POEMA À PRIMEIRA DAS ÚLTIMAS MULHERES


 


Imaculada, escrevo o que não devo


E inundo a absurda cova do meu fim


Com húmus inventado num jardim


Inexistente e, também ele, primevo…


 


Imaculada… e sei que me descrevo


Com o que de melhor existe em mim


Pois, se não fosse a cova ser assim,


Tão funda, tão escavada em seu relevo,


 


Talvez eu conseguisse enchê-la toda


Destes versos que enlaçam, numa roda,


O desmentir da minha identidade…


 


É, porém, tão mais funda e mais real


Do que é, do mar imenso, amargo o sal…


(mas nunca afirmarei que isto é verdade!)


 


 


 


Maria João Brito de Sousa

Comentários

  1. Muito bonito este soneto ,como sempre.
    Já está um pouco melhor, nota-se no que escreve. Mas cuide da sua saúde porque ela é muito "frágil"e precisa de muita atenção.
    Um abraço

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    1. Olá, minha querida Idalina a quem eu devo tantas desculpas por ainda não ter conseguido terminar o que bem sabe... mas prometo que, neste fim de semana, não faço outra coisa!
      Tem razão. Embora esteja ainda muito fraca e febril, já não tenho tantas dores. Amanhã se verá, pois a análise de urina deve estar pronta e, muito embora deva ser inconclusiva porque estou a tomar antibiótico, pelo menos deve dar conta do sangue que eu tenho andado a perder e dos nitritos, se os houver. Se der negativo, terei de a repetir dentro de dez dias...
      Muito obrigada pelas suas palavras e um abraço grande!

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  2. "Renascer"

    Os muros que já caíram
    Serviam de corta-fogo
    Dos fogos que eclodiram
    Nasça já um mundo novo

    Dessas cinzas flamejantes
    Uma nova fénix renasça
    Não aos homens como dantes
    Que renasçam doutra massa

    Saibam conduzir o destino
    Desse mundo agora nascido
    Sem aquele instinto canino

    Que os fazia a presa morder
    Espumar p’lo lucro apetecido
    Para não voltarmos a arder.

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    1. :) Olá!

      Possa o homem ser melhor
      E respeitar o planeta,
      Nessa causa, que é maior,
      De entender quem é poeta...

      Possa a justiça ser tal
      Que a todos saiba julgar
      Dessa mesma forma; igual!
      De uma igualdade sem par!

      Possa a vida florescer
      Na mais perfeita harmonia
      E em todo o seu esplendor!

      Possa, este mundo, entender
      A função que lhe cabia
      Na distribuição do Amor! :)


      Abraço gde!

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  3. Mais um soneto fantástico Maria :)
    Espero é que isso não seja mesmo verdade e que essa cova se mantenha vazia por muito tempo :')

    Como estás hoje? ^^

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    1. Pela relativa facilidade com que as palavras me vão nascendo, acho que estou melhor... as dores já não são tão intensas mas continuo a ter muita dificuldade em movimentar-me... mas já tive muito mais! Estou um bocadinho melhor, sim! :)
      Um abraço grande e obrigada! :)

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