAVERA


 


Vestiu-se o céu de azul sobre a cidade


Exausta do cinzento que fazia,


Prenchendo de cor e claridade


A vida oculta que em si mesma havia.


 


Nasciam flores da pura insaciedade


Do tal ciclo solar que se oferecia


Uma vez mais, cantando a liberdade


De recriar-se em luz, todo utopia…


 


Sob este azul que agora veste o céu,


Tentando interpretá-lo, estarei eu


Que nada sei dizer do que não sinto…


 


(perdoem se vos falo do que é meu;


por mais que eu queira o céu, ninguém mo deu,


e eu, de meu, só tenho o que aqui pinto…)


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 21.03.2011


 

Comentários

  1. Bonito hino á Primavera , mas com uma certa mágoa.
    Eu sei que o Sol quando nasce é para todos, mas brilha mais para uns e menos para outros, e parece que cada vez mais é assim.
    Um abraço

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    1. Ai parece, parece, minha amiga! Mas se houve mágoa, foi toda por estar a sentir-me tão mal nesse dia que tive de recorrer a toda a técnica e prática que vou tendo... nem imagina como me esforcei por esse soneto! O Sapo lançou o repto e eu não quis deixar de assinalar o dia, mas não trazia nada feito e estava aqui, no CJO, por pura teimosia e porque se me meteu na cabeça que haveria de estar online todos os dias que os horários do centro mo permitissem. Continuo a não me sentir nada bem, mas já estive muito pior.
      Abraço grande e muito obrigada pela visita!

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  2. Lembro-me bem da primavera de Portugal. Lindas flores, mas nesta época ainda havia frio.
    Saudades.
    Aqui começou o outono e já anda esfriando.

    Bjs

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    1. E eu continuo a ter frio, Vera... hoje está uma ventania daquelas e eu acabei por vestir dois casacos :)
      mas está um dia bonito... pelo menos faz sol e consegue-se esquecer o vento frio com uma dosezita de boa vontade...
      Abraço grande!

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  3. Mª JOÃO, ESTE SONETO PRIMAVERIL ESTÁ MUITO, MAS MESMO MUITO BOM... ISTO FOI COM DOR DE CABEÇA? FARIA SE NÃO FOSSE!

    TALENTO E MESTRIA NA ARTE DE POETAR É O QUE JÁ ESTÁ HÁ MUITO CONFIRMADO - ÉS UM CASO SÉRIO NESTE CAMPO!

    ESPERO QUE A DOR DE CABEÇA TENHA PASSADO... EU SÓ TENHO QDO DURMO DE MENOS, MAS É DE ARRASAR.

    MELHORAS E BEIJINHOS!

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    1. :) OLÁ, LEONOR! QUE BOM VÊ_LA POR AQUI! NEM QUEIRA SABER O ESTADO "MISERÁVEL" EM QUE EU ANDO, AGRAVADO PELO IMINENTE CORTE DA ÁGUA E AO ATRASO DO SUBSÍDIO... ANDO NUMA MISÉRIA PEGADA E, AINDA POR CIMA, VEJO-ME AFLITA PARA ME MANTER NOS GRUPOS DE POESIA EM QUE ESTOU INSERIDA, NO FACEBOOK... JÁ METO OS PÉS PELAS MÃOS E ESQUEÇO-ME DE QUASE TUDO O QUE COMBINEI FAZER NA VÉSPERA :) CHEGA A SER CÓMICO, DE TÃO ABSURDO QUE É... E HOJE SÓ CONSEGUI CHEGAR A ESTA HORA, QUE É A HORA DO ALMOÇO NO CENTRO... AINDA BEM QUE GOSTOU DESTA PRIMAVERA... ESTAVA TÃO SEM INSPIRAÇÃO QUE LEVEI O ALMOÇO TODO A FAZÊ-LA, NUM GUARDANAPO DE PAPEL...
      BEIJO E MUITO OBRIGADA!

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  4. Respostas
    1. Se me visse hoje, acharia muito... estou tão lenta que pareço um caracol e quase não me aguento nas pernas... não tenho poetado quase nada... só uma coisita ou outra que vou tentar deixar no Montanhas e no Liberdades e ainda encontrei, por puro acaso, um papelito de um tio meu com um belíssimo soneto manuscrito... se conseguir não cair para o lado :)) vou tentar publicá-lo no Prémios e Medalhas. É um tio do lado materno, monárquico, por oposição ao lado paterno em que todos eram devotadíssimos republicanos, que morreu no forte de S. Julião da Barra, prisioneiro político. A minha mãe estaria muito mais bem documentada do que eu para falar sobre a morte dele, mas já não está entre nós... visitou-o muitas vezes, quando ainda se ia ao forte de caléche.
      Beijinho!

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