PESCADORES - "Soneto" experimental com versos de nove sílabas métricas

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Será sempre miséria o que temos


Porque é sempre no mar que buscamos


Esse tanto que nunca tivemos


Do manjar que, não tendo, vos damos


 


Sobre o mar, que é tão nosso, crescemos,


Defendendo os interesses dos amos,


Retirando da força dos remos


Cada metro do chão que varamos


 


Quando às redes dos braços trazemos


Todo o peixe que agora pescamos


Somos nós e só nós que sabemos


 


Quanta luta de morte enfrentamos


Nestes braços cansados que erguemos


Pelo pão que jamais vos negamos!


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 09.07.2011 – 17.09h


 

Comentários

  1. Muito bom mesmo!
    Mais uma excelente homenagem aqueles que passam mais tempo em mar do que em terra firme :)

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    1. Estou sem palavras, Paper... o soneto é experimental porque só tem nove sílabas métricas em vez das dez do verso heróico que eu costumo utilizar... mas continuei a acentuar a sexta, como nos heróicos. Estranhamente nasceu todo ao som do Sérgio Godinho... mas eu nada sei de música e não a publico, claro está! Mas que ele me inspirou uma forma nova de soneto, não há dúvida nenhuma!
      Abraço grande!

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  2. “Filosofia”

    Havia o monstro de Portugal
    O pântano também era nosso
    Andar de tanga até agradeço
    E agora há o desvio colossal

    Como pode um pequeno país
    Ter tantos problemas gigantes?
    Mas que raio de governantes!
    Pr’a meu governo não os quis

    O pior é que me desgovernam
    Das contas caseiras, o balanço
    Eu nem percebo de economia

    Mas porque é que não hibernam?
    Poupavam-nos a tanto falhanço,
    Ou vão todos estudar filosofia?

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    1. :)) !

      É estranho, mas a verdade
      É que a crise é tão global
      Que bem pouco desmerece
      Este nosso Portugal...

      Não sei se ainda verei
      O que está pr`acontecer
      E se agora desvendei
      O que alguns querem esconder,

      Mas o mundo, todo inteiro,
      Atravessa um mesmo impasse
      Que tem a ver com "dinheiro"...

      Sistemas? Tremem de medo
      E, se o planeta falasse,
      Diria; "O homem? Cruz credo!" :)) !

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  3. Sim, no seu remam todos e há harmonia, música, tudo...
    No meu só um rema e andam todos à lambada, um dia hei-de conseguir aprender mais...

    Prof Eta

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    1. :)) "Andam todos à lambada" ... poeta! Deixe-se levar pela música... marque um compasso, usando as sílabas tónicas e átonas de cada palavra... estas minhas "respostas" apressadas também andam um bocado "à lambada"... porque aqui não dá - ou só raramente dá... - para recorrer à tal musicalidade. Muitas pessoas não entendem mas, às vezes, estou horas em silêncio, só trabalhando automaticamente com as mãos e mantendo o pensamento totalmente liberto, para me nascer um soneto... gostaria de saber explicar melhor mas não sei... ou fica tudo muito esquisito e complicadíssimo quando, na verdade, é preciso um despojamento quase total de objectivos imediatos, quando nos "nasce" um bom poema. Os melhores que eu já fiz, surgiram-me sempre de surpresa... mas é claro que dão muito trabalhinho depois... há que mudar uma sílaba aqui, um tempo verbal ali, substituir uma palavrinha acolá... trabalho nunca é demais! Mas é essencial essa coisa do "compasso". Eu, que não entendo nadinha de música, fiz este enquanto trauteava o "Que força é essa?". Se ele tivesse as dez sílabas métricas do verso heróico, não "caberia" na música... por isso é que a musicalidade é tão importante na poesia! Acho eu... que me perdoem os letristas se disse alguma "enormidade", mas estou muito convicta de estar a dizer uma grande verdade poética...
      Abraço grande! :)

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  4. “Clave de sol”

    De música me embriago
    Com poesia m’embebedo
    E tu não bebes um trago?
    Emborca forte sem medo

    S’acaso saíres a cambalear
    Vais ver que és amparado
    Mesmo antes de cair ao mar
    E nunca morrerás afogado

    Se te afogares em estrofes
    Te atingir um dó sustenido
    Vais ver que terás salvação

    Até nas grandes catástrofes
    Por um soneto serás protegido
    Uma clave de sol te dará a mão.

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    1. Está a "fluir" muito melhor, Poeta! :)

      Hoje é um daqueles dias em que tive de ficar à espera que vagasse um computador e, ainda por cima, estou com muito mais cólicas... mas ainda não cheguei à incapacidade de resposta! :)

      Nos dias em que a dor vem ocupar-me
      Perco, às vezes, o "jeito" pr`a escrever
      E não sei fazer mais que lamentar-me
      Daquilo que me está a acontecer...

      Hoje, porém, teimosa como sou,
      Posso ranger os dentes e soprar
      Mas nada negará o que vos dou
      Enquanto esta vontade não faltar!

      Estarei muito dorida ... mas o dia
      Inda agora começa a desdobrar-se
      E o céu nasceu azul de manhãzinha...

      Mais uma estrofe - ou duas... - nasceria
      Na vontade que está a concentrar-se
      Nestas mãos que não param...sorte a minha! :))


      Abraço grande! :)

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  5. Oi amiga

    É muito bom ver-te com teus sonetos no facebook.
    Está muito bem musicalizado.
    Só falta alguém cantar.

    Abraço.

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    1. :) Olá, Vera! Eu ainda me entendo menos bem com o Face, mas lá vou conseguindo enviar os sonetitos :)
      Beijinho e obrigada!

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