ENVOLVÊNCIA&ALARME - Sonetilho
Não importa de onde venha
Se toda inteira me envolve
Numa carícia tão estranha
Que só a escrita a resolve
E, de um só golpe me apanha,
De um só golpe me dissolve
Numa languidez tamanha
Da qual já ninguém me absolve,
Que mais valera calar-me
Sem sequer tentar explicar
Por que razão hei-de eu dar-me
Numa envolvência sem par
Sem que soe o tal alarme
Que me costuma alertar.
Maria João Brito de Sousa – 17.08.2011 – 19.21h
“Syntagma”
ResponderEliminarFicaram por lá as almas penadas
As pessoas passam apressadas
Olham, sentem-se embaraçadas
E algumas discutem intrigadas
Almas permanecem acomodadas
Nas suas tendas estão alojadas
Vêem-se as cuecas penduradas
Cartazes com palavras desgarradas
A dois passos está o parlamento
As lindas ruas chiques de Atenas
Compras, azafama, uma esplanada
Protesto arrefeceu, secou o lamento
Os turistas tiram uma foto apenas
Captam o instante da alma penada.
O que se passou por lá
EliminarTambém vai passar-se aqui
Mas não sei no que dará
Porque ainda o não vivi...
Semente a desabrochar
Por dentro da lucidez
De quem quiser desmontar
As mentiras que aqui vês,
Quantos braços, quantos cravos,
Quantas vozes descontentes
Se erguerão em Portugal?
Ou vamos todos ser escravos
E quedar-nos sorridentes
Para quem nos faz tão mal?
:) Abraço GRANDE!
“Ele e a sua sombra”
ResponderEliminarAndam loucos por cobrar
Nestes dias de incerteza
Até quando irá durar ?
A malta está quase tesa
Era pró Natal é pra mim
Transportes venha a nós
Na electricidade é assim
Não tomamos banho sós
Este pântano é bem maior
Do que os antes falados
Do inferno se fará céu ?
Não creio, está bem pior
Ficaremos todos atolados
Então e o louco sou eu ?
Prof Eta
Penso que maior loucura
EliminarSeria a de acreditar
Nesta "predação" obscura
De quem só quer trabalhar!
Maior loucura seria
Dar tudo e ficar contente
Quando a justiça diria
Que isso era um roubo indecente...
Há muito entrei nas medidas
Da poupança radical
E do aperto do cinto
Mas há gentes divididas
Entre a compra de um jornal
E uma carcaça com tinto...
Beijinho grande, Poeta amigo! :D Boa noite!
"Porque razão hei-de eu dar-me
ResponderEliminarNuma envolvência sem par
sem que soe o tal alarme
que me costuma alertar..."
Lindo, lindo, lindo!
Ainda estou de férias e te respondi nos
"7degraus" e disse:
Maria João
Eu não escrevi um sonho,
Escrevi uma realidade...
Mª. luísa
Um beijo,
Mª. Luísa
Vou já ao 7degraus, amiga! quero relembrar cada palavra que te disse... ou escrevi! Isto é, se o 2008 não resolver desmaiar outra vez...
Eliminar“Mil futuros”
ResponderEliminarMil futuros vão existir
Serão de passados mil
Não serão por descobrir
Perguntas qual é o ardil?
São os passados a repetir
Pela força do esquecimento
Que o que passou há-de vir
Esta é lei em movimento
É um movimento perpétuo
Na sua forma sinusoidal
Por isso o filme que vês
É em círculos e não recto
Novidade é circunstancial
Já que o visionarás outra vez.
O novo é circunstancial
EliminarMas vem sempre acrescentado
De algo novo que, afinal,
Nunca existiu no passado...
As variáveis são tantas
Que são sempre irrepetíveis
Nos animais e nas plantas
Com ciclos imprevisíveis
Na espiral de que me falas
Há sempre um ou outro ponto
Do circular movimento
A surgir do que tu calas
Como aquele que conta um conto
E o lança aos braços do vento... :)
Beijinho, Poeta! Já li, já vi e acho uma maravilha! Não é só poema, é o resto :)
OK, irei dando cada passo e informando.
Eliminar“A festa do culpado”
ResponderEliminarPor sermos humanos erramos
Culpa morre sempre solteira
Aos outros não desculpamos
Quando fazem alguma asneira
Solteira morreu a avó da culpa
Não se conhece descendência
Se tiveres uma boa desculpa
Terás a nossa condescendência
Por tudo isto já não há culpados
Podemos errar e fartar vilanagem
Com os erros tentamos aprender
Morta a culpa estamos desculpados
Se errando é fraca a aprendizagem
Não teremos que nos arrepender.
Pro Eta
Verdade mais verdadeira,
EliminarNão existe se eu disser
Que fiz muito boa asneira
Só pr`a poder aprender!
Se duma culpa falei,
Culpada não me senti...
Tão naturalmente errei
Que o fiz e logo assumi...
E se eu não tivesse errado
Quem me diria que o certo
Estava ali, ao meu alcance?
Tudo é bem mais complicado
Mas vai sendo descoberto
A cada novo relance...
Abraço grande, Poeta!!! :)
“Discurso da flôr”
ResponderEliminarEnchi de silêncio minhas palavras
E vazei meu copo de um só trago
Vi o ar de espanto que mostravas
Por ficar no ar este discurso vago
O silêncio extraíste das palavras
Com ele construíste uma linda flôr
Muda, com a qual sempre falavas
Contigo ela comunicava pela côr
Na arte suprema da comunicação
Esta relação nunca mais cedeu
Assim pela primeira vez na vida
Rebelde, entendeu o teu coração
Repleto de côr este discurso meu
Ausência de palavras foi resolvida.
Ausência, ausência... não era...
EliminarMas era tudo tão vago
Que eu quis optar pela espera
Nesta indecisão que trago
Estando sempre preparada
Para o que der e vier
Prossigo na minha estrada
Como outro humano qualquer...
O Sashimi adoptou-me
- é um gato abandonado... -
E eu não posso dar-lhe abrigo
Mas, desse encontro, ficou-me
O estranho sabor negado
De um eterno novo amigo...
Obrigada, Poeta! Por favor, faça circular por aí que há um gatinho abandonado aqui, perto de minha casa... é um gato macho, jovem, tigrado e que foi obviamente abandonado. O nome fui eu quem lho deu e ele aceitou-o à primeira. É muito, muito meigo e deve ter crescido numa casa onde havia cães pois só hoje começou a aprender, da pior maneira, que os cães não se dão muito bem com gatos desconhecidos.
Abraço grande!:)
“Bola de berlim”
ResponderEliminarEste mundo não é meu
Eu também não o queria
Mas se alguém o comeu
Ficou com grande azia
Era lindo e amarelinho
Aberto bem a preceito
Estava bem recheadinho
Com um creme perfeito
No final lambe os dedos
Arrota de agradecimento
Para terminares o festim
Bate a sorna sem medos
Acordas em sofrimento
Indigesta a bola de berlim.
Prof Eta
Bem bom! Bolas de Berlim
EliminarSó poderão fazer mal
Àquele que tema que, assim,
Possa engordar, no final!
Quanto a mim, soube-me bem
E, enquanto as pude comprar,
Deliciei-me... quem tem
Tanto medo de engordar?
Durou pouco mas foi bom...
E depois? Se mais houvesse
Mais comeria, decerto...
Ou não será de "bom tom"
Comer, se nos apetece,
Numa esplanada aqui perto?
Abraço grande, Poeta! :)