ASSIM É O POEMA


Em qualquer noite de um qualquer Verão


Vislumbrei uma estrela que passava


E fixando-lhe o rasto que brilhava


Fiz del` sopro de voz, poema em vão


 


Poema só não passa se lhe dão


A cuidada atenção de quem o escava


E é, tal qual vulcão rompendo em lava,


Um grito, um brilho intenso, uma explosão


 


Mas, tanto a lava quanto a estrela errante,


Podem surgir-nos a qualquer instante,


Abalar-nos, tocar-nos de repente


 


E assim é o poema quando surge;


Uma força iindomável que nos urge


Como urge o alimento a toda a gente


 


 


Maria João Brito de Sousa – 25.08.2011 – 14.20h

Comentários

  1. Não se pode dizer muito sobre um poema! Gosto.

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    1. Tem toda a razão, Zilda! Eu também não consigo tecer grandes comentários sobre os poemas que vou encontrando por aí. Por muito bons que sejam, parece-me que os ofendo se falar muito deles... :)
      Abraço grande e muito obrigada!

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  2. “Adivinha”

    O poder ofusca a razão
    Política é o complemento
    O capital é o condimento
    E o ex-líbris é a corrupção

    Passas a ser moeda de troca
    De equilíbrios impossíveis
    Os danos não são visíveis
    Porque o mal não te toca

    Vives na redoma de vidro
    Blindado pela economia
    És a nossa maior desilusão

    Lixas o mais desfavorecido
    Aquele que já não podia
    E que faz das tripas coração.

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    1. O poder sempre ofuscou
      Tanto ou mais do que o dinheiro!
      Estou pr`a ver quem o negou
      Ou o recusou primeiro...

      Só não sei que adivinhar
      Mas talvez não seja mau
      Ficar a conjecturar
      Sobre um boneco de pau...

      Mas o poema é bem-vindo
      Embora eu nunca adivinhe
      Tão grande interrogação

      E neste terceto eu findo
      Com qualquer que se avizinhe
      Pr`a lançar-me em confusão! :))


      Fico à espera, se me for dado saber a resposta a esta adivinha, Poeta... :)

      Abraço enorme! <3

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  3. “O figo”

    Mais poderosa do mundo
    Deste mundo de papelão
    Em breve baterá no fundo
    É o efeito da globalização

    China chama-lhe um figo
    E vai metê-la num chinelo
    Dá ouvidos a este amigo
    Que mais isto eu te revelo

    Neste nosso mundo global
    Andam a dividir pr’a reinar
    Através da ultra especulação

    Por isso teu poder é virtual
    Apenas poderíamos singrar
    Fazendo uma enorme união.

    Prof Eta

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    1. Mais poderosa do mundo?
      Não sei bem quem possa ser
      E, aqui, até me confundo
      Com tão infindo poder...

      Falarás de uma nação?
      Da americana, talvez,
      Ou da sua convicção
      Nas coisas em nem crês...

      Tu não crês, nem eu o creio
      Não podemos ter receio
      Porque essa união virá

      E se ainda não falei
      É porque aquilo que sei
      Pouco vantagem trará...


      Também aqui fico à espera, Poeta!
      Um enorme abraço! :)

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  4. “Procura-se”

    Hoje vamos acabar com isto
    Só que isto nunca mais acaba
    O homem nunca mais foi visto
    Mas todos sabem onde estava

    Aqui joga-se ao gato e ao rato
    Procuram-no vivo ou morto
    No hotel, vivenda ou buraco
    Terá sido visto no aeroporto

    Não importa isto é divertido
    Manda-se uns tirinhos pr’o ar
    Umas bazucadas na moradia

    Provavelmente terá fugido
    A Nova York terá ido almoçar
    Com uma bela loira quem diria.

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    1. Poeta, estou a ver um interessantíssimo vídeo sobre ... olhe, sobre a humanidade e os sistemas que eu rejeito desde sempre. Tentarei vir ainda hoje responder... mas não necessariamente levando à letra a "caça ao homem"...
      Abraço grande!

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    2. :) O económico e o monetário, Poeta. Mas, se de início achei bom demais para ser verdade, o final já não me convenceu assim tanto... é um trabalho de gerações e gerações, passar de um mundo como o nosso, tão dividido em termos sociais, para o mundo edénico do futuro... eu sei que podemos não ter esse tempo todo antes de esgotar os recursos naturais e antes que o sistema capitalista entre em colapso... mas isto anda a ser estudado há muitos anos e eu conheço demasiadamente bem o ser humano para acreditar em grandes panaceias por ele criadas...
      Nenhuma grande convulsão social se faz - ou fez... - sem derramamento de sangue... e falo de convulsões ao nível de países, não de uma mudança repentina à escala mundial. Mas deve saber do que se trata... www.zeitgeistmovingforward.com
      De qualquer forma fiquei sem inspiração nenhuma para poetar. As realidades descritas no início, nada têm de fantasioso e a minha cabeça vai levar muito tempo a processar a parte final do vídeo.
      Posso tentar de manhã... ou ainda esta madrugada se o vídeo me tiver tirado o sono...
      Abraço grande! :)

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    3. Nem mosca ou mesmo formiga
      Eu perseguiria assim...
      O meu cãozito que o diga
      Pois não tem medo de mim...

      Já estou a ficar cansada
      De tanta perseguição
      Por uma razão que em nada
      Pode ter qualquer razão

      Nestas respostas que dou
      Falo mais do que devia
      Mas bem menos do que quero

      Bem vê, Poeta, assim sou;
      Tão capaz desta "avaria"
      Quanto do que já nem espero...


      Este ainda me nasceu, Poeta. É um bocadinho "tonto" e tem um final ambíguo, mas para quem já está a dormir em pé, poderá considerar-se aceitável :) Para o soneto do seu pai é que já não dá... por muito que o meu corpo esteja a responder ao cansaço, a minha cabeça ainda está às voltas com aquela transição final que eu, exactamente por ser tão imune a publicidades e afins, não consigo ver tão cor de rosa como eles pretendem fazer parecer... esta malvada sinceridade só me deixa "engolir os anzóis" que me digam respeito a mim mesma. Quando é a humanidade inteira que está em jogo, não engulo coisa nenhuma.
      Abraço grande!

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  5. “Nova luz”

    Uma nova estrela nasceu
    Lá longe no firmamento
    Sua luz ainda não apareceu
    Ansiamos o seu surgimento

    Dizem que é luz de bonança
    Sua aurora será de rara beleza
    Traz raios novos d’esperança
    Mas quem pode ter a certeza?

    Ela própria também não a tem
    Mas viaja rápida e pujante
    Pois acredita num novo valor

    Confiante aponta para Belém
    Leva atrás um mar de gente
    Disposta a venerar o Salvador.

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  6. G 20

    Remédio urgente

    A Terra está doente e não tem cura
    Caminha, acelerada p`ro abismo…
    A moléstia que tem é a loucura,
    O vírus que a causou capitalismo

    Reúnem-se, agastados, à procura,
    Os mentores que eivados de cinismo,
    Declaram que é bem que sempre dura
    Mas que bem cedo eclodirá em sismo

    Convictos de que nada se consome,
    De acordo com uma lei universal,
    Transformaram a fartura em fome

    E o remédio é isolar o vírus,
    Segundo uma lei medicinal…
    Ou, então, a eutanásia, feita a tiros!

    EDUARDO

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    1. Olá, meu amigo Eduardo!

      Por tudo isso fiquei efectivamente sem inspiração nenhuma, nenhuma, para poetar e muito menos em soneto. Este vídeozinho que já viu é fancamente indigesto na sua fase final! Dei comigo a acenar afirmativamente durante a maior parte dele mas, no último terço, começou-me a cheirar a "esturro"... desculpe-me o vernáculo. Cheira-me a manipulação de massas. Não sei como o encara mas sei que eu não tive ainda tempo para o digerir. Não por mim... mas também por mim. Sobretudo porque já vivi o suficiente para entender como as boas intenções podem dar péssimos resultados quando postas em prática.
      Agora vou tratar de limpar as minhas caixas de correio porque cada vez sinto mais que este mundo precisa mesmo de boa poesia. Vou preparar o poetaporkedeusker para funcionar, quando chegar a hora :) ou, caso não funcione, vou preparar-me a mim para analisar a parte final do que vi.
      Um abraço grande!

      Maria João

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    2. Eduardo, este sonetilho que agora mesmo me nasceu vem mesmo, mesmo a calhar para resposta a este seu soneto do G 20! Também vem a calhar para o do Pedro, mas eu, depois, levo-o para a caixinha de comentários do blog dele. Deixo-lho aqui e, apesar de não ser um bom poema - tem no entanto toda a correcção formal e métrica que se pode exigir ao sonetilho - tenho a impressão de que o vou publicar como post! É muito demonstrativo daquilo que eu sou e, por isso, dou-lhe honras de post.
      Um grande abraço e muito obrigada por me deixar estes seus sonetos e esparsas!
      Se outra estrela, além daquela
      Que me conduz, me ilumina,
      Colidir, algures, com ela
      Tentando mudar-me a sina,

      Morrerei por minha estrela
      Porque ninguém me confina
      A estrelas diferentes dela
      Sob ordens de outra doutrina!

      Morro dizendo que não
      A qualquer imposição
      Que não venha desse rasto

      E de um brilho milenar
      Que me obriga a poetar
      E me diz que assim me basto!


      Maria João Brito de Sousa – 27.08.2011 -15.31h


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    3. Caro Pedro

      Cá recebi esse Natal. O natal já não está longe e o da beterraba também não. Pode ser que seja açucarado.

      Agradece à Amiga Maria João de Sousa aquele belo sonetilho que ela diz ter sido inspirado pelo meu G 20. Sinto-me muito honrado por ter sido fonte de inspiração de tão insigne Musa.

      Até logo

      Eduardo.

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    4. Caro Eduardo,

      Eu é que lhe agradeço! Não me conhece pessoalmente ou não me dedicaria tão delicada adjectivação. Sou mesmo uma pessoa banalíssima... com excepção do cabelo, demasiado comprido - e cheio de "brancas" - para ser banal. Mas sou mesmo o tipo de pessoa que gosta de estar no seu cantinho, a escrever e a tratar da bicharada... só acredito mesmo que tenho alguma vocação para a poesia e, com muito trabalho, o blog lá vai crescendo... como a minha força muscular já é pouca só para tratar da minha higiene e da da bicharada e, para mim, a pintura é um verdadeiro "corpo a corpo" com uma tela, ao qual já nem me atrevo a responder, canalizo todas as minhas energias criativas para os poemas. Penso ser uma boa "economista" dos dons que nasceram comigo e que, de alguma forma, foram potenciados pela infância feliz que tive o privilégio de viver.
      Muito obrigada por ter gostado do meu sonetilho! Um abraço para si e para a sua esposa!

      Maria João

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  7. Já com os devidos acertos, que ontem foi à pressa, aí vai o soneto que te ofereci. Se quiseres, manda à insigne poetisa Maria João de Sousa.

    Para o Pedro – pensador em sonetilhos e que tem um blog intitulado «Poetazarolho»

    Belos sonetilhos escreve, à molhada
    E todos os dias me manda um molho,
    Deixa minha alma, sempre, extasiada
    Pois, embora o diga, não é um «zarolho»

    E lá vão chegando, sem eu dar por nada
    Se vou ao Gmail e mal para lá olho
    Aos três e aos quatro, todos d´assentada
    E todos servidos com o mais puro molho.

    Já tenho cismado: onde irá beber
    Tanta humanidade e profundo brilho?
    Mas eu continuo a não entender.

    Queria eu pensar que é hereditário,
    Já que o pensador, até é meu filho…
    Mas se ele assim cresce, eu cresço ao contrário.

    EDUARDO

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  8. ... gosto, entendo e sinto o que diz!
    Abraço bem forte!
    Isabel

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    1. Muito obrigada por entender e sentir, Isabel! Não é muito fácil encontrar quem o saiba fazer e é tão reconfortante! :)
      Abraço enorme!

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