AMADA FILHA DO MAR


Eu sei que tenho manhas e manias


Pois tento ser aquilo que Deus quis


Mas juro que é assim que sou feliz,


Fazendo, certamente, o que devia…


 


Se a metáfora surge… é por magia!


Não sei explicar, de todo, o que ela diz,


Mas diga o que disser, sei bem que fiz


Exactamente aquilo que ela queria…


 


Nas manhãs em que, ouvindo a voz do mar,


Me sinto tão mais viva e tão mais eu,


É dentro do meu mar que encontro o céu


 


Posso ser só um fado por cantar


Mas sei que cada vez serei mais ilha


Por ser, deste meu mar, a amada filha.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 10.07.2011 – 20.27h

Comentários

  1. Peço desculpa, mas acho que tenho razão, ao ler algo assim eu jamais poderia ser considerado poeta.

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    1. Ora essa?! Não tem razão nenhuma!!! Nenhuma!
      O soneto nasceu-me muito "cantante" - foi a cantarolar um fado que ele nasceu... - e muito cantável, mas isso não quer dizer que não haja um ou outro menos bom... e todos os poetas serão poucos! Não me pergunte exactamente porquê, mas os poetas nascem e, portanto, fazem falta! Se os poetas fossem criaturas dispensáveis, já estariam "extintos" há muito tempo... :))
      Um abraço grande, Poeta!

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    2. “Poema assassinado”

      Todos os poetas são poucos
      Para a poesia ajudar a nascer
      Até mesmo os poetas loucos
      Podem ajudá-la a desenvolver

      E que dizer dos poetas roucos
      Nasce deles a poesia arranhada
      Que a ouçam os poetas moucos
      Gritem-na, ou não ouvem nada

      Que uma poesia assim gritada
      Pode ainda mais longe chegar
      Mais que a poesia amordaçada

      Essa será uma poesia torturada
      Não nascerá se a estão a matar
      Temos uma poesia assassinada.

      Eliminar
    3. :) Poeta, só agora cheguei e tenho de sair dentro de poucos minutos, para o almoço. Agora "falamos" só um bocadinho e, depois, venho ver se consigo responder-lhe dignamente.
      Li a minha resposta de ontem e até me assustei... :))
      Devia estar "inflamada" com a ideia de o ver a "apoucar-se" e brindei-o com uma data de pontos de exclamação... lembro-me de que andava a saltitar entre o correio do Gmail, o Horizontes e os Poetas do Facebook... quando tento fazer muitas coisas ao mesmo tempo fico muito mais reactiva... não me leve a mal! Mas mantenho essa ideia de que os poetas fazem falta! Todos os poetas fazem falta e não somos senão operários das palavras... fazemos todos falta; nós, os músicos, os pintores, os escultores, os dançarinos, etc, etc... pode não parecer, mas temos um papel importante em todas as sociedades e, mesmo quando não somos entendidos em vida, as nossas palavras ficam por cá e continuam a "construir" muito depois de termos deixado de existir.
      Agora vou publicar o soneto de hoje - também é muito cantante :)) - e depois volto cá!
      Abraço e até já!

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    4. Se a Poesia for assassinada
      Diremos que se foi, mas foi de pé,
      De rosto erguido e bem determinada
      A espalhar pelo mundo aquilo que é!

      Mas ela, como todos os seres vivos,
      Saberá conservar suas sementes
      E terá, lá no fundo, os seus motivos
      Pr`a se prender ao coração das gentes...

      Creio na Poesia em Liberdade
      Quer seja ela do campo ou da cidade
      E sei que já morta ela se rende!

      Creio nas coisas que deixam pegadas,
      Que constroem seus passos como estradas
      E que ninguém, mas mesmo ninguém, prende!

      M. João - Até saiu em soneto e tudo, Poeta! :)

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    5. Ups... O último verso do primeiro terceto - terceira estrofe - saiu todo "engatado"... escrevi depressa demais... deveria ser "E sei BEM que NEM morta ela se rende!"

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  2. “Leilão”

    A poesia vai a leilão
    Numa leiloeira famosa
    Antes leiloou a prosa
    Leiloa também sabão

    Para a alma desencardir
    Por tanta cultura faltar
    Qualquer dia vai leiloar
    A vida e nós a aplaudir

    Venda-se a alma e vida
    Que isto aqui está a saque
    Mas antes venda-se a fé

    E se restar alguma dúvida
    Consulte-se o almanaque
    Procure-se a melhor maré.

    ResponderEliminar
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    1. Eu, que sou sabotadora
      - embora sendo poeta... -,
      Devia mesmo ir-me embora
      Mas vem à tona a faceta

      Que me insulta; - Desertora!
      Se eu fugir à "cena" preta...
      Não vendo esta alma cantora,
      impossível, sempre inquieta!

      Venha lá quanto sabão
      Nos queira lavar as nossas
      Mais acesas convicções;

      Digo-lhe sempre que não
      E mando-o limpar as fossas
      Do capital dos mandões! :)

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