DE QUE ME FALAS TU, QUE ME NÃO SABES?


 


DE QUE FALAS TU QUE ME NÃO SABES?


*


Não me falas da pátria que mal vês


Num povo que procura identidade.


Falas do “teu” país mas, na verdade,


Nem sei se hei-de chamar-te português.


*


 


Não me falas das leis da natureza


Pois nunca as encontrei no que tu dizes;


Negas sabedoria aos aprendizes,


Mas não saberás mais, tenho a certeza!


*


 


De que me falas tu que me amordaças


Quando vislumbro um pouco da verdade


E tento partilhar o que descubro?


*


 


Não te digo mais nada se ameaças


Vergar-me o tronco firme da vontade


Para arrancar de mim o cravo rubro!


*


 


Maria João Brito de Sousa


2011


 


IMAGEM - Eu, aos seis anos, com o pai e a mãe

Comentários

  1. Este é daqueles que tenho que ler dez vezes, a Maria João não tem culpa mas a minha compreensão tem destas coisas.

    =)

    “Um novo olhar II”

    Já não será o mesmo agora
    Este mundo ferido de morte
    Apunhalam-no a cada hora
    E fica entregue à sua sorte

    Este mundo um dia vai parir
    Das entranhas um novo mundo
    Mas enquanto esse não surgir
    Que este seja assaz fecundo

    Fecundo de paz ou de guerra
    Fecundo de amor ou ganância
    Fecundo de ideias ou manhas

    Sempre em mutação esta terra
    Terra de riqueza e abundância
    Sejam rasgadas já as entranhas.


    Inspirado em,
    http://www.youtube.com/watch?v=mdY64TdriJk


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    1. Tenho culpa, tenho, Poeta... este soneto saiu-me em resposta "directa" a uma opinião que nada tem a ver com o que se vai passando por aqui, na blogsosfera e eu nem tencionava publicá-lo. Só o fiz porque, ontem, me esqueci de guardar na pen o soneto do dia...
      Estive quase a conseguir responder-lhe ontem à noitinha, mas acabei por não conseguir. Tive uma oportunidade de acesso através de um amigo e andei por aí... ou por aqui :) Também não consegui ver o vídeo do Eduardo Galeano porque parou logo no início da "rodagem". Só deu para ouvir as primeiras palavras...

      Falando do seu poema,
      Penso que foi sempre assim;
      A cada Era, um problema
      E uma solução no fim...

      Sempre houve quem combatesse
      Por um mundo bem melhor
      E quem sempre recomece
      Nos amanhãs que dão flor

      A humanidade inteira
      Está ainda no começo
      De uma mais longa jornada

      E há-de encontrar maneira
      - pagando, embora, um bom preço... -
      De ir além da madrugada :)

      Abraço grande!

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  2. Olá minha amiga, como vai a sua saude?Este seu soneto é uma grande verdade nós já não sabemos quem somos nem quem nos comanda, vamos para aqui andando cada vez mais devagar e com mais dificuldades.Um grande abraço.
    Ainda não tenho o registo do titulo mas está tudo a andar, um pouco devagar talvez mas tem de se ter paciência.

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    1. Olá, Idalina! :) Eu ainda nem tenho o prefácio acabado! Mas vou acabá-lo, esteja descansada!
      Desculpe-me estas ausências mas a verdade é que eu cada vez me disperso mais e cada vez tenho menos tempo online para visitar os amigos... o Face é um maroto e acaba por nos levar daqui para ali, sem que consigamos dar pela passagem das horas...
      Um enorme abraço e um bom fim de semana!:)

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    2. Pois é o "Face" é que me tem roubado muito do meu tempo, mas eu prometo que vou tentar não perder tempo demasiado com "Ele"Ando a sentir falta da minha escrita.
      Um bom fim de semana

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    3. Eu sei bem como é, amiga! Parece que "o tempo todo se ganha" mas a verdade é que quando tenho de deixar de escrever porque não o tenho, ou deixar de comentar com alguma qualidade, porque ele foi gasto a desentupir a caixa do gmail, começo a perceber que nem todo o tempo se ganha... mas vou ver se volto a ter uma oportunidadezinha de aceder sem ser daqui... :)
      Abraço grande e muito obrigada! :)

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