A FLOR E A ARMA
METAMORFOSE
“Tenho alma de papoila;
mal se toca, mal se agita,
caem-lhe as pétalas todas
e fica morta, despida
noutras vezes, a papoila,
só por força do dever,
transforma-se em rocha dura
resiste à dor, à tortura,
nada a pode comover
mas, rocha bruta ou papoila,
no palco fica a Mulher;
eu, metamorfoseada
em anjo ou alma-penada,
ora papoila, ora fraga,
conforme vos convier”
Maria João Brito de Sousa - 1993(?)
Poema introdutório, escrito por mim no Verão de 1993
A FLOR E A ARMA
*
Dei-vos a flor das armas que não tinha
- ou tinha e quereria nunca usar... -
E a dupla imensidão desta alma minha
Num corpo que a mal sabe resguardar,
*
Entreguei-vos a espada, sem bainha,
Na baioneta, pronta a disparar,
E ninguém reparou que ela, sozinha,
Se transformava em flor pr`a vos cantar
*
Por isso já não sei se arma, ou se flor,
Mas seja ela aquilo que ela for,
Ninguém pode negar-lhe a dupla vida
*
E, ao entregá-la com tão grande amor,
Com ela disparei, sem mágoa ou dor,
Um verso em flor por pétala caída.
*
Maria João Brito de Sousa – 17.07.2011 – 16.29h
Imagem - Eu, em 1956
Muito belo! Que muitas pétalas ainda caiam.
ResponderEliminar=)
“O meu primo”
A velhice em ti só entra
Quando a deixares entrar
Faleceu pr’a lá dos oitenta
E os jovens por ele a chorar
Era um dos filhos de Deus
E seu ministro era também
Sempre zelou pelos seus
Por isso lhe queriam bem
Eu cá nunca havia visto
Uma exéquia assim tão bela
Gente veio de todo o lado
E de Deus tanto ministro
Tão pequena era a capela
Tanto discurso empolgado.
:) !
EliminarA ver vamos, Poeta... eu hoje estou literalmente a dormir em pé e, neste preciso momento, estou a sentir-me mais para o desmaio do que para a escrita... mas não há problema porque se tiver um faniquito - e eu nunca tive nenhum... - a sala tem gente que me pode acudir. Só espero que não me dê mesmo porque é desagradável e aborrece toda a gente... vamos a isto;
Do fundo deste cansaço
E já quase a adormecer
Inda vou mexendo o braço
Para conseguir escrever...
A ver se eu entendi bem;
Faleceu um primo seu
De muito avançada idade...
Condolências e, também,
Este grande abraço meu
Já com alguma saudade.
:/ Eu logo vi que ia dar asneira... esqueci-me de uma estrofe... a segunda. Depois tento "encaixar" lá uma estrofe, está bem?
EliminarAbraço grande.
Maria João....li assim, meio a correr alguns poemas teus.
EliminarDeslumbrei-me.
A tua poesia tem vida e alma.
Muita alma.
Fantásticos poemas.
Parabéns.
Senti-me pequeno perante a tua poesia.
Obrigada, amigo! Fico muito contente por teres gostado! É um dos grandes problemas da net, esse de termos de ler tudo "a correr". Comigo passa-se exactamente a mesma coisa e, às vezes, sinto-me frustrada por não poder ler mais e com maior cuidado. A poesia deve poder ser saboreada! A minha produção também está a ressentir-se desta velocidade toda... costumo pensar que é por eu ter um problema degenarativo do tecido conjuntivo... e também será, mas a verdade é que nós lemos toneladas de palavras por dia e se não começamos a aceitar bem os limites do nosso corpo e da nossa cabecinha, corremos o risco de nos tornarmos leitores sem qualquer qualidade e incapazes de nos emocionarmos com o que lemos... penso que não devo ser a única a "sentir" isto.
EliminarUm abraço muito grande eum bom domingo para ti! Bem hajas por teres vindo até cá! :)
Estás a ver o que eu dizia? Só agora li a última parte do teu comment ... pequeno? Mas o que é isso??? Não senhor! A poesia deve fazer as pessoas crescerem! :)
EliminarAbraço gde!
Oi amiga
ResponderEliminarEsta é a l uta de todos nós e que com o passar dos anos muitas pétalas cairão. É a vida. É o ciclo.
As sementes brotam novamente.
Abraço.
Olá, Vera! Sim, é um ciclo de vida e também uma metáfora para a produção poética. As sementes brotarão sempre, sem dúvida nenhuma!
EliminarAbraço grande!
Há quem diga que" as pétalas caem e vão renascer noutro lugar com o aspeto diferente, das primeiras pétalas caídas.
ResponderEliminarNão gosto de acreditar nessa idéia! Não gosto de acreditar no retorno ao mesmo ou a outro lugar.
Basta uma vida para viver!...
Lindo teu poema!
Maria Luísa
Eu gostaria de acreditar, Maria Luísa, mas se dissesse que não tinha dúvidas, estaria a mentir aos outros e a mim mesma... e não o quero fazer. Não quero mentir de maneira nenhuma e essa é uma das razões que me levam a viver a dúvida sem nenhuma angústia.
EliminarEstás bem? Eu hoje, não sei porquê, estou a sentir-me à beira do desmaio... não me assusto muito porque pode ser só uma baixa de tensão arterial e passar já a seguir... também pode ser porque o meu Kico teve uma noite "daquelas", sujou o chão da casa toda e eu tive de gastar muita energia a limpar tudo... mas já passa e a sala tem gente que está instruída no sentido de actuar junto dos serviços de emergência assim que há qualquer problema.
Abraço grande e até já!